Helô
Hoje é mais um daqueles dias em que acordei mal. Mas não era só cansaço ou preguiça habitual. Meu corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão, cada músculo pesado, cada articulação reclamando ao menor movimento. Suspirei, tentando afastar o desânimo. Talvez fosse culpa daquele esbarrão de ontem com Arthur Villeneuve e seu corpo cheio de trevas. Não bastasse ser um chefe infernal, ainda devia ter me passado algo com aqueles olhos ruins. Mal olhado, só podia ser.
Contra a vontade, me levantei, tomei banho, fiz minha higiene e vesti uma roupa confortável, mas ainda apropriada para o trabalho. Arrumei minha bolsa, chamei um táxi e segui para a empresa. O movimento na empresa, estava como sempre, pessoas apressadas caminhando para um lado e outro, resolvendo os problemas da empresa.
Quando cheguei, percebi que o escritório estava em completo caos. Alguns homens trabalhavam instalando a porta que Arthur havia prometido, a tão desejada passagem direta para minha sala. Havia ferramentas espalhadas pelo chão, barulho de furadeiras e uma camada fina de poeira que já começava a irritar meu nariz.
Passei direto pela confusão, segurando o copo de capuccino que comprei para Arthur – meu ritual diário desde que ele fez aquela chantagem. Entrei na sala dele e coloquei o café sobre a mesa. Ele nem estava lá. Melhor assim, pensei, enquanto me retirava.
De volta à minha sala, percebi que trabalhar naquele caos seria um desafio. Além do barulho, o ar estava carregado de poeira, e meu corpo já estava reclamando desde o momento em que acordei. Mas Arthur não era o tipo de chefe que tolerava desculpas, então me sentei e comecei a trabalhar.
Quando a poeira ficou insuportável e minha mesa estava praticamente inacessível por causa dos trabalhadores, não tive escolha a não ser levar meus papéis para a sala de Arthur. Ele estava sentado em sua cadeira de couro, com a expressão séria e focada nos documentos à sua frente.
– Com licença, senhor Villeneuve. Minha sala está... impossível de usar – expliquei, indicando os papéis em minhas mãos.
Ele olhou para mim rapidamente, assentiu e fez um gesto para que eu me sentasse na cadeira em frente à sua mesa.
– Contanto que não atrapalhe, pode ficar – disse ele, voltando a atenção para o que estava lendo.
Trabalhar ali foi exaustivo. O peso da presença dele era quase tão sufocante quanto a quantidade de trabalho que tinha em mãos. Entre relatórios e revisões de contratos, eu sentia meu corpo cada vez mais fraco, e a dor de cabeça começou a se intensificar.
No meio da tarde, percebi que não conseguiria aguentar o dia todo. Era hora de bolar uma desculpa convincente.
Esperei um momento em que Arthur parecia menos ocupado e me aproximei com uma expressão abatida.
– Senhor Villeneuve, posso sair mais cedo hoje? Estou me sentindo muito mal – menti, segurando um lenço.
Ele ergueu os olhos e me encarou, avaliando.
– Qual o problema?
– Sinusite. A poeira de hoje piorou tudo. – Fiz questão de espirrar na hora certa para tornar minha mentira mais convincente.
Arthur franziu a testa, mas acabou assentindo. Se limpando por eu ter espirrado próximo demais.
– Tudo bem. Vá para casa e descanse. Amanhã espero que esteja melhor.
– Obrigada – murmurei, tentando parecer mais doente do que realmente estava.
Em vez de ir para casa, fui direto ao hospital. Algo estava errado comigo, e eu precisava descobrir o que era. A espera foi longa, como sempre, mas finalmente fui chamada para a consulta.
O médico era um homem de meia-idade, com um semblante calmo que inspirava confiança. Ele me fez perguntas enquanto eu descrevia os sintomas.
– Estou me sentindo muito cansada, como se meu corpo estivesse pesado. Também estou tendo dores de cabeça constantes e uma sensação estranha de náusea.
Ele anotou tudo em uma prancheta, fez algumas perguntas adicionais sobre minha rotina e hábitos alimentares e, em seguida, sugeriu que fizéssemos alguns exames básicos.
