Capítulo 06

Helô

A brisa da manhã tocava meu rosto enquanto eu esperava pelo Uber em frente ao hotel. A situação toda ainda parecia surreal. Mesmo depois de ter saído do quarto, de me afastar da presença avassaladora de Arthur Villeneuve, minha mente continuava presa à lembrança de tudo que havia acontecido.

Eu tentava me manter calma, mas a espera pelo carro parecia interminável. A sensação de desconforto em minha pele, os resquícios de vergonha e arrependimento, não ajudavam. O silêncio foi interrompido pelo som de passos, e quando olhei para o lado, vi Arthur saindo do hotel.

Ele parecia tão impecável quanto sempre, agora vestido com um terno preto que moldava perfeitamente sua figura. Os cabelos estavam alinhados, e ele andava com a mesma confiança que carregava em tudo o que fazia. Não olhou em minha direção. Porque olharia?

Arthur entrou em seu carro sem sequer hesitar, como se a noite anterior não tivesse qualquer significado para ele. O veículo arrancou, desaparecendo pela rua enquanto eu ainda estava ali, esperando meu Uber.

Finalmente, o carro chegou. Entrei rapidamente, murmurando um agradecimento ao motorista antes de me perder em pensamentos. Não consegui evitar a sensação de insignificância que o comportamento de Arthur havia deixado em mim.

Quando cheguei ao meu apartamento, a familiaridade do ambiente me trouxe uma dose de alívio. Tirei as sandálias logo na entrada, sentindo o chão frio sob meus pés. Fui direto para o chuveiro, como se a água pudesse lavar não só o cheiro dele que ainda parecia estar em minha pele, mas também os pensamentos que não me deixavam em paz.

Depois de me vestir com uma roupa confortável, fui para a cozinha e preparei um café forte. Enquanto o aroma preenchia o pequeno espaço, liguei a televisão na sala. Sentei-me no sofá com a xícara nas mãos, tentando encontrar algum conforto naquela manhã que já parecia longa demais.

O café quente ajudou a acalmar meus nervos, e logo a programação desinteressante da TV se tornou um ruído de fundo. Às 9h30, decidi que era hora de fazer algo produtivo. Preparei um almoço simples, mas caprichado, e comi sozinha, como sempre fazia. Não era a refeição mais elaborada do mundo, mas era reconfortante.

Depois de almoçar, dediquei o tempo para arrumar o apartamento. Apesar de morar sozinha, sempre havia uma ou outra bagunça feita por mim. Dobrei roupas, organizei a cozinha e passei o aspirador pela sala. O trabalho doméstico, embora tedioso, foi eficaz para manter minha mente ocupada.

No meio da tarde, fiz uma lista rápida de compras e saí para o mercado. Comprei tudo o que precisava para a semana, paguei o aluguel e voltei para casa com a sensação de dever cumprido. À noite, tomei um banho demorado, deixei o corpo relaxar e, enfim, descansei no sofá.

A rotina era simples, mas segura. Eu sabia como cada dia começava e terminava. Mas, no fundo, aquela segurança era frágil, principalmente depois do que havia acontecido na noite anterior.

E ao Domingo, optei por aproveitar a praia, me diverti e conheci algumas amigas novas.

...******...

Na manhã seguinte, voltei à minha rotina habitual. Quando o táxi me deixou em frente à mansão Villeneuve, respirei fundo, como se estivesse me preparando para enfrentar algo desconhecido. Caminhei até a porta principal, como fazia todos os dias, mas o destino parecia ter outros planos.

Arthur saiu da mansão exatamente no momento em que eu estava entrando. Ao lado dele, havia uma mulher deslumbrante. Alta, elegante, com cabelos perfeitamente arrumados e um vestido que parecia ter saído de uma vitrine de alta-costura. Ela estava agarrada ao braço dele, como se fosse uma extensão natural do homem que a acompanhava.

Eu parei, hesitante. Arthur não me olhou. Não fez sequer um gesto de reconhecimento. Passou por mim como se eu não estivesse ali. O ombro dele esbarrou no meu, quase me fazendo perder o equilíbrio, mas ele continuou andando, como se eu fosse completamente invisível.

— Porque veio, Leona? Deveria ter me ligado primeiro. — disse ele, puxando ela pela cintura.

Então, a voz dela soou. Clara, alta o suficiente para que eu ouvisse cada palavra.

– Ah amor, não brigue comigo. Eu fiquei tão triste por você ter saído cedo do meu apartamento depois da nossa noite tão quente, que decidi vir até você. Eu fiz mal?

Meu coração pareceu parar por um segundo. As palavras dela foram um golpe certeiro. Ele passou a noite com ela?

– Não fez mal, só deveria ter me avisado que viria. Mas prometo que da próxima vez, ficarei com você meses, até anos, se quiser.

Ele não precisou olhar para trás para perceber o impacto que aquelas palavras tinham em mim.

Uma raiva inexplicável tomou conta do meu peito. Observei discretamente enquanto ele abria a porta do carro para a mulher, esperando pacientemente que ela entrasse. Depois, ele fez o mesmo, fechando a porta atrás de si antes de desaparecer mais uma vez.

Canalha.

Engoli a raiva e entrei na mansão, determinada a não deixar aquilo afetar meu dia. O ambiente estava como sempre: imenso, impecável e cheio de movimentação. Comecei a trabalhar na cozinha com as outras funcionárias, tentando me concentrar na rotina que já conhecia tão bem.

No entanto, algo estava diferente naquele dia. Quando passei pela sala principal, notei as malas ao lado da escada. Sabia exatamente o que aquilo significava. Jean-Pierre e Catherine Villeneuve estavam prestes a viajar.

Os pais de Arthur faziam isso todos os meses. Era um hábito deles passar um período na França, visitando familiares e resolvendo assuntos pessoais. No entanto, esses meses, eles haviam demorado mais do que o habitual para decidir partir.

Eles estavam na sala, despedindo-se da equipe antes de sair. Jean-Pierre, como sempre, era direto e educado, enquanto Catherine esbanjava sua gentileza habitual. Assim que eles saíram, o ambiente na mansão mudou completamente.

Voltei para a cozinha com as outras funcionárias, e começamos a trabalhar como sempre. Mas, por mais que tentasse, o dia não parecia normal para mim. Arthur estava em minha mente, suas palavras, suas ações, o contraste entre a noite passada e aquela manhã.

Eu sabia que deveria esquecê-lo, que nada disso deveria ter importância. Mas, naquele momento, percebi que, por mais que quisesse, não seria tão fácil assim. Para ele tudo isso é fácil.

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Comments

Maria Das Neves

Maria Das Neves

nossa e um idiota fazer isso com ela

2024-12-09

32

Guiomar Maria Bortolin

Guiomar Maria Bortolin

A culpa não é só dele, foi ela que agarrou ele e é lógico, ela vai dizer que estava bêbada. Existem contraceptivos pra que??? Ele também deveria usar camisinha, coisa de novela kkk

2025-02-27

1

Marta Ginane

Marta Ginane

E mais uma vez a história se repete... uma transa casual vira paixão p um coração iludido.

2024-12-17

1

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