Capítulo 10

Helô

Saí da sala de Arthur sentindo o peso do que parecia ser uma nova vida. Ele havia me dado instruções claras: minha mesa ficava em uma sala logo ao lado da dele. Apesar da proximidade, eu sabia que o que ele esperava de mim era nada menos que perfeição.

Quando cheguei à sala, parei na porta, olhando para dentro com uma mistura de surpresa e desespero. O espaço era pequeno, mas funcional, com uma mesa de madeira grande no centro, algumas prateleiras ao longo das paredes e uma janela estreita que deixava entrar a luz do dia. No entanto, tudo estava completamente desorganizado.

Papéis amontoados cobriam a mesa, como se uma avalanche de contratos e relatórios tivesse sido despejada ali. Pastas abertas com documentos espalhados misturavam-se a xícaras de café vazias que pareciam ter sido esquecidas há dias. O lixo estava lotado, e algumas folhas amassadas caíam ao redor da lixeira, como se tivessem sido atiradas de longe, mas nunca acertassem o alvo.

As prateleiras não estavam muito melhores. Livros e arquivos estavam empilhados de qualquer maneira, com capas tortas e documentos escorregando pelos cantos. No canto da sala, havia uma cadeira extra, mas até ela estava ocupada por uma pilha de pastas antigas.

Suspirei profundamente. Era evidente que quem trabalhava ali antes tinha uma relação complicada com a organização – ou simplesmente nenhuma.

Sem perder mais tempo, deixei minha bolsa sobre a cadeira e comecei a trabalhar. Sabia que o caos à minha frente era imenso, mas também sabia que havia prazos a cumprir. A primeira prioridade era lidar com os documentos que Arthur havia me entregado. Ele precisava deles em ordem até o meio-dia, e isso me dava pouco mais de duas horas.

Comecei separando os documentos em pequenas pilhas: contratos, relatórios financeiros, memorandos internos. Alguns estavam rabiscados, outros faltavam páginas, e alguns nem faziam sentido estar ali. Trabalhei rápido, lendo o necessário para identificar o que cada documento era e onde deveria estar. Algumas coisas que ele explicou, eu memorizei, outras eu pesquisei no Google do celular, uma ajudinha básica.

A pilha de "urgente" crescia rapidamente, e percebi que, mesmo no caos, havia um padrão: prazos perdidos, anotações desconexas, e papéis que claramente foram ignorados por semanas. Por um momento, me perguntei se Arthur sabia o estado em que essa sala estava antes de me colocar aqui.

Quando o relógio marcou 11h50, consegui finalizar a organização básica dos documentos prioritários. Coloquei-os em uma pasta limpa e saí apressada em direção à sala de Arthur.

Assim que cheguei lá, percebi que ele não estava. A assistente da recepção me informou que ele havia saído para o almoço e que provavelmente só voltaria depois das 13h. Olhei para o relógio, frustrada.

Eu mesma não tinha tido tempo de comer nada. Ainda assim, sabia que não poderia perder tempo. Voltei para a minha sala com a pasta em mãos e deixei-a na mesa, decidida a continuar organizando o restante da bagunça.

Primeiro, fui até as prateleiras. Os livros estavam empilhados de forma aleatória, com alguns deles praticamente pendendo para fora. Títulos de economia, gestão empresarial e até livros de ficção dividiam espaço de forma desordenada. Retirei tudo das prateleiras, limpei as superfícies e comecei a organizar por temas e tamanhos. Era quase terapêutico ver as prateleiras ganhando forma novamente, mas também consumia tempo.

Depois, passei para a cadeira no canto, onde pastas antigas estavam acumuladas. Algumas delas tinham marcas de poeira, indicando que ninguém as tocava há meses. Revisei rapidamente o conteúdo de cada uma, jogando fora o que era inútil e arquivando o que ainda parecia relevante.

No chão, papéis amassados e grampos de papel soltos formavam uma bagunça que exigiu mais esforço do que eu esperava. Peguei um saco de lixo grande e comecei a recolher tudo. A lixeira lotada foi esvaziada, e as folhas espalhadas foram finalmente descartadas.

