No silêncio do carro, o gelo tilintava no copo de cristal que eu segurava, misturando-se ao som abafado do motor. Bebia lentamente, saboreando o uísque envelhecido como um prêmio, enquanto minha mente estava longe dali.
Stella.
Ela não saía da minha cabeça. Uma peça rara, moldada pelo caos e pela sobrevivência. Cada movimento dela era uma obra de precisão, como se o mundo fosse um tabuleiro e ela soubesse exatamente onde posicionar cada peça.
A maioria das pessoas me encarava com medo ou submissão. Stella, não. Ela olhava para mim como se quisesse me desmontar, entender o que me fazia funcionar. E, de um jeito perturbador, eu gostava disso.
– Senhor Volkov – a voz de Mikhail, meu segurança, cortou meus pensamentos. Ele estava sentado ao meu lado, a expressão séria como sempre. – Ela é perigosa.
Ri baixo, girando o copo na mão enquanto observava o líquido dourado.
– Todos que valem algo são perigosos, Mikhail. Stella não é exceção. Mas ela pode ser útil.
– E se ela te trair?
Virei-me para ele, um sorriso de canto se formando em meu rosto.
– Então, eu lido com isso. Mas, por enquanto, ela está jogando no meu tabuleiro. E eu gosto de adversários que sabem jogar.
Mikhail assentiu, embora sua expressão deixasse claro que não compartilhava minha confiança. Ele era leal, um soldado fiel, mas nunca entendeu minha inclinação por riscos calculados.
O carro desacelerou ao chegar aos portões da minha mansão. As luzes altas iluminaram a entrada imponente, ladeada por estátuas de mármore e jardins perfeitamente aparados. Minha casa era uma fortaleza, um símbolo do meu controle absoluto.
Desci do carro com o copo ainda na mão, inspirando o ar fresco da noite. Stella continuava a ocupar meus pensamentos, mas havia outros assuntos a tratar.
O salão principal estava iluminado quando entrei. Em torno da longa mesa de mármore negro, homens aguardavam minha chegada. Representantes de famílias aliadas e peças importantes do meu império. Negócios eram a espinha dorsal do que construí, e eu não tolerava falhas.
Sentei-me na ponta da mesa, ajustando os punhos do terno enquanto o silêncio tomava conta da sala.
– Vamos começar.
Pavel, meu contador-chefe, foi o primeiro a falar. Ele apresentou os números, destacando os lucros recentes e as operações em andamento. Tudo parecia estável, exceto por um problema no leste.
– O chefe de logística na região está perdendo o controle – informou Pavel, deslizando relatórios pela mesa. – Os atrasos aumentaram, e os lucros caíram em 15%.
Inclinei-me para frente, analisando os números.
– Quem está liderando a concorrência?
– A família Orlov – respondeu Pavel, visivelmente cauteloso. – Eles expandiram suas rotas e começaram a atrair nossos clientes.
Meu olhar endureceu ao ouvir o nome.
– Orlovs – murmurei, cruzando os dedos. – Eles não estão apenas tomando rotas. Estão testando minha paciência.
O ambiente ficou mais pesado. Todos sabiam o que acontecia quando minha paciência era testada.
Olhei para Mikhail, que permanecia em pé ao meu lado.
– Quero todos os dados sobre as operações deles. Armazéns, rotas, contatos. Descubra onde estão mais vulneráveis.
Mikhail assentiu.
– E quanto ao chefe de logística?
A irritação em sua voz era evidente, refletindo o que eu mesmo sentia. Não havia espaço para incompetência no meu império.
– Substitua-o – ordenei. – Coloque alguém que saiba o que está fazendo. E envie uma mensagem aos Orlovs. Algo que não possam ignorar.
Pavel limpou a garganta, hesitando antes de continuar.
– Senhor Volkov, os parceiros no sul também estão pedindo uma porcentagem maior...
Minha risada foi curta, quase desdenhosa.
– Eles querem mais, mas não fizeram nada para merecer.
Olhei para cada homem ao redor da mesa, avaliando suas expressões.
– Negociem, mas deixem claro: quem quiser mais terá que provar seu valor. Se acharem que podem me pressionar, que tentem. Não haverá segunda chance.
Quando a reunião terminou, permaneci sentado à mesa, enquanto o salão esvaziava lentamente. A fumaça de um charuto preenchia o ar, e o silêncio voltava, familiar e reconfortante.
Pensei naquela maldita mulher novamente. No desafio em seus olhos, na maneira como ela enfrentava tudo e todos, como se fosse intocável. Eu sabia que ela não era leal a ninguém além de si mesma.
Mas isso não me incomodava. Na verdade, tornava tudo mais interessante. Lealdade, para mim, era apenas outra moeda, e eu estava disposto a pagar o preço necessário para mantê-la no jogo.
Viktor Volkov nunca perdia. E, desta vez, faria questão de garantir que até a caçadora entendesse isso.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Elenilda Soares
autora mulher você arrasou demais parabéns
2025-02-22
6
Áurea dias Dias
amando a história autora lindaaaaa
2025-03-03
1
Andressa Silva
maravilha 😌😻😻
2025-02-23
1