Sombras e Revelações.

O bunker estava imerso em uma escuridão acolhedora, a luz suave das lâmpadas iluminando as paredes de concreto de maneira quase íntima. A missão estava finalmente concluída. A criatura que os caçadores haviam enfrentado, uma mistura monstruosa de demônio e espectro, agora não era mais uma ameaça. Mas, apesar da vitória, algo no ar permanecia pesado, como se a verdadeira batalha ainda estivesse por vir. E, para Dean, ela estava prestes a se intensificar.

Dean estava no banco da cozinha, mexendo distraidamente em uma xícara de café frio, quando Castiel entrou. Seus passos eram silenciosos, mas Dean os sentia como uma presença, uma força que se aproximava.

A tensão entre eles, embora tensa, também havia se tornado familiar. Mas agora, depois da luta, depois da proximidade, havia algo mais. Algo inexplicável que Dean não sabia como lidar. A verdade estava se formando, mas ele não sabia como colocar em palavras.

Castiel se aproximou, seu olhar sério, mas, ao mesmo tempo, havia uma suavidade nele que Dean nunca tinha notado antes. Não era uma suavidade forçada, mas algo real, como se Castiel estivesse começando a entender a si mesmo da mesma forma que Dean começava a entender suas próprias emoções.

“Dean,” Castiel falou, a voz grave, mas com um toque de preocupação. “Eu… estive pensando sobre o que aconteceu. Entre nós.”

Dean olhou para ele, os olhos fixos nas mãos ao redor da xícara. Ele não sabia se deveria olhar nos olhos de Castiel ou simplesmente manter o foco em qualquer coisa que não fosse o próprio anjo. Ele estava com medo do que poderia ver.

“Cas,” Dean começou, a voz rouca, como se palavras tivessem ficado presas em sua garganta. “Eu sei o que está acontecendo… eu sei. E está complicado.” Ele deu um suspiro profundo, olhando finalmente para Castiel. "Mas você está certo, isso não pode continuar assim."

Castiel deu um passo à frente, mais próximo do banco onde Dean estava sentado, e o observou com uma intensidade silenciosa que fazia o coração de Dean bater mais rápido. Ele podia sentir o calor vindo de Castiel, e a proximidade era quase insuportável.

“Eu não… sei o que você está esperando de mim, Dean,” Castiel continuou, as palavras soando como uma confissão. "Mas você não está sozinho. Eu percebo o que você está sentindo, mesmo que não seja fácil para mim entender. A forma como você me olha, como me trata... Eu vejo."

Dean ficou em silêncio, os olhos fixos em Castiel, e então o que ele havia temido, o que ele tentava esconder, finalmente saiu. "Eu não sei como lidar com isso, Cas. Mas é… real. Eu sinto isso." Ele balançou a cabeça, como se não pudesse acreditar no que estava dizendo. “Você me confunde, e me faz querer lutar contra tudo isso… e ao mesmo tempo, me sinto atraído. Mas, quando eu olho para você, vejo mais do que apenas o anjo, Cas. Eu vejo alguém que…”

As palavras ficaram presas, e Dean fechou os olhos por um instante, tentando entender o que estava acontecendo. Quando ele os abriu, Castiel ainda estava ali, esperando. Mas não era um olhar de julgamento. Era um olhar de compreensão, silenciosa, como se ele também estivesse esperando que Dean tomasse o próximo passo.

O silêncio entre os dois era pesado, mas também estava cheio de algo mais. Algo que fazia o coração de Dean bater de forma irregular, algo que ele não conseguia controlar.

“Dean…” Castiel murmurou, a voz baixa. "Eu não sou humano. Eu não sei como… como lidar com sentimentos. Eu fui feito para lutar, para proteger. Mas, desde que conheci você… eu sinto algo diferente. Algo que não entendo, mas que não posso ignorar."

A resposta de Castiel foi tão sincera, tão cheia de vulnerabilidade, que Dean não pôde evitar. Ele se levantou lentamente, sem pensar, e deu um passo em direção a Castiel. Quando estavam a poucos centímetros de distância, o mundo parecia ter parado. O som da respiração de Castiel, o leve toque de sua presença, tudo se tornou uma sinfonia silenciosa ao redor de Dean.

Sem palavras, Dean levantou a mão e tocou a face de Castiel, seus dedos tocando suavemente a pele fria do anjo. O gesto era hesitante, mas a proximidade de Castiel fez com que ele sentisse uma necessidade urgente de se aproximar mais.

Castiel fechou os olhos por um momento, como se se entregasse àquele toque, e então, quando os abriu novamente, o olhar que ele fixou em Dean estava carregado de algo mais do que apenas compreensão. Era uma aceitação silenciosa, como se ele tivesse entendido finalmente o que Dean não conseguia verbalizar.

Dean sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O que ele estava fazendo era perigoso, ele sabia disso. Mas naquele momento, a necessidade de estar perto de Castiel era mais forte do que qualquer lógica. Ele se inclinou para frente, os olhos fixos nos lábios de Castiel. Um movimento pequeno, mas que foi o suficiente para fazer o coração de Dean bater mais forte.

“Eu não sei como lidar com isso,” Dean murmurou, antes que qualquer coisa pudesse acontecer. “Mas, Cas, eu não posso negar o que estou sentindo.”

Castiel, então, colocou a mão sobre a de Dean que ainda tocava sua face. “Eu também não sei, Dean. Mas podemos descobrir isso juntos.”

O momento parecia suspenso no tempo. E, quando finalmente Dean deu o passo que havia temido, seus lábios se encontraram com os de Castiel. A princípio, foi suave, um toque quase tímido, como se nenhum dos dois soubesse exatamente o que estava fazendo. Mas quando o beijo se aprofundou, quando ambos se entregaram àquela sensação, algo se quebrou. Algo que estava sendo guardado, não só entre os dois, mas dentro de cada um deles.

O beijo não foi apenas um ato de desejo, mas uma revelação. Uma aceitação do que estava se formando, do que os dois estavam agora prontos para enfrentar. No calor do momento, a tensão finalmente se dissipou, e a verdade entre eles foi pronunciada, sem palavras, sem mais mentiras.

Quando finalmente se separaram, os dois estavam ofegantes, os olhos fixos um no outro, agora mais conscientes do que nunca de onde estavam. Eles sabiam que isso mudaria tudo, mas, ao mesmo tempo, não havia arrependimento.

“Isso não vai ser fácil,” Dean disse, com um sorriso pequeno, quase nervoso.

Castiel olhou para ele, a expressão ainda séria, mas com algo mais suave. “Nada que vale a pena é fácil, Dean.”

E, enquanto o silêncio tomava o bunker, algo se renovava entre eles. O caminho à frente ainda estava incerto, cheio de desafios e de respostas ainda não dadas, mas havia algo inegável entre Dean e Castiel. Uma conexão. Algo mais forte que a dor, mais forte que o medo. Algo que os dois finalmente estavam prontos para explorar, juntos.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!