Depois de uma coleta de sangue e urina e um rápido exame físico, voltei à sala do médico para esperar os resultados. O silêncio no ambiente me deixou nervosa, e eu tamborilava os dedos na mesa enquanto tentava controlar minha ansiedade.
Finalmente, o médico entrou na sala, segurando os resultados. Ele sentou-se à minha frente, ajustou os óculos e olhou para mim com um pequeno sorriso.
– Bem, Helô, temos uma notícia. Nada grave, mas bastante importante.
Meu coração disparou.
– O que é?
– Você está grávida.
As palavras dele ecoaram na sala como uma bomba. Por um momento, fiquei sem reação, apenas piscando enquanto tentava processar o que ele havia dito.
– Grávida? – repeti, como se precisasse ouvir de novo para acreditar.
Ele assentiu, mantendo o tom calmo.
– Sim, os exames confirmaram. Está nas primeiras semanas, o que é normal para que os sintomas sejam mais intensos.
Minha mente começou a correr, uma avalanche de pensamentos e emoções me atingindo de uma vez. Grávida? Como isso era possível? Bem, eu sabia exatamente como era possível, mas a ideia de que isso realmente estava acontecendo parecia surreal.
– Você está se alimentando bem? Descansando? – o médico perguntou, interrompendo meus pensamentos.
– Acho que sim... Não sei – admiti, ainda atordoada.
– Bem, agora é hora de cuidar de si mesma. O cansaço e as dores de cabeça são normais, mas quero que reduza o estresse e garanta que esteja se alimentando adequadamente. Vou prescrever algumas vitaminas para ajudar você e o desenvolvimento do bebê.
Ele começou a escrever a receita enquanto eu ainda tentava processar a informação. Grávida. A palavra ecoava na minha cabeça como um mantra.
– Alguma dúvida? – ele perguntou, me entregando a receita e alguns panfletos sobre cuidados na gravidez.
Balancei a cabeça negativamente, agradeci e saí da sala com passos incertos.
Quando cheguei em casa, me joguei no sofá e olhei para o teto, sentindo como se o mundo estivesse girando em câmera lenta. Grávida. Como eu iria lidar com isso? Minha vida já era complicada o suficiente, e agora havia um bebê nessa história.
Os pensamentos vinham e iam em ondas, mas uma coisa era clara: minha vida nunca mais seria a mesma. Até porque nunca foi, depois que me deitei com aquele crápula do Arthur Villeneuve.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Rosemare Araujo
ele que foi imprudente em não usar preservativo,ela estava bêbada!!
2024-12-09
44
Giorgia
Meu Deus!!!!
nem sei de quem dinyo mais rsiva: dela que fez a loucura porquê quis e se ferrou, agor o culpa; ou das leitoras, que o ofendem, por ele ser um cara trabalho, com regras de não se envolver, jogo aberto... EU REALMRNTE NÃO ENTENDO MAIS O MUNDO FEMININO: SÓ ELAS TEM O PIDER DE DECIFIR O QUÊ QUEREM, FAZEM; O QUÊ É CERTO; JULGAM????.... É MUITA ARROGÂNCIA, E DEPOIS, DIZEM QUE É DELE!!
A mulher não cuida de di, engravida sem querer como agora, e depois culpa o cara!!!.... Afiii.... Já pensou se ele tivesse lhe dado um remédio que a impedisse de ser mãe por toda vida, numa teanzada?????.. Como ela se sentiria??? O quê vcs diriam???.. Pois é exatamente isso que está acontecendo, só que ao contrário, ela lhe deu um remédio que o fará pai por toda vida, sem que ele pudesse decidir se queria, no susto!!!!!... É certo isso????... Porquê vocês culpam só a ele????... Realmente não entendo....
2025-01-27
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Maria Sena
Caracas, ah mermã, agora fudeu tudooooo. Se antes já não tava bom, agora vai piorar muito mais. Acho que você não devia ter aceito ir trabalhar com ele, foi precipitado.
2024-12-11
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