CAPÍTULO 9

Cheguei ao ponto de encontro, um galpão abandonado nos limites da cidade. A área era deserta, mas cheia de possibilidades para emboscadas. Saí do carro com a maleta de equipamento em mãos e o olhar atento a qualquer movimento. Três homens esperavam do lado de fora, amigos de Luke. Não eram estranhos para mim, mas nunca os considerei aliados. Trabalhávamos juntos apenas quando necessário.

— Você veio. — Disse Ryan, um sujeito alto, com cicatrizes no rosto e uma espingarda pendurada nas costas.

— Não faço isso por você. — Respondi friamente, ajustando o casaco.

— Nós sabemos. — Ele soltou uma risada nervosa, mas logo ficou sério. — Luke está sendo mantido em um armazém a dois quarteirões daqui. São pelo menos quinze homens armados, talvez mais. Eles estão exigindo informações que Luke não tem.

— E quanto tempo ele ainda tem? — Perguntei, abrindo a maleta e começando a montar o rifle de precisão.

— Algumas horas, no máximo. — Ryan trocou um olhar rápido com os outros dois homens, todos claramente ansiosos.

— Certo. Aqui está o plano. — Apontei para o mapa do armazém que eles haviam trazido. — Ryan, você e Travis vão entrar pelos fundos. Distração apenas, quero que eles pensem que o ataque principal vem por aí. Logan, você vem comigo. Vamos subir no telhado do prédio ao lado e dar cobertura.

— E depois? — Perguntou Logan, um sujeito mais jovem, mas claramente experiente.

— Depois? Eu entro e tiro Luke de lá. Vocês mantêm o fogo longe de nós.

Eles assentiram, nervosos, mas determinados. Ryan deu um leve sorriso de canto.

— Sempre tão confiante. Espero que não tenhamos que tirar você de lá também.

— Se eu precisar de ajuda, Ryan, já estaremos mortos.

Ele riu baixinho, mas o humor morreu rápido.

O ar estava denso, carregado com o cheiro de ferrugem e óleo. Do alto do prédio vizinho, deitei-me no chão frio e ajustei a luneta do rifle. Pude ver pelo vidro sujo do armazém as figuras dos traficantes, vagando despreocupadas. Luke estava amarrado a uma cadeira no centro, ensanguentado, mas consciente.

— Ryan, posição? — Perguntei pelo rádio.

— Nos fundos, prontos para causar uma confusão.

— Ótimo. No meu sinal.

Mirei no primeiro guarda, um homem corpulento perto da entrada principal, segurando um fuzil. Respirei fundo, ajustei o foco e disparei. O som do tiro abafado pelo silenciador foi seguido pelo corpo caindo no chão.

— Vai! — Ordenei.

Ryan e Travis arrombaram a porta dos fundos, e o som de tiros ecoou no armazém. Lá dentro, os homens se agitaram, gritando ordens e correndo para se defender. A confusão era o que eu precisava.

— Logan, cubra a entrada principal. Vou descer.

— Entendido.

Desci rapidamente pelo lado do prédio, usando uma corda que havia fixado antes. Quando alcancei o chão, tirei o revólver do coldre e avancei com passos leves e calculados.

O caos dentro do armazém era perfeito. Os traficantes estavam concentrados em responder ao ataque pelos fundos, sem perceber minha aproximação. Um deles passou perto demais, e antes que pudesse reagir, silenciei-o com um tiro preciso na cabeça.

Aproximei-me de Luke, que ergueu os olhos inchados para me encarar.

— Stella? Nunca pensei que você ainda pensava em mim. — Ele tentou sorrir, mas estava fraco demais.

— Cale a boca, Luke. Estou salvando sua vida. — Cortei as cordas rapidamente, mas antes que pudéssemos sair, mais dois homens surgiram.

Eles gritaram, levantando suas armas, mas antes que pudessem atirar, Ryan e Travis entraram pela lateral, disparando contra eles.

— Movimento! — Gritou Ryan.

— Vamos, Luke! — Puxei-o para cima, ele cambaleou, mas conseguiu andar.

Saímos do armazém enquanto os outros continuavam trocando tiros com os traficantes restantes. Quando alcançamos o carro, joguei Luke no banco de trás e me virei para Ryan.

— Dêem conta do resto. Eu levo ele daqui.

Depois de deixar Luke no lugar seguro que ele indicou, afastei-me sem olhar para trás.

— Obrigado, Stella. — Ele chamou, a voz carregada de um cansaço que ia além das feridas. — Você salvou minha vida. Não vou esquecer disso.

— Só não me procure de novo. — Respondi sem emoção, ajeitando o casaco antes de entrar no carro. Ele parecia querer dizer algo mais, mas hesitou.

