Arthur
O dia estava tão cheio de reuniões e documentos que mal tive tempo para perceber as pessoas ao meu redor. Contudo, algo em Helô chamou minha atenção. Ela parecia diferente, mais abatida do que de costume. Sempre a achei meio sem graça, com aquele ar anêmico e postura rígida, mas, hoje, ela estava pior. Sua pele parecia mais pálida, os olhos sem brilho, e ela não parecia ter energia para nada. Ela era tão trabalhadora e animada em fazer seus trabalhos, seja na mansão ou aqui, que me estranhou, ela está tão para baixo hoje.
Enquanto trabalhávamos na minha sala, notei que ela evitava me olhar diretamente e fazia movimentos mais lentos do que o normal. Suas respostas às minhas perguntas eram curtas, quase automáticas, como se estivesse economizando energia para se manter de pé. Tentei ignorar, focando nos papéis em minha mesa, mas não pude deixar de observar o momento em que ela se levantou, esfregando o nariz com um lenço.
– Poeira – disse ela, com a voz mais fraca do que o habitual.
Levantei os olhos brevemente, intrigado com sua mudança de comportamento. Helô nunca havia reclamado de nada antes, mesmo com toda a confusão da instalação da porta que ela tanto queria. Ela parecia sempre suportar tudo em silêncio, mas, hoje, algo estava claramente errado.
Quando ela pediu para sair mais cedo, alegando que a poeira estava piorando sua sinusite, percebi que não tinha como negar. Ela parecia prestes a desabar.
– Tudo bem – respondi, assinando os papéis em minha frente sem levantar o olhar. – Vá para casa, descanse, e espero que esteja melhor amanhã.
Depois de ela espirrar em cima de mim, Helô agradeceu e saiu da sala com passos pesados. Por um momento, considerei segui-la para me certificar de que ela realmente estava bem – mesmo que eu nunca admitisse isso em voz alta.
Mas, como sempre, o trabalho interferiu.
Meu celular tocou antes que eu pudesse dar o primeiro passo. Atendi rapidamente, sabendo que, a essa hora do dia, qualquer ligação seria importante. Do outro lado da linha, um dos principais acionistas da Villeneuve Investments parecia tenso.
Ele explicou que um problema sério havia surgido em nossa empresa associada na Itália. Um erro contábil significativo havia sido descoberto, ameaçando comprometer não apenas o lucro do trimestre, mas também a confiança de investidores importantes. Era algo que não poderia ser resolvido à distância.
– Sua presença é essencial, senhor Villeneuve. Precisamos de você aqui o mais rápido possível – ele insistiu, sua voz carregada de urgência.
Suspirei, já sabendo que teria que interromper todos os meus planos para resolver essa crise. Não havia escolha.
– Vou pegar o próximo voo – respondi com firmeza, encerrando a ligação.
Assim que desliguei, chamei Camila à minha sala. Ela entrou com sua típica eficiência, segurando o tablet e pronta para anotar tudo que eu precisasse.
– Camila, organize uma viagem para a Itália. Preciso partir amanhã de manhã. Reserve tudo: voos, hotel e transporte.
Ela assentiu, mas antes de sair, acrescentei:
– Reserve para duas pessoas. Helô vai comigo. Quartos separados, por favor.
Camila levantou as sobrancelhas, claramente surpresa. Ela não perguntou nada, mas a curiosidade estava estampada em sua expressão. Apenas acenou com a cabeça e saiu rapidamente para cuidar dos detalhes.
Helô não tinha a menor ideia de que a viagem estava marcada, mas a decisão já estava tomada. Não era uma escolha emocional – era puramente estratégica. Apesar de seus modos um tanto atrapalhados, ela era eficiente e aprendia rápido. Eu precisaria de alguém de confiança ao meu lado para lidar com a papelada e as demandas que a reunião inevitavelmente traria.
Quando finalmente cheguei ao meu apartamento naquela noite, estava exausto. Larguei a pasta de documentos na mesa de entrada, tirei os sapatos e me joguei no sofá. Liguei a TV, mas o som do noticiário de economia parecia mais um ruído distante do que algo que realmente prendia minha atenção.
Minha mente ainda estava parcialmente ocupada com Helô. Algo nela parecia estranho, e eu não conseguia tirar a sensação de que havia algo mais acontecendo. Peguei o celular e digitei rapidamente uma mensagem.
Como você está? A poeira piorou sua rinite?
Esperei alguns segundos, mas nenhuma resposta veio. Talvez ela já estivesse dormindo ou simplesmente não quisesse responder. Não importava. Antes de colocar o celular de lado, digitei mais uma mensagem:
Amanhã você vai comigo para a Itália. Estarei no aeroporto às 6h. Não se atrase.
Não esperei por uma resposta. Desliguei o celular e ativei o modo “não perturbe”.
O silêncio do apartamento era acolhedor. Enquanto a TV ainda murmurava em segundo plano, caminhei até o closet e comecei a arrumar minha mala. Escolhi ternos impecáveis para as reuniões, camisas sociais, sapatos de couro polido e alguns itens casuais para qualquer necessidade imprevista.
Depois de organizar tudo, deixei a mala ao lado da porta e fui para o banheiro. O banho quente foi um alívio, lavando o cansaço do dia e me preparando mentalmente para a viagem. Sabia que a situação na Itália seria desafiadora, mas eu estava confiante em minha capacidade de resolver tudo.
Ao sair do banho, vesti uma camiseta confortável e um par de calças de moletom, apagando as luzes do apartamento enquanto me dirigia ao quarto. Deitei-me na cama, sentindo o peso do dia finalmente me alcançar.
Antes de fechar os olhos, minha mente voltou brevemente para Helô. Eu me perguntava como ela estaria se sentindo. Talvez fosse apenas a poeira que a incomodava, mas algo me dizia que era mais do que isso. Havia algo que ela não estava me contando.
De qualquer forma, amanhã ela descobriria sobre a viagem, e eu garantiria que ela estivesse pronta para enfrentar tudo o que nos esperava na Itália.
Com esse pensamento, apaguei a luz do abajur e deixei o cansaço me levar para o sono. Acordei pela madrugada de sobre salto, estava suado e com respiração pesada, depois do pesadelo que tive. Sonhei com vários bebês chorando, muitos deles. Desci para a cozinha, depois de me certificar que ainda eram 1:40 da manhã. Tomei um copo de água e retornei para o meu quarto, decidi abrir o computador e trabalhar, porque dormir era bem difícil quando se tinha um pesadelo daquela magnitude.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Deizelucy Mesquita
morri agora kkkkk muitos bebês pesadelos será q vem trigêmeos ....
2025-01-22
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Maria de Fátima Soares da Silva
Meu Deus sonha com bebê é uma bênção mais pra ele é um pesadelo
2025-01-07
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Dulce Tavares
se ela contar eu espero que ele não fuja das suas responsabilidades
2025-01-03
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