Helô
A manhã havia começado como qualquer outra. O chão de mármore da mansão Villeneuve estava brilhando como sempre, mas ainda precisava de um toque final para parecer impecável. Essa era uma das tarefas mais comuns no meu trabalho: manter a casa intocada, quase como se ninguém morasse ali.
A limpeza era uma distração. Enquanto passava o pano pelo chão, concentrava-me no movimento, no som do tecido úmido contra a superfície lisa, no reflexo que começava a aparecer. Meu corpo trabalhava automaticamente, mas minha mente estava presa nos eventos dos últimos dias.
Era impossível não pensar nele. Arthur Villeneuve. A maneira como ele me segurou no hotel, as palavras que disse, o tom despreocupado com que me tratou no dia seguinte. E, claro, a cena daquela manhã, quando ele passou por mim com aquela mulher. Eu odiava o quanto ele conseguia ocupar minha cabeça.
Tentei afastar os pensamentos e me concentrar no trabalho. Pelo menos até ouvir o som de passos vindo da entrada principal. Olhei para cima e lá estava ele, entrando na mansão com a mesma mulher de hoje de manhã.
Ela estava agarrada ao braço dele novamente, rindo de algo que ele havia dito, enquanto caminhavam como se o mundo inteiro fosse deles. Ele nem sequer olhou para mim enquanto passava, como sempre faz. Seus sapatos impecáveis deixaram marcas no chão recém-limpo, e os saltos finos dela fizeram o mesmo.
Respirei fundo, tentando manter a calma, mas era inútil. O que eu queria, era meter aquele cabo do rodo na cara dos dois.
– Idiota – murmurei baixinho, soltando o ar em um resmungo que só eu podia ouvir.
Eles continuaram andando, sem notar minha existência, como se eu fosse apenas parte do mobiliário da casa. Arthur estava com aquele mesmo ar de superioridade, e a mulher, com sua elegância exagerada, parecia sentir-se a última bolacha do pacote, a única do mundo.
Terminei de limpar o andar de baixo o mais rápido que pude e decidi subir para continuar meu trabalho nas áreas superiores. Era melhor me manter longe deles. Subi as escadas carregando meu material de limpeza, sentindo uma mistura de raiva e humilhação.
No andar de cima, comecei a organizar um dos quartos de hóspedes, trocando os lençóis e passando um pano pelos móveis. Era um espaço bonito e bem decorado, mas raramente usado. Trabalhar na mansão era assim: limpar cômodos que pareciam eternamente vazios, como se os Villeneuve vivessem cercados por uma bolha de riqueza intocável.
Enquanto organizava as almofadas sobre a cama, um som inesperado chegou aos meus ouvidos. No começo, pensei que estivesse imaginando coisas, mas os ruídos ficaram mais altos.
Gemidos.
O som vinha de um dos quartos próximos, e não foi difícil deduzir de quem eram. Meu coração parou por um instante, e depois disparou, batendo tão forte que parecia ecoar por todo o corredor.
Tentei ignorar. Foquei-me na limpeza, nos movimentos que eu fazia, mas era impossível bloquear aqueles sons. Eles eram claros, rítmicos, e não deixavam dúvidas sobre o que estava acontecendo.
O desconforto tomou conta de mim. Uma mistura de vergonha, raiva e uma pontada de algo que eu não queria nomear. O som dela, seguido por algo mais grave, a voz de Arthur, fez meu estômago revirar.
— Foi só os patrões saírem, que ele já está soltando as frangas. — resmunguei, ajeitando a colcha de cama na força do ódio.
Por que isso me afetava tanto? Eu não deveria me importar. Ele era meu chefe, alguém completamente fora do meu alcance. Mas, por mais que tentasse me convencer disso, meu corpo reagia de outra forma.
Continuei limpando, com as mãos tremendo levemente enquanto segurava o pano e o balde. Eu queria ir embora, me trancar em outro cômodo, mas também sabia que não podia deixar o trabalho pela metade.
Cada novo gemido parecia me lembrar de quem ele era e de como eu não deveria tê-lo deixado entrar na minha vida. A mulher parecia ter total controle da situação, como se estivesse em um palco, e Arthur... Ele fazia parte do espetáculo.
Finalmente, o som cessou, mas o silêncio que veio depois foi quase pior. Terminei de limpar o quarto com movimentos apressados, desejando apenas terminar o trabalho e ir embora.
Enquanto descia novamente para o térreo, minha mente ainda estava tumultuada. Era impossível ignorar o que havia ouvido. Eu sabia que Arthur não era um homem de se apegar, que ele provavelmente tinha mulheres aos montes, mas ouvir aquilo – e tão perto – me atingiu de uma forma que eu não esperava.
Na cozinha, tentei disfarçar meu humor enquanto me juntava às outras funcionárias. Fingi que tudo estava normal, que minha cabeça não estava cheia de pensamentos que eu não deveria ter. Mas, por dentro, eu sabia que aquele dia havia mudado algo.
Arthur Villeneuve não era apenas meu chefe. Ele era um homem que mexia comigo de formas que eu ainda não sabia como lidar. Eu sei, não deveria me meter com ele, ainda mais quando ele deixou claro que só me fez um favor. Mas o que comecei a sentir por ele, é mais forte que eu.
Eu amava meu trabalho. Era simples, mas satisfatório. Todos os dias, eu acordava cedo, com disposição para organizar cada canto da mansão Villeneuve. Não importava o quão luxuoso o lugar fosse, para mim, era apenas uma casa que eu tinha o prazer de manter em ordem, mesmo não tendo muita coisa para organizar.
Eu era boa no que fazia e, de certa forma, me orgulhava disso. Mesmo que fosse um trabalho discreto, invisível para os donos da mansão e seus convidados, eu sabia que meu esforço contribuía para a perfeição daquele lugar. Era o suficiente para me sentir realizada.
Mas agora, tudo parecia diferente.
Agora, eu odiava cada segundo.
Nos últimos dias, meu trabalho, que antes me dava propósito, parecia uma prisão. Eu me levantava todas as manhãs com vontade de esganar meu chefe, Arthur, e fugir para bem longe daquele lugar. Viver minha vida, encontrar felicidade e, talvez, uma liberdade que eu ainda não sabia que precisava.
Mas havia algo mais que me corroía por dentro. Talvez fosse a vergonha de ter me permitido sentir algo por ele. Ou talvez fosse o fato de que, mesmo agora, com toda a raiva e mágoa, ele ainda conseguia invadir minha mente.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Sheyla Cristina
Q história ruim meu povo. tô fora até pensei em dá uma chance. ms ñ dá ñ kkkkk já pulei cp já tentei ms ñ dá kkkk fii
2025-02-12
1
Sheyla Cristina
Meu Deus q história ms sem noção
2025-02-12
2
Regina Celia
Mas ela não era auxiliar da cozinha? Por que estava limpando a casa,não entendi pu li errado.
2025-01-06
41