Na mesa, além dos papéis, encontrei mais duas xícaras de café que, honestamente, estavam nojentas. Levei-as até a copa, lavei-as rapidamente e trouxe de volta, colocando-as em um canto específico da mesa para uso futuro.

A mesa que eu vou trabalhar, era a peça central da sala, mas também a maior fonte de desorganização. Após lidar com os papéis urgentes, voltei minha atenção para o restante. Havia post-its colados nas bordas, com rabiscos que eram praticamente ilegíveis. Retirei todos e joguei-os fora, decidindo que usaria um bloco de notas para organizar qualquer lembrete.

As gavetas estavam cheias de itens misturados: canetas sem tampa, grampeadores quebrados e até mesmo um punhado de moedas soltas. Esvaziei cada gaveta, limpei-as e reorganizei os itens essenciais. Separei um espaço para materiais de escritório, outro para papéis importantes e um terceiro para itens pessoais.

Por fim, limpei a superfície da mesa com cuidado, retirando as manchas de café e arrumando tudo de forma funcional.

Quando terminei, o relógio marcava quase 15h. Não tinha tido tempo para almoçar, e meu estômago roncava em protesto, mas não havia como parar. Assim que me sentei para respirar, Arthur apareceu na porta, com uma pasta nas mãos e uma expressão neutra no rosto.

– Helô, preciso que você revise esses documentos até o fim do dia – disse ele, colocando a pasta na minha mesa.

— Arthur eu… — Ele me encarou, claramente não gostou que eu chamasse pelo nome. — Perdão senhor Villeneuve.

— Prepare tudo, e deixe na minha mesa.

Eu assenti, sem questionar. Sabia que aquele era apenas o começo, e que Arthur não tinha intenção de facilitar as coisas para mim, e naquele horário certamente não deixaria eu sair para comer alguma coisa.

Peguei a pasta e comecei a trabalhar imediatamente. Dentro havia contratos complexos, com dezenas de páginas que precisavam ser revisadas em detalhes. Enquanto lia, fazia anotações rápidas, marcando pontos que precisavam de correção ou que pareciam confusos.

O tempo parecia voar enquanto eu trabalhava. Quando olhei para o relógio novamente, já passava das 18h. Meu corpo estava cansado, e minha mente parecia uma bagunça de números e cláusulas contratuais.

Arthur voltou à minha sala pouco depois, pegando os documentos que revisei sem fazer muitos comentários. Ele apenas deu um aceno de cabeça antes de sair novamente, como se isso fosse suficiente para reconhecer meu esforço.

Suspirei, sabendo que aquele era apenas o primeiro dia. Organizar a sala havia sido apenas o começo, e agora eu estava mergulhada em um trabalho que parecia não ter fim.

— Talvez o trabalho na mansão, não fosse tão ruim assim. — murmurei, soltando a respiração cansada.

Peguei minhas coisas, coloquei dentro da bolsa, e sai da empresa. Assim que parei diante do elevador, aquela mal amada que estava gemendo igual louca desvairada no quarto de Arthur, saiu do elevador e passou esbarrando em mim, fazendo minha bolsa cair no chão.

— Tá cega? — Rosnei observando ela caminhar, enquanto balançava aquela bunda mole para um lado e outro, se achando o máximo.

Peguei minhas coisas no chão, entrei no elevador e fui para casa.

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Comments

IJBitt🧚

IJBitt🧚

A faxina da sala deve ter sido fácil pra ela.Mas revisar documentos e fazer correções em textos específicos é bem difícil.
Será que ela é formada em algum curso que pode auxiliar no seu desempenho profissional?
Gostaria de saber. (?) 🤔🤔🤔🤔

2025-02-01

2

Rose Gandarillas

Rose Gandarillas

Estranho ele ser preparado repetidamente para ser o astro dos investimentos, metódico em suas reuniões e negócios e ter ao seu lado uma sala tão desorganizada... ou ele é doido e faz tipo ou ele escolheu Helôpra Cristo por algum motivo.🤔🤔🤔🤔

2024-12-13

3

Rosana Silva Mariano

Rosana Silva Mariano

com certeza ele pois ela na salinha também de propósito né que não é possível que não tivesse um lugar mais organizado para ela ficar. tô achando esse Arthur meio cruel

2024-12-09

43

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