Dois dias depois...
O dia havia sido um inferno. Reuniões intermináveis, aliados reclamando, carregamentos atrasados. Meu humor já estava no limite, mas ao chegar na mansão, o único pensamento que tomou minha mente foi o carro dela na garagem. Stella.
Finalmente.
Subi as escadas com passos firmes, cada batida ecoando como o som de um relógio prestes a explodir. Ela tinha coragem, essa mulher. Dias fora, nenhum aviso, nenhuma mensagem. E agora estava de volta como se nada tivesse acontecido.
Abri a porta do quarto sem bater, sem hesitar. E lá estava ela. Sentada na cama com as pernas cruzadas, vestindo aquele maldito robe preto que me tirava qualquer traço de autocontrole. O tecido macio moldava seu corpo com perfeição, deixando as curvas expostas o suficiente para me provocar.
Ela estava concentrada no notebook, uma xícara de chá ao lado. Como se eu não estivesse ali, como se minha presença fosse insignificante.
— Onde você estava? — Minha voz saiu baixa, mas grave, carregada de autoridade.
Ela não levantou o rosto, continuou digitando como se eu fosse um mero incômodo. Calmamente, pegou a xícara e tomou um gole de chá, seus movimentos deliberados.
— É bom te ver também, Volkov. — A ironia pingava de sua voz.
O sangue ferveu nas minhas veias. Não consegui conter o passo largo que me levou até ela. Arranquei o notebook de suas mãos, jogando-o na mesa ao lado.
— Eu fiz uma pergunta, Stella. — Disse, me inclinando sobre ela. Meus olhos captaram cada detalhe: o jeito que seu peito subiu e desceu com a respiração, o brilho nos olhos que sempre me desafiava, a curva dos lábios que parecia destinada a me enlouquecer.
Ela ergueu o olhar finalmente, como se estivesse lidando com algo trivial. A postura relaxada era uma máscara, mas eu sabia que ela sentia minha presença como uma corrente elétrica.
— Não sabia que precisava pedir permissão para respirar. — Ela retrucou, a voz firme, mas com aquele toque suave que fazia meu desejo queimar ainda mais.
— Não brinque comigo, caçadora. — Aproximei meu rosto do dela, minha mão segurando firme a lateral da cama. — Dias fora, sem uma palavra, e agora age como se nada tivesse acontecido?
Ela deu um pequeno sorriso, aquele sorriso que dizia não vou te dar o que quer.
— Não achei que você fosse sentir minha falta. — Sua voz saiu baixa, quase provocativa, mas os olhos... ah, os olhos dela queriam uma guerra.
— Sentir sua falta? — Ri, um riso sombrio, enquanto minha mão segurava seu queixo, firme o suficiente para capturar sua atenção. — Você acha que pode fazer o que quiser, mas aqui... sob o meu teto... você segue minhas regras.
Ela ergueu o queixo, desafiadora, mesmo presa sob meu toque. — Eu não sigo as regras de ninguém, Volkov. Nem as suas.
Aquilo foi a faísca que eu precisava. Meu corpo agiu antes que minha mente pudesse questionar. Minha mão deslizou pelo tecido do robe, sentindo o calor da pele dela por baixo.
— É isso que me irrita em você, Stella. — Minha voz saiu baixa, carregada de desejo. — E é isso que me deixa louco. Essa teimosia, essa maldita boca desafiadora... Você provoca porque sabe que eu quero arrancar esse robe do seu corpo e lembrar a você exatamente quem está no comando.
Ela riu, uma risada curta, cheia de sarcasmo. — E você acha que eu me importo com o que você quer?
Minha resposta foi prática. Minha mão deslizou para a cintura dela, puxando-a para mais perto. Ela se contorceu, mas não recuou, e aquele olhar desafiador só me incendiava ainda mais.
— Você se importa mais do que quer admitir. — Murmurei, meu nariz roçando levemente o dela enquanto minha outra mão segurava sua nuca. — Você sente isso, Stella. Esse fogo, essa necessidade de me enfrentar... porque sabe que no fundo, você quer ceder. Quer parar de lutar.
Ela arfou, mas manteve o olhar firme, embora seus lábios entreabertos dissessem outra coisa.
— E o que você vai fazer? — Sussurrou, a voz carregada de desafio. — Me obrigar a ceder?
Eu ri baixo, meu polegar roçando sua mandíbula. — Não. Você vai fazer isso sozinha, porque sabe que não consegue resistir.
