Arthur,
O relógio na parede marcava 8h05. Eu deveria começar a reunião pontualmente às 8h, mas esperava, com paciência calculada, que todos estivessem devidamente instalados antes de abrir a boca. Sempre me incomodou a falta de pontualidade, mas preferia demonstrar meu desagrado com gestos sutis, como silêncios prolongados, em vez de palavras.
Sentado à cabeceira da longa mesa de madeira maciça, em minha sala de reuniões, eu observava os diretores ajustarem seus papéis e laptops, evitando cruzar meus olhos. A tensão no ar era visível, algo que se tornou comum em todas as reuniões que conduzo. Não era intencional, mas a responsabilidade de comandar uma das maiores empresas do setor financeiro no país exigia certa postura. Meu nome, Artur Villeneuve, significava excelência para uns, temor para outros, mas para mim era apenas o reflexo do que construí: trabalho duro, disciplina e uma aversão absoluta a falhas.
Sou o CEO da Villeneuve Investments, uma empresa fundada pelo meu pai, Jean-Pierre, e que eu assumi aos 30 anos, depois de provar, repetidamente, que tinha competência para liderar. Meu pai é um homem de poucas palavras, mas exigente, e nunca hesitou em me desafiar. Cresci sob o peso de suas expectativas e com a certeza de que só havia um caminho para o sucesso: ser impecável.
Hoje, quatro anos após assumir o cargo, a Villeneuve Investments é uma potência no mercado financeiro, especializada em fusões e aquisições. Quando entrei na empresa, os negócios estavam estagnados, ainda presos a estratégias tradicionais que meu pai relutava em abandonar. Sob minha liderança, reformulamos nossa abordagem, modernizamos operações e expandimos internacionalmente. Nossos lucros triplicaram em três anos. Não foi sorte – foi competência.
– Senhor Villeneuve? – chamou minha assistente, Camila, com a voz firme e sem emoção, como eu preferia.
– Sim? – respondi sem desviar o olhar do tablet onde lia o relatório trimestral.
– Todos estão prontos. Podemos começar?
Dei um leve aceno de cabeça e deixei o tablet sobre a mesa. A sala ficou em silêncio absoluto enquanto eu me levantava.
– Senhores, obrigado por estarem aqui – comecei, minha voz ecoando no ambiente. – Temos uma agenda apertada hoje, então serei breve. Vamos revisar os resultados do terceiro trimestre e alinhar estratégias para o fechamento do ano fiscal. Não quero surpresas negativas no relatório final, entendido?
As cabeças ao redor da mesa assentiram em uníssono, e a reunião começou.
Conduzir reuniões como essa era parte da rotina de um CEO, mas, para mim, era mais do que apenas discutir números. Era uma oportunidade de observar como meus diretores reagiam sob pressão, de identificar fraquezas e ajustar a equipe conforme necessário. Sempre acreditei que a força de uma empresa reside em sua liderança, e, se alguém não consegue acompanhar meu ritmo, não hesito em substituí-lo.
Durante a apresentação do primeiro diretor, percebi um deslize em um dos relatórios de marketing. Interrompi imediatamente.
– Isso está incorreto – disse, apontando para o gráfico projetado na tela. – Os números de conversão não batem com o que foi apresentado no último trimestre. Explique.
O diretor gaguejou por um momento, claramente desconfortável. Não era um erro grave, mas deixá-lo passar seria inaceitável.
– Desculpe, senhor Villeneuve. Deve ter sido um equívoco na análise. Vou corrigir e enviar um novo relatório ainda hoje.
– Não espero correções depois, espero precisão desde o início – respondi, sem alterar o tom de voz. – Resolva isso agora, caso contrário, está demitido.
Ele assentiu rapidamente, e a reunião prosseguiu. No mundo dos negócios, não há espaço para erros. Qualquer deslize pode custar milhões ou, pior, a reputação da empresa – algo que nunca estou disposto a arriscar.
Após duas horas de discussões intensas, finalmente concluímos a reunião. Quando os diretores começaram a se retirar, voltei minha atenção para Camila, que aguardava pacientemente ao meu lado.
– Qual é o próximo compromisso? – perguntei, enquanto organizava meus papéis.
