Capítulo 08

Arthur

A manhã já estava avançada quando terminei de me vestir. Coloquei a camisa com a calma de quem já tem o dia planejado, fechando os botões lentamente enquanto minha mente revisitava os compromissos importantes que precisavam da minha atenção. O cheiro familiar do perfume de Leona, minha ficante fixa, ainda estava impregnado no quarto, uma lembrança da intensidade dos momento de sexo ardente, que havíamos compartilhado poucas horas.

Leona era... conveniente. Linda, elegante e descomplicada, ela não exigia explicações ou promessas. Nossos “momentos” funcionavam para ambos, mas era exatamente isso: um momento. Não havia profundidade, nem futuro. Assim que ela terminou de se arrumar e me lançou um sorriso antes de sair pela porta, tudo que senti foi alívio. Ela sabia que nosso tempo juntos não se estendia além do necessário. Como deixei claro a ela antes, que não gosto de namoros e muito menos casamento, não nasci para estar preso a uma só mulher.

Depois que ela se foi, decidi tomar um banho. A água quente ajudava a clarear minha mente, me preparando para o dia que tinha pela frente. Mas, ao sair do banheiro com uma toalha na cintura, fui surpreendido por uma visão inesperada: Miriam, uma das funcionárias mais antigas da mansão, estava no quarto, organizando a bagunça que eu sempre fazia quando bebia ou quando decidia trazer mulheres para meu quarto.

Miriam era eficiente e discreta, como sempre. Mas sua presença no quarto me incomodou mais do que deveria naquele momento.

– Miriam – chamei, a voz firme o suficiente para interromper seus movimentos rápidos. Ela se virou para mim, parecendo um pouco confusa por eu estar ali, ainda meio molhado e de toalha.

– Senhor Villeneuve, só estou arrumando o quarto como sempre faço – respondeu, com o tom respeitoso que era característico dela.

Eu me aproximei, passando a mão pelos cabelos para afastar a umidade. Por mais que Miriam fosse confiável, eu tinha outros planos naquele momento. Algo que vinha considerando desde de manhã quando olhei para Helô discretamente, sem que ela percebesse.

– Hoje não – interrompi, cruzando os braços enquanto me posicionava diante dela. – Quero que mande Helô subir para limpar meu quarto.

A surpresa passou rapidamente pelo rosto de Miriam, mas ela assentiu sem questionar. Sabia que era melhor não discutir.

Quando ela saiu, fiquei sozinho no quarto por alguns minutos, pensando no que diria a Helô. Eu não tinha dúvidas de que minha decisão causaria estranheza. Afinal, Helô não costumava cuidar do meu quarto – isso era tarefa de Miriam. Mas eu havia investigado cada detalhe da vida dela, e o que descobri me fez reconsiderar a forma como a tratava.

Depois daquela noite no hotel, eu me peguei pensando mais nela do que deveria. Não era apenas o desejo físico – embora ele estivesse presente, inegavelmente. Era algo mais. Helô tinha uma história que eu não conseguia ignorar, uma resiliência que a tornava diferente de qualquer outra pessoa que conheci. Ela é forte e bem corajosa, não vou mentir.

Bom, apesar do ótimo sexo que tivemos, eu senti pena dela, e não me custa ser um bom samaritano e ajudá-la.

Eu sabia tudo. Sabia que ela havia sido abandonada no altar, que lutava para se sustentar sozinha, que sua independência era um esforço diário. Descobri também que era inteligente, dedicada e, acima de tudo, alguém que precisava de uma oportunidade para mudar de vida.

Quando Helô entrou no quarto, o som de seus passos hesitantes ecoou pelo ambiente silencioso. Ela parecia desconfortável, o olhar cauteloso, como se esperasse algum tipo de confronto.

– Senhor Villeneuve – cumprimentou, sem me encarar diretamente.

Eu a observei por um momento, analisando cada detalhe: os movimentos cuidadosos, a maneira como segurava o material de limpeza, o esforço para parecer indiferente. Mas seus olhos não mentiam. Havia uma mistura de curiosidade e desconfiança que ela não conseguia esconder.

– Helô, pode deixar isso de lado por enquanto – disse, gesticulando para que largasse os produtos de limpeza.

