Capítulo 03

Helô

Eu cheguei ao final de mais um dia de trabalho. A senhora Villeneuve chamou a todas as funcionárias, e nos entregou o envelope com o pagamento. Peguei minha bolsa, troquei de roupa tirando o uniforme, e depois caminhei em direção ao portão principal da mansão Villeneuve. Amanhã é sábado, o dia em que eu não precisava vir ao trabalho, e tudo que eu queria era esquecer o mundo por algumas horas.

Os R$ 2.500 que recebi seriam divididos entre o aluguel do apartamento, as contas e os mantimentos que precisava comprar. Não sobraria muito, como sempre, mas ao menos eu teria comida na geladeira e um teto sobre minha cabeça. Não era a vida que eu sonhei, mas era a vida que eu tinha agora.

Ao sair pela portaria, a noite já havia caído, e a brisa fresca fazia meus cabelos voarem. Podia sentir a exaustão em cada músculo do corpo, mas, em vez de ir direto para casa, decidi fazer algo que raramente fazia: me permitir uma pausa. Caminhei alguns quarteirões até um bar pequeno e discreto que costumava ver no caminho para o trabalho. O letreiro luminoso piscava, quase apagando em alguns momentos, como se quisesse avisar que ali não era o lugar mais sofisticado do mundo – mas, para mim, era perfeito.

Pedi uma bebida. Não sabia bem o que queria, então apontei para algo no cardápio que parecia forte. Não costumava beber, mas hoje parecia a ocasião certa para abrir uma exceção. Enquanto o líquido dourado queimava minha garganta, saquei o celular da bolsa e dei uma olhada rápida. Dezesseis mensagens não lidas. Todas de Renato, meu ex-noivo.

Minha mão tremeu levemente. Li as primeiras mensagens, tentando ignorar o aperto no peito:

> “Helô, atende o telefone. Precisamos conversar.”

“Eu sinto muito por tudo.

“Por favor, você sabe que eu ainda me importo com você.”

Ele não parava de enviar mensagens desde o dia em que fez aquela palhaçada comigo, bem ali, no altar, diante de todos. E, como se isso não bastasse, agora ele também estava me ligando. O celular começou a vibrar novamente sobre a mesa, o nome de Renato brilhando na tela.

– Maldito... – sussurrei, ignorando a ligação pela terceira vez naquela noite.

Será que não deu certo a vida dele com o cara que ele me trocou, e agora quer voltar?

Pedi outra bebida e continuei encarando o celular. Não entendia por que ele insistia tanto em falar comigo. Não bastava ter destruído a minha vida? Por que ele precisava me assombrar agora, quando eu finalmente começava a juntar os cacos?

Depois da terceira dose, o calor da bebida começou a me fazer sentir mais leve, como se as paredes do bar se tornassem mais largas e a música baixa ao fundo fosse o suficiente para abafar a bagunça na minha cabeça.

Meu celular vibrou novamente, e eu peguei o aparelho com raiva, decidida a desligá-lo de vez. Mas antes que pudesse fazer isso, outra mensagem apareceu:

> “Atende, Helô. Por favor. Estou indo até você. Nem que para isso, eu viaje a essas horas.

A ideia de ver Renato me fez estremecer de ódio. Ele não poderia saber onde eu moro. Se eu descobrir que ele sabe, ou me encontrar, eu juro que mudo rapidamente de telefone e de cidade.

Suspirei, largando o celular na mesa, e virei mais uma dose, sentindo a ardência descendo pela garganta.

Perdi a conta de quantas doses tomei, mas a sensação de alívio foi suficiente para me fazer esquecer as mensagens, as chamadas e tudo o mais. Não pensei no futuro, no meu trabalho, nem mesmo em como eu voltaria para casa. Só queria me afogar naquele instante de esquecimento.

Depois de um tempo, decidi que já era hora de ir embora. Levantei-me, mas o mundo parecia girar ao meu redor. Segurei na beirada da mesa para não cair e caminhei lentamente em direção à saída, tropeçando uma ou duas vezes.

