Na manhã seguinte, antes mesmo de o café esfriar na xícara sobre minha mesa, o telefone tocou. A voz do meu informante era baixa e apressada, cada palavra trazendo um peso que eu já esperava:
— Solovyov moveu as peças dele, senhor. Seus homens roubaram o carregamento que ia para os Estados Unidos.
Um silêncio breve se formou enquanto eu digeria a informação. Era um jogo perigoso que ele acabara de iniciar, mas não era inesperado. Solovyov estava ficando ousado desde que Dmitri, o último dos traidores da minha linhagem, tinha encontrado seu fim. Claro, ele sabia que fui eu. Não era segredo.
— Entendido. — Foi tudo o que eu disse antes de desligar.
Meus olhos recaíram sobre os papéis em minha mesa, mas minha mente já estava em outro lugar. Dmitri estava riscado da minha lista, e agora era a vez de Solovyov. No entanto, não seria simples. Ele era um líder experiente, rodeado por homens leais e bem armados. A questão era: como eliminar o homem sem colocar Stella em risco?
Não era a primeira vez que pensei nisso. Algo dentro de mim relutava em usá-la para trabalhos como esse, mas eu não sabia dizer por quê. Frustração talvez? Instinto? Não importava. Chamei por ela.
Ela entrou no cômodo com passos firmes, como sempre, os olhos fixos em mim, aguardando instruções.
— Solovyov. — Comecei, sem rodeios. — Ele cometeu um erro. Seus homens roubaram o carregamento destinado aos Estados Unidos.
Stella encostou-se à mesa, cruzando os braços, uma sobrancelha arqueada.
— Parece que ele está cansado de viver, não é?
Sorri de canto. Gosto do modo direto dela.
— Preciso que ele seja eliminado. — Passei o envelope sobre a mesa em sua direção. — Aqui estão as informações que tenho. Localizações possíveis, rotas de fuga, a casa onde ele costuma se esconder.
Ela pegou o envelope, mas não abriu de imediato. Seus olhos me analisaram por um momento.
— Você tem certeza de que ele merece morrer?
Minha expressão endureceu.
— Ele roubou de mim, desafiou o meu nome, e está protegendo o legado de Dmitri. Você acha que ele não merece?
— Eu só quero ter certeza. — Ela abriu o envelope, folheando as informações. — Eu não mato ninguém às cegas, Volkov. Preciso confirmar tudo isso.
Concordei com um leve movimento de cabeça, reconhecendo sua ética, mesmo que ela me incomodasse em situações como esta.
— Faça o que precisar. Mas não demore.
Ela assentiu e se retirou, já com o celular na mão.
Stella, ao telefone
A voz de Sasha ecoou do outro lado da linha, calma, como sempre.
— Sasha, preciso de tudo sobre Ivan Solovyov. Histórico, movimentações, quem são os homens dele e onde ele costuma se esconder. — A voz de Stella era direta, sem espaço para rodeios.
— Entendido. Vou começar agora.
Depois que ela saiu, voltei ao trabalho, mas a inquietação me acompanhava. Algo estava fora do lugar, algo que eu não sabia definir. Sacudi o pensamento. Era hora de agir.
— Mikhail! — Chamei meu homem de confiança.
Ele entrou rapidamente, a expressão séria.
— Vamos ao depósito. Precisamos enviar um novo carregamento o mais rápido possível. E reforcem a segurança desta vez. Quero atiradores nas entradas principais.
— Sim, senhor.
Com Mikhail ao meu lado e um grupo de homens armados, saímos para o depósito. O cheiro de óleo e metal preencheu o ar assim que chegamos. As operações estavam em andamento, mas a tensão era palpável.
— Quero tudo pronto em menos de duas horas. — Ordenei, caminhando entre as caixas empilhadas. — Não podemos nos dar ao luxo de mais atrasos.
Enquanto supervisionava, minha mente vagava, voltando para Stella. Eu sabia que ela estava certa em querer verificar as informações, mas algo em Solovyov me dizia que o tempo estava contra nós.
Eu só esperava que ela terminasse antes que ele percebesse o quão perto estávamos de eliminá-lo.
A noite era o meu território. O lugar onde eu me sentia mais viva, mais em casa. As sombras me envolviam, protegiam, e eu sabia como usá-las. Não era só o silêncio que me atraía, era a sensação de estar no controle, de que ninguém poderia me alcançar se eu não quisesse.
Com tudo preparado, desci as escadas da mansão em silêncio, como sempre. Meus passos eram calculados, leves, invisíveis. Mas assim que alcancei o carro, senti aquele arrepio familiar. Não era o vento, nem um pressentimento. Era ele.
