Capítulo 05

Helô

O desconforto foi o primeiro a me acordar. Minha cabeça latejava de maneira quase insuportável, e meu corpo inteiro parecia pesado, como se estivesse preso em um nevoeiro. Quando tentei me mexer, uma dor aguda irradiou do meu ventre, e um desconforto persistente na intimidade fez minha mente se agitar. Não sabia onde estava nem o que tinha acontecido.

Os lençóis ao meu redor eram macios, confortáveis e cheiravam a algo caro, uma mistura de lavanda e almíscar. Certamente, não era a minha cama – o colchão duro do meu apartamento não tinha nada a ver com aquele luxo. Meus olhos ainda estavam fechados, mas a sensação do ambiente ao meu redor era clara: eu não estava em casa.

Respirei fundo e abri os olhos lentamente. O quarto estava bem iluminado pela luz que entrava pelas cortinas finas. O mobiliário elegante e os detalhes sofisticados me fizeram sentir ainda mais deslocada. E foi então que o vi.

Arthur Villeneuve estava deitado ao meu lado, os olhos fechados e o rosto tranquilo. Seu braço estava atrás da cabeça, e a outra mão descansava casualmente sobre o abdômen. Ele parecia completamente confortável, como se aquela situação fosse a mais natural do mundo.

O choque percorreu meu corpo como um relâmpago.

A memória da noite anterior voltou de forma fragmentada e caótica. Eu me lembrei do bar, das bebidas, das mensagens do Renato. Lembrei-me de sair cambaleando para fora e tropeçar em Arthur, que estava lá por acaso. Depois... Ele me ajudando, me carregando no carro, me levando para o hotel. E então veio o momento mais claro de todos: eu me entregando a ele, beijando-o, tocando-o, pedindo...

Meu rosto esquentou instantaneamente, e a vergonha me consumiu.

Eu precisava sair dali antes que ele acordasse. Levantei-me devagar, tentando não fazer barulho. Meus olhos percorreram o quarto em busca das minhas roupas, que estavam espalhadas pelo chão. Peguei a calcinha jogada perto da cama, depois o vestido amassado e os sapatos. Eu só queria desaparecer antes de precisar encarar aquele homem novamente.

Quando estava prestes a me afastar, a voz rouca dele quebrou o silêncio, fazendo meu coração disparar.

– Já vai? Vai sair assim mesmo? Sem se despedir? – ele provocou, a voz carregada de um tom despretensioso que só piorava minha vergonha.

Eu me virei lentamente, as roupas cobrindo meu corpo da melhor forma possível. Ele agora estava sentado, os olhos fixos em mim, avaliando cada movimento. Era quase impossível sustentar aquele olhar.

– Não, eu... Bom, eu... – comecei, mas as palavras sumiram da minha boca. Não sabia o que dizer. A vergonha era maior do que qualquer explicação que eu pudesse inventar.

Arthur levantou-se da cama com a mesma confiança que parecia carregar em tudo que fazia. E, para meu total desespero, ele estava completamente nu. Meu rosto ficou em chamas, e imediatamente virei de costas, tapando os olhos com uma das mãos.

– Se veste – consegui dizer, tentando soar firme, mas minha voz tremeu levemente.

Eu o ouvi caminhar em minha direção, os passos suaves no chão de madeira. O calor do corpo dele foi a primeira coisa que senti antes mesmo de perceber que estava parado atrás de mim.

Arthur colocou as mãos na minha cintura e me puxou delicadamente para perto. O toque dele era firme, mas não agressivo, e quando meu corpo encostou no dele, um arrepio percorreu minha espinha. Ele era muito mais alto do que eu, e seu queixo descansou contra minha cabeça enquanto ele inclinava levemente o rosto. E para piorar, senti seu majestoso membro contra minhas costas.

Eu estava imóvel, completamente incapaz de reagir.

