Capítulo 11

Helô

Na manhã seguinte, segui minha rotina habitual. O trajeto de casa para o trabalho era o mesmo de sempre, mas algo em mim estava diferente. O cansaço do dia anterior ainda pairava sobre meus ombros, mas eu não deixaria que isso me abalasse. Na mão direita, segurava meu capuccino, meu momento de prazer antes de entrar no caos que era a Villeneuve Investments.

Arthur Villeneuve poderia tirar meu tempo para almoçar, poderia me soterrar de trabalho, mas não tiraria meu café favorito.

Ao chegar ao prédio, cumprimentei rapidamente a recepcionista e subi para o andar do meu escritório. Minha sala ficava ao lado da de Arthur, e o trajeto até ela passava diretamente pela dele. Peguei minha bolsa, o café e segui para começar o dia, como sempre fazia.

Ao abrir a porta da sala de Arthur, no entanto, me deparei com uma cena que me fez parar no lugar.

Arthur estava com Leona – a mulher que eu já tinha visto antes, aquela que parecia estar sempre por perto, uma presença incômoda. Mas dessa vez, ela estava literalmente em cima da mesa dele. Os dois estavam se beijando com intensidade, como se o mundo inteiro não existisse. As mãos dele subiram pela coxa dela por baixo da saia apertada que ela usava, e para piorar ele me viu ali parada, estava fazendo tudo de propósito.

Meu corpo congelou por um instante, e o choque foi tão grande que a única coisa que consegui fazer foi murmurar:

– Perdão.

Dei um passo para trás, pronta para sair e fingir que nada havia acontecido. Mas, para minha surpresa, Arthur não parecia minimamente afetado pela minha presença. Ele sequer hesitou, nem tentou se justificar. Apenas levantou a cabeça e disse com a maior naturalidade:

– Espera. Me traga um café, por favor. Sem açúcar.

Eu parei por um momento, incapaz de acreditar na audácia dele. Antes que pudesse responder, Leona acrescentou:

– Traga dois. Também quero. O meu com açúcar, por favor.

As palavras dela foram a gota d’água.

– Entendi – respondi, minha voz tão neutra quanto eu consegui fazer soar.

Saí da sala e fechei a porta atrás de mim com um pouco mais de força do que o necessário.

Enquanto caminhava em direção à copa para pegar os cafés, minha mente fervilhava. Que droga era essa? Eu era secretária ou garçonete? Que tipo de chefe fazia um pedido desses depois de ser flagrado em uma situação tão... imprópria? E Leona? Quem ela pensava que era para me tratar como uma empregada pessoal dela?

– Dois sem-vergonhas – resmunguei baixinho, enquanto pegava as xícaras e começava a preparar os cafés.

Claro que Arthur queria um café sem açúcar. Ele era amargo. Amargo como o próprio café que bebia. Quanto à Leona, fiz questão de colocar bastante açúcar no dela. Se ela queria ser tão doce e melosa com Arthur, poderia começar pelo café.

Voltei para a sala com os cafés na bandeja, mantendo a expressão mais impassível possível. Quando entrei, Leona ainda estava sentada na mesa de Arthur, como se fosse um trono. Ele estava na cadeira, arrumando a camisa com a mesma calma arrogante de sempre.

Coloquei a bandeja sobre a mesa, tentando ignorar o sorriso divertido que Leona lançou em minha direção.

– Da próxima vez que entrar, bata na porta – Arthur disse, a voz firme, mas calma.

Levantei o olhar para ele, cruzando os braços.

– Para ir até a minha sala, preciso passar por aqui. Se não quiser ser incomodado, é só abrir uma porta do outro lado do corredor. Assim, não precisarei entrar por sua porta para chegar à minha.

As palavras saíram antes que eu pudesse pensar, e, quando terminei, percebi que Arthur havia levantado os olhos para mim. Ele me encarou por alguns segundos, a expressão séria, mas havia algo nos olhos dele – um brilho de desafio, talvez?

– Este café está muito doce – Leona interrompeu, tomando um gole e franzindo o rosto.

Olhei diretamente para ela e sorri levemente.

– Se quer um café melhor, pode ir fazer você mesma. Não sou sua empregada.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Arthur olhou para mim, depois para Leona, que parecia mais surpresa do que irritada.

Sem esperar por mais comentários, me virei e saí da sala, deixando-os para trás.

