Capítulo 17

Arthur 

Chegamos ao hotel no início da tarde, depois de um longo trajeto do aeroporto até o centro histórico da cidade. A fachada do prédio era majestosa, uma combinação perfeita entre o charme da arquitetura renascentista e o luxo moderno. Grandes portas de vidro nos recebiam, e o chão de mármore polido refletia as luzes douradas dos lustres que pendiam do teto alto.

Assim que entramos, um funcionário uniformizado nos acompanhou até o balcão de check-in. Eu mantive minha postura habitual, profissional e direta, enquanto verificava os detalhes da reserva. Dois quartos estavam prontos, um para mim e outro para Helô, assim como eu havia pedido para Camila reservar.

Enquanto Helô esperava ao meu lado, olhei para ela de relance. Estava visivelmente cansada, mas havia algo nela que eu não conseguia ignorar. Apesar de seu olhar distante e da postura tensa, Helô parecia se destacar naquele ambiente, e claro, ela estava mais corada do que a última vez.

— Seus quartos estão prontos, senhor Villeneuve – informou o recepcionista em um tom impecavelmente educado.

Assenti e peguei as chaves, entregando uma delas a Helô.

– Descanse um pouco. A reunião é às 19h. Quero você pronta para sair às 18h30.

Ela apenas assentiu, murmurando um “sim, senhor Villeneuve” antes de seguir para o elevador.

O quarto era exatamente como eu esperava: luxuoso e funcional. O piso de madeira escura combinava com os móveis de design moderno, enquanto as janelas amplas ofereciam uma vista impressionante da cidade. Uma poltrona confortável estava estrategicamente posicionada ao lado de uma mesa com frutas frescas e uma garrafa de vinho branco como cortesia. Caminhei até a mesa, me servi com um pouco de vinho, e em seguida peguei uma uva jogando dentro da boca, o gosto era maravilhoso e doce.

Me despi e fui tomar um banho rápido, após o banho coloquei um terno cinza-escuro, uma camisa branca impecável e uma gravata azul-marinho. Minha aparência era essencial; a postura visual de um líder dizia tanto quanto suas palavras em uma sala de reuniões.

Enquanto ajustava a gravata em frente ao espelho, não pude evitar de pensar na reunião. O erro contábil que nos trouxe até aqui era sério, mas não irreparável. Minha prioridade era garantir que os investidores italianos confiassem na Villeneuve Investments para resolver tudo de forma eficiente, como eu sempre fazia, quando surgiam problemas como esses, ou maiores.

Às 18h30, estava no saguão aguardando Helô. Os ponteiros do relógio se moviam pontualmente, e eu já começava a imaginar que teria que ir até o quarto dela buscá-la. Mas, no momento exato, ouvi os passos dela descendo as escadas.

Quando levantei os olhos, fui atingido por uma visão que eu não esperava.

Helô usava um vestido azul-escuro, elegante e ajustado, que destacava suas curvas de maneira sutil, mas marcante. O tecido fluía levemente enquanto ela descia as escadas, e o brilho discreto do material captava a luz ao redor. O cabelo estava preso em um coque baixo, com algumas mechas soltas que emolduravam seu rosto.

Ela atraía olhares por onde passava. Os hóspedes no saguão, alguns homens de negócios e até os funcionários do hotel não conseguiam evitar observar sua presença.

E, sem querer, me vi entre eles.

Não era apenas o vestido ou o cabelo – era a forma como ela parecia tão... diferente. Por um instante, quase esqueci de quem ela era no contexto da nossa relação profissional. Mas rapidamente recuperei meu foco e mantive minha postura.

– Está pronta? – perguntei quando ela se aproximou.

Helô assentiu, ajeitando discretamente a alça da bolsa.

– Sim, senhor Villeneuve.

– Ótimo. Então vamos.

A sala de reuniões ficava em um prédio histórico, a poucos minutos de carro do hotel. Quando chegamos, fomos recebidos por um grupo de empresários italianos, todos impecavelmente vestidos e prontos para discutir os problemas da empresa associada.

Helô me seguiu em silêncio, carregando uma pasta com os documentos que eu havia revisado no avião. Sua presença discreta, mas elegante, parecia fazer com que ela fosse percebida sem esforço.

A reunião começou com um tom tenso. Um dos investidores, um homem de meia-idade chamado Signore Bianchi, tomou a palavra, falando em italiano:

– Questo errore è inaccettabile. Stiamo perdendo la fiducia dei nostri clienti principali.

(Esse erro é inaceitável. Estamos perdendo a confiança de nossos principais clientes.)

O intérprete ao meu lado traduziu as palavras com precisão, e eu mantive minha expressão controlada. Outro investidor, um homem mais jovem chamado Signore Moretti, acrescentou:

– Vogliamo sapere quali misure saranno prese per garantire che questo non accada mai più.

(Queremos saber quais medidas serão tomadas para garantir que isso nunca mais aconteça.)

Esperei pacientemente até que eles terminassem, então comecei a falar, minha voz firme, mas calma.

– Estamos aqui porque levamos essa situação muito a sério. O erro foi identificado e isolado, e já temos um plano para corrigi-lo. Além disso, implementaremos um sistema de auditoria mais rigoroso para evitar qualquer problema semelhante no futuro.

Enquanto eu falava, Helô passou discretamente os relatórios para mim, garantindo que eu tivesse os números e dados certos à mão. Continuei explicando os passos que seriam tomados, detalhando cada ponto com precisão.

Depois de quase duas horas de discussão, os ânimos começaram a se acalmar. Signore Bianchi parecia mais relaxado, embora ainda cauteloso.

– Va bene, signor Villeneuve. Ci fidiamo di lei.

(Muito bem, senhor Villeneuve. Confiamos em você.)

Houve um murmúrio de concordância entre os outros investidores, e, finalmente, a reunião chegou ao fim. Foram distribuídos apertos de mão, sorrisos contidos e promessas de que tudo seria resolvido rapidamente.

No caminho de volta ao hotel, o carro estava silencioso. Helô parecia exausta, mas mantinha a postura profissional.

– Fez um bom trabalho hoje – comentei, quebrando o silêncio.

Ela pareceu surpresa, mas agradeceu com um leve sorriso.

Chegando ao hotel, nos despedimos no saguão. Ela seguiu para o quarto, e eu fui para o bar, onde pedi um uísque para relaxar antes de subir.

Enquanto bebia, refleti sobre o dia. A reunião havia sido um sucesso, e Helô havia desempenhado um papel melhor do que eu esperava. Mas, por mais impressionado que estivesse, mantive meus pensamentos organizados.

Ela era eficiente, mas ainda tinha muito a provar. E, como sempre, eu esperava o melhor de quem trabalhava ao meu lado.

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Comments

Maria Sena

Maria Sena

Sinceramente gente, eu não tenho mais adjetivos para me dirigir a esse cidadão. o que posso dizer é que eu tô ansiosissima pra ver esse cavalo do cão quebrar as pernas e se rastejar pra Helô.

2024-12-11

64

Berê

Berê

Tô no aguardo do desenrolar da história com Artur sendo tirado de sua zona de conforto, sendo bombardeado por notícias e contrariedades, que o farão meter os pés pelas mãos...

2025-01-18

0

Heloisa Franciscani

Heloisa Franciscani

Se eu fosse ela voltaria a estudar e faria uma faculdade na área do se trabalho. pra ter uma carreira brilhante e dar uma vida digna para se filho ou filha.

2025-03-14

1

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