Arranquei com o carro, deixando a poeira e qualquer resquício do passado para trás. Luke sabia o que nossa vida significava. Não havia espaço para reconciliações ou sentimentalismos.

Quando cheguei à mansão Volkov, o relógio já marcava bem depois da meia-noite. A casa estava mergulhada no silêncio. Estacionei o carro e entrei sem fazer barulho. Era quase instintivo me mover como uma sombra, uma habilidade que adquiri ao longo dos anos.

No quarto, tirei as roupas cobertas de poeira e cheiro de metal, indo direto para o banho. A água quente deslizou sobre minha pele, lavando não apenas a sujeira, mas também as lembranças de uma noite que eu preferia esquecer.

Depois de me vestir com algo simples,uma camiseta preta e calça confortável, desci até a cozinha. Minha fome era tão forte quanto o desejo de silêncio. Mas, ao entrar no cômodo, percebi que não estava sozinha.

Viktor estava lá, encostado na bancada, como uma figura de um pesadelo elegante. Sua postura relaxada não enganava; ele era um predador observando sua presa.

Sem me virar, comecei a abrir os armários à procura de algo para comer.

— Vai ficar aí me olhando? — Perguntei, quebrando o silêncio com um tom casual, embora soubesse exatamente o que fazia.

— Talvez. — Ele respondeu, o sorriso perigoso visível em sua voz.

Peguei um prato com sobras de algum jantar que os empregados haviam deixado na geladeira. Sentei-me à mesa, fingindo ignorar o olhar dele. Mas ele não ficou parado por muito tempo. Em poucos passos, Viktor estava à minha frente, sentando-se do outro lado da mesa.

— Parece que você anda quebrando nosso acordo. — Ele começou, seus olhos como lâminas analisando cada detalhe do meu rosto.

— Foi necessário. — Respondi com tranquilidade, mastigando devagar.

— Necessário? — Ele arqueou uma sobrancelha, inclinando-se um pouco mais para frente. — Lembra do acordo? Exclusividade.

— Não vou discutir ética profissional com você, Volkov. — Retruquei, estreitando os olhos. — Nem todos os trabalhos podem esperar.

Ele sorriu, um gesto que deveria ser cínico, mas tinha algo quase genuíno.

— Não é a ética que me preocupa, mas sua lealdade.

— Minha lealdade está onde o dinheiro está. Não me leve a mal, mas não é algo que eu entrego de graça.

Por um momento, o ar entre nós ficou pesado. Não era só tensão. Era algo mais perigoso, mais complicado. Ele pegou uma maçã da mesa e o mordeu, como se aquilo fosse apenas uma conversa casual.

— Você tem um talento especial para testar limites, Stella.

— E você para falar em enigmas. — Retruquei, inclinando-me para trás na cadeira, mantendo-o sob meu olhar calculado.

Ele riu baixo, balançando a cabeça.

— Vou mudar de assunto, então. Preciso de você para algo... diferente.

— Diferente como? — Cruzei os braços, desconfiada.

— Quero que você me acompanhe a um jantar na casa da minha família.

Ri de imediato, sem conseguir evitar.

— Não sabia que você era tão tradicional, Viktor.

— Minha família está longe de ser tradicional. — Ele respondeu, sério, mas com um brilho divertido nos olhos. — Na verdade, eles são meus maiores inimigos. E esse jantar... digamos que não será seguro.

— E você quer que eu vá como sua segurança? — Perguntei, descrente.

— Preciso de alguém que saiba improvisar se as coisas derem errado. Não confio em ninguém para isso.

Inclinei a cabeça, avaliando a proposta. Era arriscado, mas a ideia de estar no meio da família de Viktor era intrigante, para dizer o mínimo.

— Tudo bem. Eu vou. — Disse finalmente, com um leve sorriso.

— Ótimo. — Ele se levantou, jogando o guardanapo sobre a mesa.

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Comments

Mônica Wachholz

Mônica Wachholz

querida Valpi já lestes outras obras dessa maravilha de escritora? acredito que não, pois saberias que HADASSA é ótima na imaginação,leia as outras obras dela para sentir que não sentirás tédio ao ler

2025-03-05

1

Ana Lúcia De Oliveira

Ana Lúcia De Oliveira

Desculpa Valpi, mas acredito que você não costuma ler os livros da autora em questão, os livros dela nunca são chatinhos.

2025-02-13

8

Maria Cruz

Maria Cruz

Epaaa eu sabia que ele ia dar um jeito de levar ela junto no jantar do covil de cobras 🐍 🤗Quero dizer jantar de família ops 🫢🫣😅😅😅😅😅!!!

2025-03-26

0

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