Assim que entrei no meu espaço, soltei um suspiro pesado e sentei-me na cadeira. Meu coração ainda estava acelerado, e minha cabeça rodava com a mistura de raiva e frustração.

Não era apenas o incômodo de vê-los juntos – embora isso também tivesse me atingido de forma inesperada. Era a forma como ambos agiam, como se eu fosse invisível ou, pior, uma peça que podiam manipular como quisessem.

Arthur tinha o poder de me deixar furiosa como ninguém. Ele era arrogante, controlador e insuportavelmente confiante. Mas, ao mesmo tempo, havia algo nele que eu não conseguia ignorar. Ele era o tipo de homem que comandava o ambiente sem esforço, e talvez fosse isso que o tornava tão irritante.

Peguei uma pilha de papéis que precisava organizar e comecei a trabalhar, tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer.

Algumas horas depois, enquanto eu ainda estava imersa nos relatórios que Arthur havia me deixado revisar, ouvi uma batida na porta.

Levantei os olhos e, para minha surpresa, era ele. Arthur entrou sem esperar convite, fechando a porta atrás de si.

– Precisamos conversar – disse ele, indo direto ao ponto.

Eu o encarei, tentando manter a expressão neutra, mas o cansaço do dia já estava começando a pesar.

– Sobre o quê?

Ele se aproximou, apoiando-se na minha mesa.

– Sobre o que aconteceu mais cedo.

Revirei os olhos. Claro que ele queria falar sobre isso.

– Não tem nada para conversar, senhor Villeneuve. Aconteceu, acabou. Estou aqui para trabalhar, não para julgar sua vida pessoal.

Ele ficou em silêncio por um momento, analisando meu rosto. Então, finalmente, falou:

– Você está certa. Mas quero deixar uma coisa clara. Não gosto de desrespeito, Helô.

– Nem eu – respondi imediatamente, cruzando os braços.

Por um instante, pensei ter visto um leve sorriso surgir em seus lábios, mas ele rapidamente voltou à sua postura séria.

– Só espero que possamos manter isso no âmbito profissional – disse ele, endireitando-se.

– Desde que o senhor faça o mesmo – retruquei, sem desviar o olhar.

Arthur assentiu, parecendo satisfeito com minha resposta. Ele se virou para sair, mas parou na porta por um momento, olhando por cima do ombro.

– Bom trabalho hoje – disse, antes de sair.

Eu fiquei sentada ali, sem saber exatamente o que pensar. Trabalhar para Arthur Villeneuve seria, sem dúvida, o maior desafio da minha vida. Tudo bem que eu estava trabalhando para ele na mansão, mas lá, eu tive sorte de não vê-lo sempre.

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Comments

Sheyla Regina America

Sheyla Regina America

não sei a necessidade dela ser ingrata o cara comeu ela e acabou eu sirvo café no meu trabalho limpo até o chão se.me.pedirem pois sou grata e o que paga minha faculdade independente de ter que passar na sala dele tem que bater na porta e o que lá deixa lá muito amor para quem não recebeu nada ele não é mau caráter foi sincero com ela não vi ela falar de estudar de aprender mais e autora podia ter colocado que ela tivesse estudado algo não só ser noiva abandonada

2025-01-16

17

Carmem Lùcia Pimenta

Carmem Lùcia Pimenta

EU TAMBÉM ACHEI QUE ELA EXAGEROU POR ELE SER SEU PATRÃO E ELE NÃO TEM COMPROMISSO ELA ,SÓ FOI NOITE CASUAL GENTE ELA AGE COMO EX FERIDA E CIUMENTA,ELA DEVERIA ARRUMAR OUTRO TRABALHO LONGE DELE POIS ERRADA É ELA POR QUERER SER IMPORTANTE PARA UM HOMEM QUE NEM SABE O QUE É ISSO...PULA FORA HELO POIS ASSIM SERÁ SEMPRE CHATA E ERRADA

2025-02-19

1

Carmem Lùcia Pimenta

Carmem Lùcia Pimenta

Helo vc tinha bater pois seu chefe não é seu marido vc deveria agir como funcionária padrão e não como alguém de valor sentimental para patrão .E LEONA JÁ EXISTIA NA VIDA DELE,E NÃO PODE SE SENTIR INCOMODADA

2025-02-19

2

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