Helô
Eu estava tão exausta que, ao sair do hospital, não conseguia pensar em mais nada além de resolver as coisas o mais rápido possível. Meu corpo parecia pesado, e minha mente estava em um emaranhado de confusão. Grávida. A palavra ainda ecoava, confusa e estranha, mas eu não tinha tempo para lidar com as emoções naquele momento.
Caminhei até a farmácia, com os pensamentos girando em círculos. Eu sabia que precisava seguir as recomendações do médico, mas havia uma parte de mim que hesitava em levar essa gravidez a sério. Tinha medo. Medo das represálias, medo das mudanças, medo do que significava trazer esse bebê ao mundo.
E, claro, tinha Arthur Villeneuve.
Eu sabia exatamente como ele reagiria. Ou melhor, sabia que ele provavelmente não reagiria. Arthur não sentia nada por mim. Para ele, eu era apenas uma funcionária, mais um caso de uma noite que aconteceu em sua vida perfeitamente organizada. Ele não ia querer saber de um bebê, muito menos de como isso afetava minha vida.
Parei na calçada em frente à farmácia, respirando fundo para afastar a ansiedade que começava a tomar conta.
– Chega de pensar assim – murmurei, tentando convencer a mim mesma. – O bebê é meu, e ele não precisa saber. Afinal, tem tantas mulheres por aí que criam seus filhos sozinhas.
Minha própria voz parecia distante, mas as palavras eram verdadeiras. Eu precisava acreditar nelas.
Entrei na farmácia, comprei os remédios e vitaminas que o médico havia recomendado e voltei para casa. Assim que cheguei, organizei tudo na mesa da cozinha. Peguei uma caneta e escrevi os horários de cada remédio nas caixas. Sempre fui meio esquecida, e aquilo me ajudaria a manter tudo em ordem.
Depois de organizar os remédios, tomei um banho longo e relaxante. A água quente ajudou a aliviar meu corpo tenso, mas minha mente ainda estava inquieta. Mesmo que eu tivesse decidido não contar a Arthur, não conseguia parar de pensar nele.
Finalmente, deitei na cama e fechei os olhos, determinada a descansar. Adormeci rapidamente, exausta tanto física quanto emocionalmente.
Acordei cedo, por volta das 5h30, com o despertador do celular tocando. Ainda meio grogue, peguei o telefone para desligar o alarme e vi que havia duas mensagens não lidas. Ambas eram de Arthur.
Como você está? A poeira piorou sua sinusite?
Amanhã você vai comigo para a Itália. Estarei no aeroporto às 6h. Não se atrase.
Li a última mensagem novamente, e a frustração começou a crescer. Não era um convite. Era uma ordem clara e direta.
Resmunguei algo que não teria coragem de repetir em voz alta e larguei o celular na cama. Levantei-me e fui direto para o banho, deixando a água fria tentar despertar meu corpo e minha mente.
Enquanto me arrumava, o nervosismo foi crescendo. A última coisa que eu queria era passar mais tempo com Arthur, especialmente agora. Mas não tinha escolha. Ele era meu chefe, e não atender a sua "convocação" significaria colocar meu emprego em risco. E nesse momento o desemprego era um luxo que eu não poderia me dar.
Escolhi uma roupa confortável, mas elegante o suficiente para parecer profissional. Uma calça social preta, uma camisa azul-clara e um blazer leve. Peguei uma pequena mala de mão e comecei a arrumar algumas coisas. Roupas básicas, produtos de higiene, e, claro, os remédios que agora eram parte da minha rotina.
Fechei a mala e chequei a hora. Estava quase na hora de sair, então peguei um táxi e segui para o aeroporto, ainda sentindo um nó no estômago.
Cheguei ao aeroporto às 6h em ponto, como Arthur havia ordenado. Ele já estava lá, é claro, parado perto do balcão de check-in com a postura impecável e o semblante sério que ele parecia carregar para onde fosse.
– Bom dia – cumprimentei, tentando manter minha voz neutra enquanto me aproximava.
Arthur me lançou um olhar breve e assentiu.
– Espero que tenha trazido tudo o que precisa. Vai ser uma viagem rápida, mas intensa.
Suas palavras me atingiram como uma pedra. Claro que seria intensa. Estar perto dele já era um teste de resistência para mim, e agora estávamos prestes a viajar juntos para outro país, para quê mais intensidade que isso?
Fiz o check-in, peguei meu cartão de embarque e seguimos para a área de embarque. Não trocamos muitas palavras durante o trajeto. Ele parecia completamente focado, provavelmente pensando nos detalhes da reunião e do problema que o aguardava na Itália.
Entramos no avião e nos acomodamos em nossos assentos. Arthur estava ao meu lado, mas não parecia interessado em conversar. Ele abriu seu tablet e começou a revisar documentos, o rosto sério e impassível.
Enquanto ele trabalhava, tentei me distrair com um livro que havia trazido, mas minha mente continuava voltando para a notícia que havia recebido no hospital. A ideia de estar grávida, carregando algo tão importante dentro de mim, era ao mesmo tempo assustadora e emocionante.
Olhei para Arthur de relance. Ele parecia tão distante, tão alheio a tudo que estava acontecendo comigo. Era estranho pensar que ele era o pai do bebê, mesmo que ele não tivesse a menor ideia disso.
Será que o bebê seria parecido a ele? Com toda certeza, ele puxará a beleza do pai. Os cabelos negros e bem lisos. Voltei a minha atenção para o livro, quando Arthur me olhou de relance.
Depois de algumas horas de voo, finalmente aterrissamos na Itália. O aeroporto era movimentado, mas Arthur parecia completamente à vontade enquanto caminhava pelos corredores, liderando o caminho até o carro que nos aguardava.
Entramos no veículo, e ele começou a falar sobre o cronograma do dia. Suas palavras eram diretas e objetivas, como sempre. Fiquei em silêncio, ouvindo e tentando me preparar para o que estava para acontecer.
Após ele me explicar tudo que eu deveria fazer e dizer, eu me ajeitei sob o banco de couro confortável, e comecei a admirar a vista. A Itália era linda, mas minha mente estava longe.
Eu sabia que essa viagem seria um desafio, tanto emocional quanto profissional. Mas, ao mesmo tempo, talvez fosse uma oportunidade de entender melhor quem eu era e como lidar com tudo o que estava acontecendo.
Arthur estava falando sobre os investidores e os problemas que precisaria resolver para alguém no telefone.
Enquanto ele falava, eu apenas ouvia.
No fundo, sabia que estava em uma batalha interna que ninguém ali poderia entender e nem ver.
Eu estava sozinha com esse segredo. E, por enquanto, era melhor assim.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Maria Das Neves
espero que ele perceba que ela está grávida e que ele mude
2024-12-11
1
Tânia Campos
Tomara que ele perceba que ela está grávida.
E mude.
2024-12-11
1
Dagmar Oliveira
Como tem gente chata por aqui, fala sério 😞😞😞😞😞
2024-12-15
1