— Vai mesmo sair sem dizer nada? — A voz de Viktor veio baixa e calma, mas carregada daquele tom que ele usava para testar limites.
Ele estava encostado no meu carro, como se tivesse todo o tempo do mundo. A postura relaxada era uma mentira. Eu sabia que cada músculo daquele corpo estava pronto para reagir ao menor movimento meu.
— Já nos falamos sobre isso, Volkov. Meus trabalhos, minhas regras. — Cruzei os braços, encarando-o.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido, mas firme.
— Quero meus homens com você. Esse alvo não é qualquer um.
Suspirei, exasperada.
— Eu trabalho sozinha. Sempre trabalhei. Não vou começar a mudar isso agora porque você quer.
— Não estou pedindo, Stella. Estou ordenando.
Eu me aproximei, meu olhar fixo no dele.
— Ordenando? — Minha voz saiu fria, carregada de sarcasmo. — Se acha que pode me dar ordens, Volkov, sugiro que lembre do nosso acordo. Você me contratou porque eu sou a melhor. E a melhor não precisa de babás.
Ele inclinou a cabeça, analisando-me. A tensão entre nós era quase palpável, mas não havia raiva. Apenas aquele jogo de vontades que parecia nos envolver sempre que estávamos frente a frente.
— Você é teimosa, Stella.
— E você é irritante.
Ele riu, um som baixo e rouco que só aumentou minha irritação.
— Faça do seu jeito, então. Mas, se algo der errado... — Ele deixou a frase no ar, mas não precisei que ele terminasse. Eu sabia o que significava.
— Se algo der errado, eu resolvo. Como sempre.
Sem dizer mais nada, entrei no carro e saí, sentindo os olhos dele me seguindo enquanto eu desaparecia na noite.
...----------------...
A casa da amante era um pequeno refúgio cercado por árvores altas, discreta o suficiente para não atrair atenção, mas ainda assim bem protegida. Não era minha primeira vez lidando com seguranças de mafiosos, e provavelmente não seria a última. Eles achavam que números eram tudo. Eu sabia que inteligência sempre vencia.
Me posicionei em um galho alto, de onde podia observar a entrada principal. A mulher havia acabado de chegar, e os seguranças começaram a se movimentar. O alvo, Yuri Solovyov, chegaria em breve. Era sempre assim: ele vinha para um encontro rápido, confiando que sua pequena fortaleza o protegeria.
Armei minha mira de longo alcance, ajustando cada detalhe com precisão. Meus dedos estavam firmes, meu coração calmo. Yuri entrou na casa como previsto, acompanhado por mais dois homens.
Esperei. A paciência era uma virtude que poucos assassinos possuíam, mas eu tinha de sobra. Quando ele finalmente ficou visível na sala da frente, meus dedos se posicionaram no gatilho.
"Agora", pensei.
Mas antes que pudesse disparar, ouvi o clique de uma arma atrás de mim.
— Solte isso, devushka(garota), ou sua cabeça explode.
Merda. Dei um sorriso tenso, largando a arma lentamente, enquanto meus olhos procuravam saídas. Mais homens apareceram, cercando-me. Eu me movi rápido, minha faca deslizando pela mão do primeiro que se aproximou. Um grito. O caos começou.
Lutei com tudo. Chutes, socos, lâminas e tiros. Três caíram antes que os outros reagissem, mas eles eram muitos.
No final, eles me dominaram. Minhas armas foram tiradas, e fui forçada ao chão, mãos algemadas nas costas.
Enquanto me arrastavam para dentro da casa, Yuri Solovyov apareceu, um sorriso satisfeito no rosto.
— Stella... Ouvi falar de você. — Ele se aproximou, analisando-me como se eu fosse algum troféu raro. — Você realmente achou que seria tão fácil?
— Mais fácil do que lidar com o seu hálito. — Cuspi, recebendo um tapa violento como resposta.
Fui jogada em uma cadeira, sangue escorrendo do canto da minha boca. A noite ainda não havia acabado. Se eles achavam que haviam me vencido, estavam terrivelmente enganados.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Maria Cruz
Mulher da porra vc Stella, se fosse eu já estava chorando com esse tapa 🫣😅😅😅😅😅
2025-03-26
0
Silvania David Moreira
acho q ela se acha demais e não é essas coisas toda não
2025-02-24
2
Beatriz Ferraz
Pra quem é a melhor ela vacila demais
2025-02-16
9