Minha boca capturou a dela com força, um beijo carregado de tudo que eu queria dizer, mas nunca diria. Era uma batalha de vontades, como sempre, mas desta vez, ela não tentou fugir. Não de verdade.
Stella cedeu por um momento, e quando minhas mãos desceram pelas curvas do seu corpo, senti o arrepio que percorreu sua pele. Mas, como sempre, ela soube o momento certo para recuar.
Empurrou meu peito com força, o olhar faiscando. — Você está jogando com fogo, Volkov.
Eu sorri, passando a língua pelos lábios ainda com o gosto dela. — E você, Stella, está brincando com um incêndio.
Antes que eu pudesse sair, a voz dela cortou o silêncio como uma lâmina, fria e direta:
— Foi por isso que mandou seus homens atacarem minha casa?
Parei no mesmo instante, o peso da pergunta pairando no ar como uma tempestade iminente. Me virei lentamente, meu olhar encontrando o dela. Ela estava imóvel, sentada na beira da cama, mas seus olhos... aqueles olhos carregavam a mesma intensidade que sempre me atraía e me desafiava.
Por um instante, apenas a encarei, tentando medir até onde ela sabia. Stella era uma caçadora nata, mas essa pergunta... essa pergunta mostrava que ela tinha descoberto mais do que eu esperava.
— E se eu disser que sim? — Minha voz saiu baixa, um tanto provocativa.
Ela inclinou a cabeça ligeiramente, o semblante inexpressivo, mas seus dedos brincavam com o tecido do robe, um movimento quase imperceptível, mas que me dizia que ela estava controlando suas emoções.
— Então você é mais previsível do que eu pensava. — Respondeu, a voz gélida, quase desinteressada.
Dei alguns passos em direção a ela, cruzando os braços enquanto avaliava cada detalhe de sua postura. Stella sempre se comportava como se fosse impenetrável, como se nada a atingisse, mas eu sabia como reconhecer quando estava prestes a explodir.
— Você acha que foi um ataque real? Acha que eu colocaria sua vida em risco sem motivo?
Ela riu, uma risada seca, sem humor. — Eu acho que você faz exatamente o que é conveniente para você. Seja manipular pessoas, controlar aliados ou me atrair para esse lugar.
Dei um passo ainda mais próximo, agora perto o suficiente para sentir o perfume dela.
— E funcionou, não é? Você está aqui. Na minha casa, no meu território. Trabalhando comigo. Ou é isso o que você quer que eu pense?
Seus lábios se curvaram em um sorriso pequeno, desafiador. — Você nunca sabe o que estou pensando, Senhor da Noite. E esse é o seu problema.
Por um momento, ficamos ali, presos naquele jogo silencioso. Eu podia ver que ela queria mais respostas, mas Stella jamais admitiria isso em voz alta.
— Então você já sabia. — Concluí, estreitando os olhos. — Sobre o ataque. Você só queria me ouvir dizer.
Ela deu de ombros, aquele gesto casual que sempre me irritava e me fascinava.
— Já imaginei, sim. Você não é o tipo de homem que deixa coisas ao acaso. Nada no que você faz é impulsivo. — Ela levantou os olhos para mim, o olhar afiado como uma lâmina. — Mas isso não significa que confio em você.
Aquilo me fez sorrir, um sorriso perigoso, quase divertido.
— E você acha que confio em você, caçadora?
Ela arqueou a sobrancelha, como se quisesse rir da minha pergunta. — Não. E é exatamente assim que deve ser.
Eu me inclinei para ela, minha mão pousando no braço da poltrona ao lado, invadindo o espaço dela de propósito.
— Confiança é superestimada. Prefiro lealdade. E você, Stella, é a coisa mais imprevisível que já tive sob meu teto. É isso que me mantém interessado. E alerta.
Ela não recuou, claro. Apenas me encarou, o brilho desafiador em seus olhos queimando como sempre.
— E é por isso que você nunca vai me controlar, Volkov. Porque no fundo, você sabe que eu também sou perigosa.
Ela podia ser perigosa, sim, mas eu era um homem que vivia no limite do caos. E Stella Montague, ou seja lá quem ela fosse, era o caos perfeito para mim.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Maria Cruz
Olha só uma batalha de gladiadores
Senhor da noite X Caçadora 👏🏼❤️🤩💃💃
2025-03-28
0
Vania Lucia
Mas que duelo quem será o vencedor ou vencedores
2025-03-02
2
Marcia Valéria
Doidos pra se comerem!
2025-03-01
1