Helô
Minha vida não poderia estar mais complicada. Como se já não bastasse o volume de trabalho que Arthur Villeneuve jogava em cima de mim diariamente, agora eu tinha uma nova tarefa: trazer um capuccino todas as manhãs para aquele cretino.
Tudo começou quando ele reclamou do café da empresa, dizendo que era intragável e que precisava de algo decente para começar o dia. Na mesma frase, ele teve a audácia de mencionar que só abriria a porta que dava acesso direto à minha sala se eu garantisse o capuccino dele toda manhã.
Canalha.
Assim, lá estava eu, parada na fila do café antes de ir para o escritório, segurando meu próprio capuccino em uma mão e o dele na outra. Ele era como uma criança mimada que precisava ser atendida em todos os caprichos. Mas eu cedi, porque, sinceramente, qualquer coisa era melhor do que continuar passando pela sala dele todos os dias.
Quando cheguei ao prédio, segui direto para a sala dele, como de costume. Ao abrir a porta, lá estava Arthur, já com o olhar calculado que ele sempre lançava.
– Seu capuccino. – Coloquei o copo na mesa dele com mais força do que o necessário.
– Bom trabalho, Helô. Você tem futuro aqui – respondeu ele com um sorriso de canto, completamente alheio ao meu mau humor.
Ao sair do escritório para ir pegar alguns arquivos na sala de arquivos, que ficava do outro lado do corredor, a assistente administrativa apareceu na minha frente.
Era Camila, responsável pela logística da empresa, incluindo coisas absurdamente pessoais de Arthur, como cuidar das roupas dele.
– Helô, preciso de um favor. Estou sobrecarregada, e Arthur precisa que as camisas dele sejam levadas ao apartamento. Você pode fazer isso? – pediu ela, apontando para uma sacola com camisas impecavelmente passadas e embaladas.
Eu olhei para Camila, sem acreditar no que ela havia me pedido.
– Não é minha responsabilidade – comecei a dizer, mas o olhar exausto de Camila me fez ceder. – Tudo bem, eu levo.
Camila me entregou um cartão-chave junto com as instruções. O apartamento ficava no andar superior do prédio. Até então, eu nem sabia que Arthur tinha um apartamento ali. Fazia sentido, considerando que ele provavelmente vivia para o trabalho, mas a ideia de entrar no espaço pessoal dele me deixou curiosa.
Peguei o elevador, segurando a sacola de roupas com uma mão e o cartão-chave com a outra. Quando a porta do elevador se abriu, dei de cara com um corredor silencioso e elegante, com carpetes macios e uma decoração minimalista. Caminhei até a porta indicada, passei o cartão e entrei.
O apartamento era... impressionante.
Um espaço amplo e moderno se abriu diante de mim. O piso era de madeira escura, com tapetes elegantes espalhados estrategicamente. A sala de estar tinha um sofá cinza enorme, com almofadas perfeitamente alinhadas, e uma mesa de centro de vidro com alguns livros de arte e economia empilhados. As janelas iam do chão ao teto, oferecendo uma vista deslumbrante da cidade.
No canto, uma cozinha americana brilhava com mármore branco impecável, eletrodomésticos de última geração e uma fruteira cheia de maçãs vermelhas reluzentes que pareciam ter sido colocadas ali para uma propaganda.
Olhei para os lados, certificando-me de que estava sozinha, e levei as roupas até o quarto. O closet era maior do que meu apartamento inteiro, com camisas, ternos e sapatos organizados meticulosamente. Pendurei as camisas no lugar e fiquei admirando por um momento a perfeição daquela organização.
Mas, é claro, minha curiosidade não parava por aí.
Voltei para a sala e comecei a explorar o apartamento. Abri uma gaveta na cozinha e encontrei talheres alinhados como soldados. No banheiro, fiquei surpresa ao encontrar um sistema de paredes que ficava transparente com o toque de um botão no controle remoto. Passei bons minutos brincando com aquilo, rindo sozinha enquanto as paredes se alternavam entre opacas e transparentes.
