Eu ainda estava em choque. O que Viktor fez na noite passada foi uma invasão de espaço, de vontade, de tudo. Mas o que me irritava mais era a minha própria reação. Pela primeira vez, senti algo que não deveria. Não era medo, não era ódio. Era... outra coisa.
"Quem ele pensa que é para me tocar assim? Me beijar assim?"
Ainda sentia o gosto dele, e isso me deixava furiosa.
Na manhã seguinte, saí cedo. Peguei minha arma e fui terminar um trabalho inacabado. Nada como um alvo para apagar pensamentos inconvenientes. Yuri Salovyov precisava morrer.
Dirigi até uma estrada deserta onde sabia que ele passaria. Era uma via discreta, cercada por árvores. Perfeita para uma emboscada.
Passei horas preparando tudo. Posicionei armadilhas com pregos para furar os pneus dos carros. Me escondi em uma colina próxima, o rifle pronto. Era só esperar.
O sol já estava se pondo quando vi dois SUVs pretos surgirem ao longe. A adrenalina subiu, mas minha respiração continuava calma e controlada. "Concentre-se", pensei.
Quando os carros passaram pelas armadilhas, ouvi os pneus estourarem. Ambos derraparam até parar no meio da estrada. Homens armados começaram a sair, confusos e alertas.
"Hora de começar."
Apertei o gatilho do rifle, eliminando os seguranças um por um. Cabeças explodindo como melancias.
Quando o caos se instalou, larguei o rifle e desci a colina com minhas pistolas. Os poucos homens que sobraram tentaram reagir, mas minha precisão os derrubou antes que sequer pudessem mirar.
Cheguei ao primeiro SUV, verificando rapidamente os corpos, depois fui até o segundo. Yuri Salovyov estava no banco de trás, encurralado.
— Saia. — Minha voz era firme, gélida.
Ele hesitou, mas sabia que não tinha escolha. Saiu do carro com as mãos levantadas.
— Ajoelhe-se. — Ordenei, apontando a arma para ele.
Yuri se ajoelhou, o sorriso debochado no rosto, mesmo suando de medo.
— Você venceu, Stella— Ele começou, a voz carregada de veneno. — Tão bonita e letal. Que combinação perigosa.
— Cale a boca. — Rosnei, pressionando a arma contra a testa dele.
— Viktor sabe quem você é? — Ele perguntou, ignorando minha ordem. — Não sabe, não é?
Não respondi, mas meu dedo se apertou mais no gatilho.
— Quando ele descobrir... — Yuri riu baixinho. — Ele vai te matar. Assim como matou todos que o traíram.
Antes que ele pudesse dizer mais uma palavra, puxei o gatilho. O som do tiro ecoou pela estrada deserta enquanto Yuri caía morto aos meus pés.
— Idiota. — Sussurrei, guardando a arma.
O cheiro de ferro no galpão era quase sufocante, mas eu já estava acostumado. O traidor pendurado pelo tornozelo gritava enquanto balançava no ar. Dois dos meus homens seguravam barras de ferro ensanguentadas.
— Onde está o restante das armas? — Perguntei, minha voz fria.
O homem engasgou com o sangue na boca, tossindo desesperadamente.
— Eu... eu não sei! Não fui eu, eu juro!
Mikhail me entregou minha arma.
— Sabe qual é a única coisa que odeio mais do que ladrões? — Falei, apontando a pistola para a perna dele. — Mentirosos.
Antes que ele pudesse se defender, atirei no joelho dele. O grito que saiu foi quase inumano.
— Eu vou perguntar de novo. Onde está o restante das armas?
— Está... está com o Solovyov! — Ele finalmente confessou. — Eles dividiram o carregamento entre dois depósitos!
— Bons olhos. — Falei, sinalizando para que meus homens terminassem o serviço.
Virei as costas enquanto os gritos dele eram silenciados. Mikhail veio ao meu lado, um olhar cauteloso no rosto.
— Alguma notícia da Stella? — Perguntei, sem disfarçar a irritação.
— Não, senhor. Ninguém a viu sair.
Cerrei os punhos, minha paciência no limite.
— Essa mulher... — Sibilei. — Quantas vezes vou ter que dizer que ela não age sozinha?
Mikhail hesitou antes de responder.
— Ela é teimosa, chefe. Não aceita ordens facilmente.
— Eu percebi. — Minha voz estava baixa, mas o perigo nela era evidente. — Mas dessa vez, se ela se machucar de novo...
Engoli as palavras, incapaz de admitir o que realmente estava pensando.
— Reúna os homens. Vamos encontrá-la.
Mikhail me olhou surpreso, mas assentiu rapidamente.
Enquanto ele saía para reunir o grupo, me permiti um momento de reflexão. Stella era uma contratada, uma assassina como tantas outras. Então por que eu estava me importando tanto?
O peso de um dia difícil parecia diminuir no momento em que vi Stella caminhando em direção ao meu carro. Sua figura estava envolta em uma aura de mistério, e o rifle no ombro apenas reforçava a sensação de que ela era uma força imparável. O cheiro de pólvora e sangue ainda estava impregnado nela. Meu alívio foi imediato, mas, ao mesmo tempo, uma vontade insana de ir até ela, pegá-la nos meus braços e arrastá-la para a cama e dá-lhe uns bons tapas me consumiu.
Caminhei até ela com passos pesados, a raiva de vê-la agir sozinha se transformando rapidamente em algo mais. Ela me olhou calmamente, sem pressa, sem medo, e estendeu a mão, entregando-me algo.
Um dedo. O dedo de Yuri Salovyov.
— O segundo nome já foi riscado, Volkov.
O sorriso dela era calculado, provocante, e aquele sorriso... não pude deixar de senti-lo como um golpe no meu ego. A raiva que estava se acumulando em mim se dissipou, mas não de uma forma tranquila. Agora, eu sabia o que precisava fazer. Ela tinha completado a tarefa, mas as consequências dela se arrastariam.
— Vamos. — Disse, tentando disfarçar minha frustração, mas sem conseguir esconder o alívio que sentia. Virei rapidamente e segui para o carro, com ela vindo atrás de mim.
— Temos um jantar de negócios com uma família aliada. Eles querem que minha "noiva" esteja comigo. — Comentei, tentando manter o tom sério, mas havia uma tensão no ar que não conseguia ignorar.
Ela arqueou uma sobrancelha, seu rosto impassível.
— Eu pensei que só manteríamos essa mentira na frente da sua família... — Ela respondeu, a voz baixa, mas direta.
— As notícias se espalham, Stella.— Eu disse, jogando a verdade no ar sem mais rodeios. — Para todos você é minha noiva.
Ela resmungou algo sobre pagar o que era combinado, mas não parecia muito entusiasmada com a ideia. Para ela, tudo se resumia a isso: o pagamento. Eu não me importava, afinal, era um jogo. Mas, de algum jeito, tinha algo ali que mexia comigo, mesmo que eu não conseguisse identificar o que exatamente.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Vanda Farias de Oliveira
Então a Stella é o Viktor não sabem o que está rolando entre eles, ok vou cantar pra eles "E o amor que mexe com minha cabeça e me deixa assim faz pensar e esquecer de mim ..." /Angry//Angry//Angry//Angry//Angry/
2025-02-23
9
Gabi Ramos
amado, nem a gente sabe ainda....e olha que lemos os pensamentos dela 😂🤣
2025-02-21
5
Renascida das cinzas
vishhh... tem treta aí... será que foi ela quem matou o pai dele????
2025-02-11
6