O Custo da Vitória.

O bunker estava silencioso depois da batalha. O som do vento batendo contra as paredes de concreto e o leve zumbido dos aparelhos eletrônicos eram os únicos ruídos que restavam. A vitória sobre a sombra tinha sido difícil, mas agora parecia que o pior havia passado. Ou pelo menos era isso o que Dean queria acreditar.

Ele estava deitado no sofá, os ferimentos já tratados, mas a exaustão pesava em seu corpo como uma corrente invisível. Castiel estava no outro lado da sala, observando-o com aquela expressão contemplativa que ele costumava ter após uma luta. Mas havia algo mais. Algo que Dean não conseguia ignorar.

Ele se levantou lentamente, o corpo ainda dolorido, e foi até onde Castiel estava. O anjo olhou para ele, mas não disse nada. Dean podia ver a preocupação em seus olhos, mas também um tipo de… aceitação. Uma aceitação que, por mais que Castiel tentasse esconder, estava lá, bem na superfície.

“Não precisava me salvar, Cas,” Dean disse, a voz rouca, mas com um sorriso forçado. “Eu estava indo bem até que você entrou no meio e decidiu me fazer um favor.”

Castiel deu um passo à frente, a postura séria, mas os olhos suavizados. “Eu não faço favores, Dean. Eu... não consigo ficar afastado quando você está em perigo. Eu não posso deixar você se sacrificar.”

Dean engoliu em seco, sentindo uma onda de emoções conflitantes. A dor do combate ainda estava em seu corpo, mas o que ele sentia por Castiel era mais forte. Algo que ele ainda estava tentando entender, mas que não podia mais ignorar. “Eu sei,” Dean murmurou, desviando o olhar. “Eu só... não sei o que isso significa, Cas. O que nós somos agora?”

Castiel se aproximou mais, sua presença imponente, mas reconfortante ao mesmo tempo. “Eu não posso te dar todas as respostas, Dean. Não posso dizer o que será amanhã, mas posso te dizer que, agora, você não está mais sozinho.”

Aquelas palavras atingiram Dean de uma forma que ele não esperava. Uma sensação de conforto tomou conta dele, algo que ele não sabia que precisava, mas que agora parecia essencial. Ele olhou para Castiel, os olhos mais suaves do que antes, e com um suspiro, se aproximou. A proximidade entre os dois agora estava carregada de algo que nenhum dos dois queria admitir, mas que se tornava cada vez mais evidente.

Dean levantou a mão, hesitante, e tocou o rosto de Castiel, seus dedos deslizando suavemente pela pele fria do anjo. Castiel fechou os olhos por um momento, e Dean soube que ele estava sentindo o mesmo. A tensão entre eles era palpável, mas era algo bom. Algo necessário.

“Eu não sei o que está acontecendo comigo,” Dean disse, sua voz quase um sussurro. “Mas... você não me deixa com medo, Cas. Mesmo quando tudo parece estar desmoronando, você está aqui.”

Castiel abriu os olhos e olhou fixamente para Dean. A intensidade no olhar do anjo era quase esmagadora, mas ao mesmo tempo, havia algo de profundamente humano nele. “Eu não sei como isso vai acabar, Dean. Mas posso te garantir uma coisa: não importa o que aconteça, eu vou ficar.”

O coração de Dean bateu mais rápido. Ele queria dizer mais, queria que a tensão entre eles fosse quebrada, mas o que estava acontecendo agora parecia muito grande, muito importante para ser dito em palavras. Então, ele fez o que parecia certo. Ele se inclinou para frente e, com uma pressa de necessidade reprimida, beijou Castiel.

O beijo foi quente, urgente. As mãos de Dean se moveram para o pescoço de Castiel, puxando-o mais para perto, sentindo a respiração do anjo contra sua pele. O toque de Castiel, embora suave, era cheio de uma intensidade que ele não havia demonstrado antes, como se ele também estivesse lutando contra algo interno. Mas não havia mais hesitação entre eles. A energia ao redor deles parecia se aquecer com a proximidade.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, os olhos fixos um no outro. Dean não sabia como, mas agora tudo parecia mais claro. A resposta para a pergunta que ele tinha se feito o tempo todo estava ali, em Castiel. Não havia mais necessidade de palavras.

“Cas...” Dean começou, mas as palavras não saíram. Ele apenas olhou para o anjo, a sensação de estar inteiro mais forte do que nunca.

Castiel apenas assentiu, compreendendo o que Dean não conseguia expressar. Ele não disse nada, mas o jeito como seu olhar encontrou o de Dean falou mais do que qualquer palavra poderia dizer.

A tensão ainda estava lá, mas agora havia algo mais: confiança. Uma confiança mútua de que, independentemente do que o futuro trouxesse, eles não estavam mais sozinhos. Eles iriam enfrentar tudo juntos.

O bunker estava quieto novamente, mas o clima dentro dele tinha mudado. O peso das últimas horas, das batalhas e das palavras não ditas, agora parecia mais leve. O futuro era incerto, mas, pela primeira vez em muito tempo, Dean sentiu que ele estava preparado para enfrentá-lo — com Castiel ao seu lado.

Eles estavam prontos para enfrentar o que quer que viesse, juntos.

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