Quando empurrei a porta do bar, tropecei de vez, perdendo o equilíbrio. No momento em que pensei que meu corpo bateria contra o chão frio da calçada, mãos firmes me seguraram pela cintura, impedindo a queda.

– Cuidado – uma voz grave e familiar soou acima de mim.

Levantei o olhar e encarei um rosto que não esperava ver: Artur Villeneuve, meu chefe. Ele estava ali, segurando-me com firmeza, e seus olhos me estudavam com uma mistura de surpresa e desaprovação.

– Oi, chefe... – murmurei, arrastando as palavras enquanto apontava o dedo para ele. – Você... você é meu chefe, sabia? É tão lindo assim de perto.

Artur arqueou uma sobrancelha, mas não soltou minha cintura.

– Eu sei disso, senhorita. E parece que você bebeu mais do que deveria. Onde você mora? Vou levá-la para casa.

Eu ri, mas meu riso saiu mais como um soluço.

– Ah, onde eu moro... é uma boa pergunta, chefe. Você sabe onde eu moro? Porque eu não sei. Acho que é um apartamento... ou um buraco no chão… Eu não sei.

Artur suspirou, claramente sem paciência, mas continuou me segurando firme.

– Certo, parece que você não está em condições de ir sozinha. Vou resolver isso.

– Resolver? – perguntei, ainda apontando o dedo para ele. – Você resolve tudo, né, senhor importante? CEO isso, CEO aquilo... Mas aqui... aqui no bar... não tem reunião pra você!

Ele estreitou os olhos, mas não respondeu. Antes que eu pudesse continuar falando bobagens, senti meus pés saindo do chão. Artur me ergueu nos braços como se eu fosse uma pluma, ignorando completamente meus protestos fracos.

– Ei! O que você está fazendo? – tentei me debater, mas minhas forças eram praticamente inexistentes.

– Estou evitando que você caia no meio da rua. Agora fique quieta.

Carregado como uma boneca de pano, fui colocada gentilmente no banco do passageiro de um carro preto luxuoso. Artur entrou pelo outro lado, ligou o motor e começou a dirigir, o rosto sério e focado.

– Onde estamos indo? – perguntei, com a cabeça girando.

– Vou levá-la a um hotel. Você não está em condições de voltar para casa, nem sabe onde mora, e não vou deixá-la sozinha assim.

– Hotel? – soltei uma risada. – Olha só, o chefe tá querendo impressionar... vai me colocar numa suíte presidencial?

Artur ignorou meu comentário, mas percebi um pequeno sorriso de canto surgir em seu rosto antes que ele voltasse a olhar para a estrada.

— Você fala bastante quando está bêbada, ao contrário de quando está trabalhando, não escuto nem sua voz.

— Hurrum… — foi só o que consegui dizer.

Não lembro muito bem do resto do trajeto, apenas flashes de luzes passando pela janela e a voz grave de Artur dizendo algo ao recepcionista do hotel. Tudo parecia um borrão, como se eu estivesse sonhando. A próxima coisa que percebi foi o toque macio de lençóis contra minha pele e a sensação de que finalmente estava segura.

Antes que o sono me dominasse completamente, ouvi a voz de Artur mais uma vez, baixa e calma:

– Boa noite, senhorita Helô. Descanse.

Sem pensar muito, puxei ele para um beijo, sentindo seu corpo acima do meu, enquanto ele apoiava-se nos próprios cotovelos.

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Comments

Imaculada Nova Messias

Imaculada Nova Messias

depois vai dizer que é tudo culpa da bebida em helo que não sábia o que estava fazendo 🤣🤣 sei viu a bebida só te deu a coragem necessária para tomar coragem de fazer o que mais queria agarrar meu chefe e virar ele do avesso sua fogosa 🔥 e arthur aproveitando 🥵🔥🔥🔥

2025-02-13

3

Maria Ines Santos Ferreira

Maria Ines Santos Ferreira

é o quarto livro que a mulher do nada enche a cara ,transa com qualquer um

2025-01-14

0

Zilda Barbosa

Zilda Barbosa

era só pedir o endereço dela pra wuem contratou

2024-12-28

1

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