Helô
Agradeci mentalmente por Arthur não ter me acompanhado até o elevador. Se ele tivesse vindo comigo, teria percebido que algo estava errado. Assim que as portas do elevador se fecharam, o desconforto no meu estômago aumentou. Minhas mãos estavam geladas, e meu rosto parecia em chamas. Cada segundo parecia durar uma eternidade enquanto o elevador subia até o andar do meu quarto.
Quando finalmente cheguei ao corredor, caminhei o mais rápido que pude. Passei o cartão-chave na porta com pressa, empurrei-a com força e corri direto para o banheiro. Mal tive tempo de fechar a porta antes de me ajoelhar diante do vaso sanitário.
Tudo que não estava no meu estômago parecia querer sair. O esforço me deixou tonta, e as lágrimas começaram a escorrer involuntariamente enquanto eu tentava me recompor. Meu corpo parecia revoltado contra mim, como se estivesse me lembrando da nova realidade que eu insistia em ignorar: eu estava grávida, e tudo minha culpa, por ser tão irresponsável e não ter usado nada como proteção.
Depois do que pareceram horas, finalmente consegui me levantar. Segurei na pia, ainda trêmula, e olhei para o espelho. Meu reflexo era desanimador. Minha pele estava pálida, os olhos estavam vermelhos e inchados, e eu parecia uma versão desbotada de mim mesma. Respirei fundo, lavei o rosto com água fria e me enxuguei com a toalha mais próxima.
"Você consegue, Helô", pensei. Mas a verdade era que não tinha certeza se conseguia.
Depois de me recompor, caminhei até o frigobar e o abri com a esperança de encontrar algo que me reconfortasse. Vasculhei cada prateleira, mas nada ali parecia satisfatório. Eu precisava de chocolate. Algo doce e reconfortante que me ajudasse a esquecer, nem que fosse por um momento, o caos em que minha vida estava.
Suspirei ao perceber que não havia chocolate no frigobar. Sem perder tempo, decidi que sairia do quarto e perguntaria na recepção se havia uma loja no hotel onde pudesse comprar. Se não houvesse, encontraria algum lugar lá fora.
Com isso em mente, peguei minha bolsa e fui até o elevador novamente. Desci para o térreo, e, assim que as portas se abriram, o som do saguão movimentado me envolveu.
Enquanto caminhava em direção à recepção, algo chamou minha atenção. O bar do hotel ficava próximo ao saguão, e, de relance, vi Arthur sentado em uma das poltronas altas do balcão. Ele ainda estava ali, não havia subido ainda.
Ele estava relaxado, com um copo de uísque na mão. Ao lado dele, uma mulher deslumbrante ria de algo que ele havia dito. Ela tinha cabelos longos e castanhos que caíam em ondas suaves, e seu vestido vermelho parecia ter sido feito sob medida. Ela era a imagem da perfeição, e Arthur parecia estar completamente à vontade ao seu lado.
Parei por um momento, incapaz de desviar o olhar. Meu primeiro pensamento foi: típico dele. Arthur Villeneuve, o eterno galinha. Era claro que ele tinha um talento especial para atrair mulheres como aquela.
Por um instante, senti uma pontada de algo que não conseguia identificar. Raiva? Ressentimento? Não fazia sentido. Ele era apenas meu chefe, um caso de uma noite, e pai desconhecido do meu filho. Será que tinha como piorar?
Balancei a cabeça, como se pudesse afastar os pensamentos, e me virei para voltar ao elevador. Não queria que ele me visse ali, parada como uma idiota, enquanto ele provavelmente desfrutava de sua noite sem a menor preocupação. Com toda certeza subirá logo logo com a donzela da noite para o quarto dele.
De volta ao meu quarto, percebi que não teria meu chocolate naquela noite. Caminhei até a bandeja de frutas que estava sobre a mesa de centro e peguei uma maçã. Em seguida, escolhi algumas uvas e um pedaço de melão.
Sentei-me no sofá com as frutas, mordendo a maçã lentamente enquanto deixava minha mente vagar. A doçura natural da fruta ajudava a aliviar um pouco o desconforto físico, mas não fazia nada para acalmar meus pensamentos.
Olhei para o teto, deixando minha mente mergulhar nas lembranças dos últimos meses. Como eu havia chegado a esse ponto? Onde estava com a cabeça quando decidi me envolver com Arthur Villeneuve?
Ele era tudo que eu não precisava: controlador, arrogante e insuportavelmente charmoso. Talvez o pior fosse o charme.
Lembrei-me daquela noite no hotel, das palavras sussurradas e da intensidade que parecia tão real na hora, mas agora me parecia um erro. Um erro que havia mudado tudo.
– Idiota – murmurei para mim mesma, balançando a cabeça. — burra, isso que sou.
Por mais que quisesse me culpar, sabia que não adiantava. O que estava feito, estava feito. Agora havia um bebê a caminho, e eu precisava ser forte. Não para mim, mas para ele – ou ela.
Arthur não precisava saber. Ele não fazia parte da minha vida fora do trabalho, e eu não precisava incluir ele nessa bagunça. Havia tantas mulheres no mundo criando filhos sozinhas. Eu não seria a primeira, e, com certeza, não seria a última. Sempre tentava me convencer com essas palavras.
Mas, por mais que tentasse convencer a mim mesma disso, havia algo que continuava me incomodando. Não era apenas o fato de ele ser o pai do bebê – era a forma como ele parecia invadir minha mente, mesmo quando eu estava determinada a esquecê-lo.
Depois de terminar as frutas, coloquei a bandeja de lado e me deitei no sofá. Fechei os olhos, esperando que o sono viesse, mas minha mente não parava.
Arthur não era apenas um chefe. Ele era uma presença, um belo de um encosto, uma força que parecia sempre estar no controle, não importava a situação. Talvez fosse isso que me incomodava tanto – o fato de que, mesmo quando eu estava longe dele, ele ainda tinha um certo poder sobre mim.
Respirei fundo e tentei afastar esses pensamentos. Amanhã seria outro dia, e eu precisava estar preparada para enfrentá-lo novamente.
Enquanto olhava para o teto, prometi a mim mesma que faria de tudo para proteger meu segredo. Este bebê era meu, e ninguém – nem mesmo Arthur Villeneuve – iria interferir nisso. Eu podia não ter planejado isso, mas agora era minha responsabilidade. E, se dependesse de mim, faria tudo certo.
Com esse pensamento, finalmente fechei os olhos, esperando que o sono me trouxesse um pouco de paz.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Adriana
Só acho que ela deve contar sim ela fez sozinha e. Pedi o que a criança tem direito, registro e pensão isso é o certo ela não pede nada pra ela mas pro filho que mas tarde irá cobrar isso dela , eu já passei por isso e não foi fácil no final meu filho que colocou o pai na justiça para pagar a faculdade dele . Me arrependi de não ter corrido atrás quando ele era pequeno.
2025-03-18
2
Berê
Penso que Artur reparou na presença de Helô é a mantinha no seu inconsciente desde quando ela trabalhava na mansão dos pais dele. Coincidência envolver -se com ela foi uma decisão que ele deveria ter pensado, pois ele.era o sóbrio naquela noite, não é? Ele tem responsabilidade nisso, sim, ele tem. Mas, se comportará ao contrário com certeza! Assumir, a gravidez de Helô, de cara? Não vai de jeito nenhum!
2025-01-18
15
João Wellington campos
s culpa e dos dois pois nenhum dos dois preveniram si deu no que dei o errado e vc arcar sozinha está responsabilidade
2025-03-28
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