Capítulo 20

Helô

A noite parecia interminável. Faziam horas que estávamos no jantar com os sócios italianos. Arthur liderava a conversa com sua habitual segurança, enquanto os empresários brindavam, riam e discutiam detalhes do negócio. Eu tentava me manter focada, mas minha mente estava nublada e meu corpo exausto.

A taça de água gelada que eu segurava parecia minha única âncora para não desmoronar ali mesmo. Meu estômago embrulhado rejeitava qualquer ideia de comida, e minhas mãos tremiam ligeiramente.

– Se me permitem, vou ao toalete. – pedi, levantando-me lentamente da cadeira.

Arthur lançou um olhar breve na minha direção, mas voltou sua atenção para a conversa.

Dei alguns passos em direção à saída, mas logo minha cabeça começou a girar. Tudo ao meu redor ficou turvo, as vozes se misturaram em um zumbido distante, e antes que eu percebesse, caí no chão.

Quando abri os olhos, a luz branca do teto me fez piscar algumas vezes antes que pudesse focar completamente no ambiente. Percebi que estava deitada em uma cama de hospital, um soro conectado ao meu braço e máquinas apitando suavemente ao meu lado.

Olhei ao redor, confusa, tentando lembrar o que havia acontecido. Então tudo voltou em flashes: o jantar, a tontura, a queda. Só podia ser Arthur quem havia me trazido até ali.

Poucos minutos depois, a porta se abriu e ele entrou. Estava sem o terno, apenas a camisa branca com as mangas dobradas, parecendo mais casual, mas havia algo diferente nele. Ele parecia... preocupado.

– Você está bem? – perguntou ele, a voz calma, mas tensa.

– Acho que sim... – murmurei, tentando me sentar. – O que aconteceu?

– Você desmaiou no jantar. Trouxe você para cá. – Ele se aproximou, cruzando os braços, como se quisesse me observar de perto.

Antes que eu pudesse responder, o médico entrou no quarto com um tablet em mãos. Era um homem mais velho, de expressão gentil e tom profissional. Ele sorriu brevemente para mim antes de começar a falar.

– Bem, senhorita, você está desidratada e precisa descansar mais. Seu corpo está dando sinais claros de exaustão.

Assenti, sentindo um peso de culpa. Eu sabia que não estava cuidando de mim mesma como deveria.

– Quero que preste mais atenção à sua alimentação, especialmente agora. Não é só sua saúde que está em jogo – ele continuou, olhando para o tablet antes de erguer os olhos para mim. – O bebê está bem, mas precisa de cuidados também.

Meu coração parou por um momento.

– Meu bebê – repeti, quase como um sussurro.

O médico olhou de volta para mim com uma expressão serena.

– O bebê está saudável, mas você precisa evitar situações estressantes e descansar mais.

Virei meu rosto lentamente em direção a Arthur. Ele estava parado ao lado da cama, me encarando com uma expressão indecifrável. Seus olhos não estavam mais apenas curiosos; havia algo mais ali, como se ele quisesse dizer que já sabia de tudo.

...***...

Fui liberada do hospital alguns dias depois. O médico recomendou repouso, mas eu sabia que Arthur não me deixaria faltar ao trabalho. Ainda assim, ele havia ficado estranhamente calmo e distante durante o tempo em que estive internada. Não me pressionou com perguntas, mas também não fez questão de conversar além do necessário.

Quando saímos do hospital, caminhamos até a garagem para pegar o carro que nos levaria de volta ao hotel. O silêncio entre nós era desconfortável, quase sufocante.

Finalmente, quando estávamos quase entrando no carro, Arthur quebrou o silêncio.

– Por que você não disse nada? – perguntou ele, a voz carregada de frustração.

Parei, segurando a porta aberta, e olhei para ele sem entender.

– Disse o quê?

Ele respirou fundo, parecendo lutar contra a própria paciência.

– Que você está grávida. Você poderia ter me poupado de te colocar em situações de estresse, de te sobrecarregar com trabalho.

Engoli em seco. Sabia que esse momento chegaria, mas não estava preparada para enfrentá-lo.