– Uma ligação com os investidores europeus às 11h, seguida de um almoço com o Sr. Nishida para discutir a possível fusão com a Technocorp.
– Certo. Certifique-se de que os relatórios financeiros estejam prontos para a chamada. Não quero surpresas.
Camila assentiu e saiu da sala, deixando-me sozinho por alguns minutos. Respirei fundo, sentindo o peso do dia apenas começar a se acumular.
Trabalhar como CEO de uma empresa desse porte não é para qualquer um. As decisões que tomo diariamente impactam não apenas o futuro da Villeneuve Investments, mas também os empregos de milhares de funcionários ao redor do mundo. Isso pode ser um fardo esmagador para muitos, mas, para mim, é um desafio que escolhi enfrentar.
Ao olhar pela ampla janela de minha sala, que oferecia uma vista deslumbrante da cidade, pensei em como tudo isso começou. Cresci acreditando que o sucesso era uma obrigação, não uma escolha. Meu pai sempre foi um homem rígido, alguém que nunca demonstrava fraqueza e esperava o mesmo de mim.
Embora Jean-Pierre ainda seja uma figura influente na empresa, ele me deu liberdade para tomar decisões desde que assumi o comando. Ele confia em mim, mas sempre deixa claro que espera resultados. Não posso decepcioná-lo – nem a ele, nem a mim mesmo.
Minha mãe, Catherine, é diferente. Ela é calorosa e compassiva, sempre buscando equilibrar a frieza de meu pai com palavras de encorajamento. Foi dela que aprendi o valor de cuidar das pessoas ao meu redor, mesmo que eu tenha dificuldade em demonstrar isso. Eles vivem viajando para a França, ficam uma temporada por lá e após retornam, mas esses dias eles têm parado.
– Senhor Villeneuve, sua ligação está pronta – disse Camila, entrando novamente na sala.
Voltei para a sala de reuniões e me sentei diante da câmera, ajustando a gravata. A chamada com os investidores era uma das tarefas mais delicadas do meu dia. Convencer europeus conservadores a investir em nossos projetos exigia um equilíbrio cuidadoso entre números sólidos e a habilidade de contar uma história convincente.
– Bom dia, senhores – comecei, com um leve sorriso. – Espero que todos estejam bem. Vamos direto ao ponto.
A reunião durou cerca de uma hora, e terminei com a sensação de dever cumprido. Os investidores estavam satisfeitos, e eu já podia visualizar os resultados positivos que aquele acordo traria para a empresa.
No entanto, enquanto desligava a câmera, senti um leve desconforto. Não físico, mas algo mais profundo. Era um sentimento que me acompanhava há anos, como uma sombra. Mesmo com todo o sucesso que conquistei, havia uma parte de mim que nunca se sentia completamente satisfeita.
Era estranho. Parece sempre faltar algo.
Não havia tempo para pensar nisso agora. O relógio marcava 12h30, e o almoço com Nishida estava se aproximando. Peguei meu blazer e saí da sala, pronto para enfrentar o próximo desafio do dia.
Essa era a minha vida: reuniões, decisões e resultados. Não havia espaço para distrações ou fraquezas, e eu gostava disso. A previsibilidade do trabalho era minha zona de conforto, mesmo que, às vezes, eu me perguntasse se estava perdendo algo importante.
Mas perguntas como essas eram perigosas. No mundo dos negócios, olhar para dentro pode ser mais arriscado do que enfrentar concorrentes externos. Afinal, um CEO não pode se dar ao luxo de hesitar.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Maria Sena
Esse daí é daquele que o mais importante é a fama, prestígio, o dinheiro.Tendo tudo isso o resto não importa, família, amigos, sentimentos são coisas supérfluas, sem valor. Não para pra pensar que tudo isso um dia acaba, mas o amor permanece pra sempre.
2024-12-10
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João Wellington campos
ele tem dinheiro poder status mas não tem o mais importante amor amigos diversão Viver a vida ele não vive
2025-03-27
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Imaculada Nova Messias
falta AMOR arthur 🥰 alguém pra conversar é desabafar expressar e deixar fluir seus sentimentos uma parceira com quem possa contar e confiar sorrir passeiar jantar ou só tomar um café da manhã ❤ e ela te desejar um bom dia de trabalho
2025-02-13
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