– Arthur Villeneuve e suas excentricidades – murmurei, ainda segurando o controle. — como seria realizar o sonho de vê-lo banhar, enquanto eu brincava com esse controle remoto. — sussurrei negando com a cabeça, a fim de mandar para longe o que eu pensei.
De volta à cozinha, peguei uma maçã da fruteira. Era tão perfeita que parecia cenográfica, mas, ao dar uma mordida, percebi que era real – e deliciosa. Encostei-me à bancada de mármore enquanto comia, sentindo-me, por um momento, como alguém que realmente pertencia àquele lugar.
Depois, caminhei até a sala de estar e me sentei no sofá. Ele era tão confortável que quase me fez esquecer que estava ali a trabalho. Peguei um dos livros de arte da mesa de centro e comecei a folheá-lo, impressionada com as imagens e as anotações que Arthur tinha deixado em algumas páginas.
Uma parte de mim queria explorar mais, mas sabia que não deveria. Já estava ali há tempo suficiente, e se alguém aparecesse, a última coisa que eu queria era ser pega folheando os livros ou brincando com o controle do banheiro.
Levantei-me, ajeitei o sofá para que parecesse exatamente como estava antes e dei uma última olhada ao redor. O apartamento era o reflexo perfeito de Arthur: impecável, organizado e distante, mas com uma extravagância silenciosa que o tornava intrigante.
Quando saí e fechei a porta atrás de mim, voltei para o trabalho com um sentimento misto. Por mais irritante que Arthur pudesse ser, não conseguia evitar a curiosidade sobre ele. Quem ele realmente era por trás de toda aquela fachada de CEO poderoso?
No corredor, enquanto caminhava em direção ao elevador, meus pensamentos estavam tão distantes que não percebi que Arthur estava vindo na direção oposta. Quando finalmente olhei para frente, era tarde demais.
Tropecei nos próprios pés, e ele me segurou pela cintura no exato momento em que eu estava prestes a cair.
O impacto me deixou sem fôlego por um segundo. Nossos rostos ficaram tão próximos que pude sentir o calor de sua respiração, e nossos olhares se cruzaram de uma forma que me fez esquecer momentaneamente de onde estava.
– Cuidado – ele disse, a voz baixa, mas firme, olhando para meus lábios. Percebi o momento em que ele engoliu em seco. — O que faz aqui?
Eu me afastei rapidamente, tentando recuperar a compostura enquanto sentia o coração disparar.
– Obrigada – murmurei, desviando o olhar e ajeitando minha roupa. — Vim trazer suas roupas, a mandado de Camila que estava muito ocupada.
— E você está desocupada? — ele enfiou as mãos no bolso da calça.
— No momento em que ela me pediu, estava sim.
— Ok!
Arthur sorriu de canto, o suficiente para me deixar ainda mais desconfortável, e continuou andando, como se nada tivesse acontecido.
Mas, para mim, aquela sensação de proximidade – e a maneira como ele me segurou – era algo que eu sabia que não conseguiria esquecer tão cedo.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Imaculada Nova Messias
helo deixa de ser entrometida já fez seu serviço agora vaza dai o arthur pode chegar aí com a ficante pendurada nele sabia é você ainda vai achar ruim 😡😒 sua curiosa
2025-02-14
2
Vanderlucia Nascimento
mulher fica na tua, não mexa no que não é da sua conta. ta resmungando demais, o cara te deu uma oportunidade de crescer. então criatura para de reclamar, e deixa de se importar com a vida pessoal dele. ainda fica chamando o cara de canalha.
2025-03-03
3
IJBitt🧚
Protagonista muito fútil e sem qualquer senso de respeito pelo outro.Vasculhar a casa de alguem é no mínimo invadir sua privacidade, e isso é grave,principalmente na sua ausência .
Atitudes totalmente inaceitáveis!
2025-02-01
7