– Não achei que fosse necessário – respondi, tentando manter minha voz firme. – E, além disso, isso não tem nada a ver com você.

Arthur estreitou os olhos, dando um passo à frente.

– Como assim, “nada a ver comigo”? Você acha que pode esconder algo assim de mim? Estava trabalhando na minha casa, na minha empresa, e fui eu quem te contratou, como não tem nada a ver comigo?

– Sim, Arthur. Não tem nada a ver com você – respondi, cruzando os braços. — Eu que me descuidei, mas não vai mais acontecer.

– Já falou com o pai dessa criança ? – Sua voz estava mais alta agora, cheia de uma mistura de raiva e incredulidade.

Por um momento, fiquei em silêncio. Mas então, cansada de fugir, encarei-o diretamente e respondi:

— Você é o pai.

— É o que? — indagou quase me engolindo com os olhos.

– Sim. É seu.

Arthur deu uma risada seca, cheia de amargura.

– É claro que é. Como você não sabe com qual homem se deitou, agora quis jogar essa para cima de mim.

Sua expressão mudou de raiva para algo mais cruel.

– Você é uma mentirosa. E sabe por quê? Porque mulheres como você só tem uma coisa em mente: aplicar um golpe do baú. Você viu uma oportunidade e aproveitou, não foi?

Suas palavras foram como facadas.

– O quê? – minha voz saiu trêmula, mas cheia de indignação.

– Não finja que não sabe do que estou falando. Você queria me prender com esse bebê, mas não vai funcionar. Eu não vou cair nesse jogo. Procure o homem que te engravidou, se é que você vai achar.

Eu dei um passo para trás, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.

– Você é inacreditável – murmurei, a voz quebrada. – Quer saber? Tanto faz se acredita ou não, eu nunca quis nada de você, Arthur. Nem seu dinheiro, nem sua atenção. Esse bebê é meu, e eu vou criá-lo sozinha. E você? Vai se föder, seu filha de uma mãe.

Ele me olhou, ainda com raiva, mas parecia ligeiramente surpreso com minhas palavras.

– Ótimo. Faça isso. Porque eu não quero nada com você ou esse bebê. Se for meu ou não, quero nem saber, se vira.

Entrei no carro sem dizer mais nada. As lágrimas que tentei segurar começaram a cair enquanto olhava para a janela, me perguntando como tinha chegado a esse ponto.

Arthur, por sua vez, manteve-se em silêncio durante todo o trajeto. Quando finalmente chegamos ao hotel, subi para o meu quarto e fechei a porta atrás de mim, tentando desesperadamente afastar a dor que ele havia me causado.

As palavras dele ainda ecoavam na minha mente. Eu sabia que Arthur Villeneuve era um homem orgulhoso, mas nunca imaginei que ele pudesse ser tão cruel. Me acusou de que eu havia passado pelas mãos de vários homens e que eu não sabia quem era o pai do meu bebê. Maldito seja!

Olhei para o meu reflexo no espelho do quarto.

– Você consegue, Helô – sussurrei para mim mesma. – Você não precisa dele.— enxuguei as lágrimas com o dorso da mão.

E, naquele momento, decidi que não importava o que acontecesse, eu protegeria meu bebê de tudo – até mesmo do próprio pai.

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Comments

João Wellington campos

João Wellington campos

e isto aí Helô se joga na vida trabalhe e crie seu filho sozinha mostre a garra e força da mulher brasileira que cria filhos sozinhas de precisarem de macho

2025-03-29

2

Imaculada Nova Messias

Imaculada Nova Messias

Não acredito que você tá perguntando o óbvio arthur VILLENEUVE 😡 não seja tão canalha ordinário assim tá pensando que a helo é o que uma máquina que sai por aí transando ao deus dará com todo homem que encontra ou o que tá insinuando querendo tirar o seu da reta seu imbecil babaca 😤😳

2025-02-14

2

Ellen

Ellen

sinceramente queria que apareça um homem bom e amoroso para ela, pois o Arthur não merece ela espero que ela fique com outro.

2024-12-23

0

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