Helô
Quando saí do quarto de Arthur, minhas pernas estavam pesadas, como se cada passo exigisse um esforço extra. O peso da conversa que tivemos não era algo fácil de digerir. Desci as escadas em direção à cozinha, ainda segurando os produtos de limpeza.
O ambiente, normalmente cheio de risadas e conversas entre as meninas, estava diferente. Assim que entrei, percebi que todos os olhares estavam voltados para mim. Miriam, que tinha enviado o recado de Arthur, foi a primeira a erguer uma sobrancelha, mas não disse nada. Outras duas meninas, Ana e Sofia, trocaram olhares rápidos entre si, quase como se estivessem comentando algo em silêncio.
Não dei importância. Estava acostumada com os olhares curiosos – eles sempre vinham quando alguém era chamado para tarefas fora da rotina. Arthur Villeneuve era um enigma até para quem trabalhava para ele há anos.
Guardei os produtos no armário, ignorando as perguntas não ditas. Não tinha energia para dar explicações, e, francamente, nem sabia o que diria. Voltei para as tarefas que havia deixado pela metade antes de ser chamada, tentando me concentrar.
No entanto, minha mente estava longe.
Arthur havia me oferecido um trabalho em sua empresa. Um emprego que eu nunca teria imaginado em um milhão de anos. Uma oportunidade que parecia tão fora da minha realidade quanto um conto de fadas.
Ele havia sido direto, como sempre. Não deixou espaço para dúvida sobre a seriedade de sua proposta. Mas isso não tornava a decisão mais fácil. Por que ele estava fazendo isso? E por que eu me sentia tão dividida entre aceitar e recusar? Porque ele andou pesquisando sobre mim? Até que ponto, ele descobriu?
Por um lado, era uma chance de mudar minha vida completamente. Trabalhar na Villeneuve Investments significaria um salário muito maior, um ambiente novo e, talvez, uma chance de deixar para trás o peso de tudo o que eu já tinha enfrentado. Por outro lado, havia algo desconfortável em aceitar algo diretamente de Arthur, um homem que já havia mexido tanto comigo de maneiras que eu não sabia lidar.
O dia passou devagar, cada segundo arrastado pelo turbilhão de pensamentos que me invadia. As horas se misturaram, até que finalmente chegou o momento de ir embora.
Troquei de roupa no vestiário como fazia todos os dias. Coloquei a mesma calça jeans confortável e a camiseta simples que sempre usava para voltar para casa. Peguei minha bolsa, despedi-me das meninas com um aceno rápido e segui para a saída.
O ar do lado de fora estava fresco, carregando um leve cheiro de grama recém-cortada. Passei pelo jardim, apreciando o silêncio da noite. Foi então que o vi.
Arthur estava ali, em pé, sob a luz suave das luminárias externas. Ele segurava um copo de uísque, os olhos perdidos em algum ponto distante. Parecia absorvido em pensamentos, mas sua presença ainda era tão imponente quanto sempre.
Parei, hesitei por um momento, mas algo dentro de mim me empurrou para frente. Meus passos me levaram até ele, e, antes que pudesse me convencer do contrário, as palavras saíram.
– Eu vou trabalhar para você e sua empresa.
Arthur se virou lentamente, como se estivesse esperando que eu dissesse isso o tempo todo. O copo de uísque ainda estava firme em sua mão, mas havia algo em seu rosto – um leve sorriso, talvez? – que sugeria satisfação.
– Bom – ele disse simplesmente, a voz grave cortando o silêncio da noite.
Eu cruzei os braços, tentando parecer firme, mesmo que por dentro meu coração estivesse acelerado.
– Mas isso não significa que eu confio em você.
Arthur inclinou a cabeça levemente, o sorriso em seus lábios ficando um pouco mais evidente. Ele parecia achar graça na minha declaração, mas não me desrespeitou com um comentário debochado.
– Não espero que confie. Espero que trabalhe duro. Só isso!
Aquilo me desarmou um pouco. Ele não parecia interessado em jogos ou manipulações naquele momento. Era apenas direto, como sempre.
O silêncio entre nós se estendeu por alguns segundos, mas não foi desconfortável. Eu me virei para ir embora, mas antes que pudesse dar mais de dois passos, ele falou novamente.
– Helô.
Parei e olhei por cima do ombro.
– Você fez a escolha certa.
Balancei a cabeça, sem responder, e continuei andando.
Assim que cheguei ao portão e chamei o Uber, a ansiedade começou a me invadir novamente. O que eu tinha acabado de fazer? Aceitar aquele emprego poderia mudar minha vida de forma drástica, mas também significava mergulhar em um mundo que eu mal conhecia – e que Arthur controlava completamente.
********
Na manhã seguinte, a realidade do que eu havia feito finalmente me atingiu. Era meu primeiro dia na Villeneuve Investments, e a insegurança parecia maior do que nunca.
Fiquei olhando para o guarda-roupa por longos minutos, tentando decidir o que vestir. A maioria das minhas roupas eram simples, adequadas para o trabalho na mansão ou para sair de forma casual. Nada que parecesse profissional ou sofisticado o suficiente para um ambiente corporativo.
Por fim, optei por uma calça social preta que tinha guardada, uma blusa branca básica, mas elegante, e um blazer cinza claro que comprei anos atrás e raramente usava. Nos pés, coloquei um par de sapatos pretos com um pequeno salto, esperando que o visual parecesse adequado.
Enquanto me olhava no espelho, respirei fundo. Talvez não fosse a roupa perfeita, mas era o melhor que eu podia fazer naquele momento. Peguei minha bolsa, travei a porta do apartamento e chamei um táxi.
Quando cheguei ao prédio da Villeneuve Investments, fiquei impressionada com sua grandiosidade. A fachada de vidro brilhava ao sol, refletindo o céu, e as pessoas que entravam e saíam pareciam tão elegantes e apressadas quanto eu imaginava. As roupas eram tão …. Caras! Eu me sentia deslocada no meio de tanto luxo.
Fui até a recepção, onde uma funcionária me pediu para aguardar enquanto ela ligava para alguém. Em poucos minutos, um homem que parecia ser um assistente me acompanhou até o andar onde ficava a sala de Arthur.
Eu estava nervosa, mas tentei não demonstrar. Quando entrei na sala dele, Arthur estava em pé, perto da janela, com aquele mesmo ar de confiança que sempre carregava. Ele se virou quando me viu, avaliando meu visual rapidamente antes de assentir com aprovação.
– Bem-vinda à Villeneuve Investments – disse, com a voz firme.
— Obrigada!
Ele me entregou uma pasta com papéis e começou a explicar algumas das tarefas que eu teria. Fiquei surpresa com a quantidade de responsabilidade que ele estava disposto a me dar desde o primeiro dia. Era claro que ele esperava muito de mim, e eu sabia que não poderia decepcioná-lo.
Enquanto ele falava, percebi algo em seu tom – não era apenas autoridade, mas também uma espécie de expectativa silenciosa. Como se ele estivesse me observando, esperando para ver se eu realmente conseguiria lidar com o que ele estava oferecendo.
E eu estava determinada a mostrar que podia, ou não me chamo Helô Cavallieri.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Naiara Neta
eu sairia até da casa dele sem olhar para trás. mas já que aceitou vai lá e arrasa mostra para este cretino que vc é muito mais do que apenas uma foda .... e vê sr não caia no papo dele
2025-03-10
2
tuca
ele levou ela la pra humilhae ele vai trepar com outras la e.ela ai pegar
2024-12-29
0
Amélia Rabelo
bora Helô mostra pra esse escroto que você é capaz
2024-12-14
1