Ela franziu a testa, surpresa com o pedido, mas obedeceu.

– Sente-se – continuei, indicando a cadeira próxima à janela.

Helô hesitou, mas acabou se sentando, mantendo a postura ereta, como se estivesse pronta para se levantar a qualquer momento.

Eu me sentei na poltrona em frente a ela, cruzando as pernas e apoiando as mãos no braço do móvel.

– Preciso conversar com você sobre uma proposta.

A confusão em seu rosto ficou evidente. Ela abriu a boca para dizer algo, mas eu levantei a mão, pedindo que ela esperasse.

– Eu sei que você deve estar se perguntando por que eu a trouxe aqui. E vou ser direto: quero que você trabalhe para mim. Não aqui na mansão, mas na empresa.

Ela piscou, claramente sem entender.

– Trabalho na cozinha, senhor Villeneuve. Não tenho experiência para nada além disso.

– Você tem mais experiência do que imagina – retruquei, inclinando-me para frente. – Fiz algumas pesquisas sobre você. Sei que já lidou com mais dificuldades do que a maioria das pessoas poderia suportar. Sei que tem capacidade de se adaptar, de aprender rápido, de crescer.

O silêncio que seguiu foi pesado. Helô me olhava como se não soubesse se estava sendo elogiada ou manipulada.

– Por que eu? – perguntou finalmente, a voz baixa, quase cautelosa. — É mais um joguinho seu? O que quer agora?

Eu me levantei, caminhando até a janela enquanto pensava na resposta. Não queria que ela achasse que era apenas por pena, era mais que isso. Ela é bem dedicada e esforçada, e de um jeito estranho, amoleceu meu coração.

– Porque você merece algo melhor – respondi, virando-me para encará-la. – E porque acredito que pode fazer muito mais do que está fazendo agora.

Ela balançou a cabeça, como se estivesse tentando processar tudo.

– O que exatamente o senhor está propondo?

– Quero que seja minha secretária pessoal na Villeneuve Investments. Vai ser desafiador, mas também será uma oportunidade de crescimento. Não estou pedindo que decida agora, mas pense a respeito. Afinal, pagarei mais do que você recebe aqui, e a cozinha está completa, não preciso de você lá.

A incredulidade em seu rosto quase me fez sorrir. Helô não era do tipo que se deixava levar por promessas vazias, e isso apenas reforçava minha convicção de que ela era a pessoa certa para o trabalho.

– Por que eu confiaria em você? – perguntou, de repente, os olhos fixos nos meus.

A pergunta era justa, e eu a respeitei por tê-la feito.

– Porque eu sei o que estou oferecendo. E sei que, no fundo, você sabe que precisa disso.

Ela ficou em silêncio por um longo tempo, olhando para as próprias mãos, como se estivesse tentando decidir o que dizer.

– Eu vou pensar – respondeu finalmente, levantando-se da cadeira.

Eu assenti, deixando-a ir. Sabia que ela precisava de tempo, mas também sabia que, no fundo, já tinha a resposta. Helô não era alguém que fugia de desafios – e, de certa forma, eu apostava tudo nisso.

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Comments

Maria Sena

Maria Sena

Mas que canalha, tô achando que isso faz parte do jogo de humilhação que ele tá acostumado a fazer. Ele vai é humilhar ela, tomara que ela não caia nessa. Geralmente essas pessoas que tem muito dinheiro gostam de fazer isso pra se divertir.

2024-12-10

22

claudia gomes

claudia gomes

olha gostei da proposta. nao acredito qe vai ser ruim pra Ela nao. pelo menos vai parar de limpar um chao qe ele Fez questao de pisotear cm a outra, vai poder se arrumar melhor, ganhar mas. isso ja vai aumentar a forca dela de superar todas as humilhacoes qe estao por vir.

2025-03-07

1

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

Arthur, você já foi um tremendo Cafajeste e Canalha com a Helô, agora chega de querer humilhar ela ,Ela não merece passar por isso.Como você sabe o que ela já passou,deixe ela trabalhar em Paz 🙏🕊️ e siga a sua vida 🧬

2024-12-15

2

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