– Por que essa timidez agora? – ele murmurou perto do meu ouvido, a voz baixa e carregada de ironia. – Ontem você estava tão... soltinha.

Eu senti o tom provocador em suas palavras, mas não tive coragem de me virar e encará-lo.

– Soltinha feito um arroz – ele continuou, rindo baixo. – Me implorando para ser comida.

As palavras dele foram como um golpe, mas, mais do que a vergonha, o que me atingiu foi o tom casual e controlado. Ele estava no comando, como sempre, e eu me sentia completamente exposta.

Com um movimento rápido, me afastei de seu toque e me virei de frente, segurando as roupas contra o corpo como um escudo.

– Isso foi um erro – soltei, as palavras saindo mais firmes do que eu esperava.

Arthur inclinou a cabeça levemente, os olhos avaliando minha expressão com um misto de curiosidade e divertimento. Ele não parecia nem um pouco abalado pelas minhas palavras.

– Um erro? – ele repetiu, o canto da boca curvando-se em um sorriso. – Não foi o que pareceu ontem à noite. Bem que você gostou desse erro. A maioria das pessoas cometem os mesmos erros sempre, sabia? — ele riu.

O sangue subiu para o meu rosto novamente, mas dessa vez não foi apenas vergonha. A calma dele, a forma como parecia tão confortável com tudo aquilo, enquanto eu mal conseguia me organizar, me deixou irritada.

– Eu estava bêbada – retruquei, desviando o olhar.

Arthur deu de ombros, como se minha explicação fosse irrelevante. Ele caminhou até a cadeira onde sua camisa estava jogada, colocando-a com movimentos calmos, como se tivéssemos todo o tempo do mundo.

– Talvez estivesse – ele disse, finalmente olhando para mim novamente. – Mas você sabia o que estava fazendo, tanto que minha camisa ficou sem botões. E vou admitir, você parecia uma jaguatirica, adorei.

As palavras dele me atingiram como uma verdade que eu não queria admitir. Por mais que eu quisesse colocar a culpa no álcool ou na impulsividade do momento, sabia que ele tinha razão. Eu sabia o que estava fazendo.

Peguei minha bolsa no chão e me apressei em vestir o vestido amarrotado. Precisava sair dali antes que ele dissesse mais alguma coisa.

Arthur não tentou me impedir. Ele ficou parado, observando enquanto eu lutava para manter minha dignidade intacta. Quando terminei de me vestir, virei-me para ele uma última vez, esperando... Eu nem sabia o quê. Um comentário? Uma despedida? Talvez até um agradecimento?

Então Arthur sorriu. Não um sorriso de deboche, mas algo mais sutil.

— Espere lá embaixo, vou pedir um Uber para você. — disse ainda se ajeitando. — E mais uma coisa. Foi uma ótima noite, Helô. Mas quero avisá-la; Não se apaixone por mim. Porque comigo sempre é assim, passou pela minha cama, é apenas um favor que faço a mulher. Apenas uma noite e nada mais que isso.

Ele só poderia estar de brincadeira com a minha cara!

Revirei os olhos e sem dizer mais nada, saí do quarto, o som dos meus saltos ecoando pelo corredor enquanto tentava afastar o turbilhão de pensamentos que me invadia.

A única certeza que eu tinha era que aquela noite mudaria tudo – e que lidar com Arthur Villeneuve seria muito mais difícil do que eu imaginava. Afinal, eu trabalho na mansão dele, continuarei a trabalhar lá, e eu só espero não ver ele com frequência ou me arrependeria mais ainda do que fiz.

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Comments

Lulu 🌹

Lulu 🌹

Ah seu arrogante idiota! 😡

2024-12-09

50

Deisy Ribas

Deisy Ribas

não gostei das palavras dele, não precisava humilhar ela desse jeito

2025-04-01

0

João Wellington campos

João Wellington campos

kkkkkk os comentários de vcs são os melhores rachei

2025-03-27

0

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