Meu nome é Viktor Volkov. Para muitos, sou o Senhor da Noite. Para outros, sou um demônio disfarçado de homem. Gosto de pensar que sou ambos. Não porque gosto de títulos ou de ostentar poder, mas porque o medo é a única moeda universal. E eu a possuo em abundância.
Minha família chegou à Rússia como ninguém. Pobres, irrelevantes, sobrevivendo às margens da sociedade. Mas sobrevivemos porque somos implacáveis. Primeiro meu pai, depois meu irmão mais velho, e então eu. Aos 27 anos, com as mãos sujas de sangue, eu assumi o comando da máfia Volkov. Hoje, aos 39, controlo um império que se estende por três continentes.
E o segredo do poder? Não confiar em ninguém. Especialmente na família.
Viktor volkov
A máfia é construída sobre laços de sangue, mas esses laços são os primeiros a serem cortados quando o trono está em jogo. Meus inimigos externos são óbvios, previsíveis até. Eles conspiram contra mim com contratos e armas, mas são amadores comparados aos inimigos que compartilham meu sobrenome.
Meu irmão mais novo, Vladimir, tenta esconder o ciúme que escorre pelos olhos. Ele nunca diria abertamente, mas quer o que eu tenho. Minha prima, Alina, é um gênio das finanças, mas sei que ela já desviou milhões para criar sua própria base de poder. Até mesmo minha mãe, uma mulher velha e religiosa, diz que reza por mim, mas eu sei que ela reza pela minha queda.
No fundo, estou sozinho. Sempre estive. Mas é assim que prefiro.
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Na noite do leilão, eu sabia que algo estava errado. É instinto. Quando você sobrevive por tanto tempo neste mundo, aprende a ler os sinais. A tensão no ar, os olhares hesitantes, o tipo de silêncio que precede o caos.
Enquanto bebia minha taça de vinho e conversava com um senador corrupto, senti o peso de olhos fixos em mim. Não do salão, mas de algum lugar acima, além do alcance imediato.
"Um atirador", pensei, sentindo o arrepio percorrer minha espinha. Não era a primeira vez, e certamente não seria a última.
Continuei sorrindo, mantendo a aparência de calma. Isso também é uma arma. Mas no instante em que percebi o brilho de um ponto distante — algo refletindo na janela do edifício em construção a algumas quadras dali —, soube que era o momento.
Quando o tiro veio, eu já estava em movimento. Agarrar a mulher ao meu lado foi uma decisão calculada, fria. Ela era irrelevante, uma peça descartável. O som do disparo preencheu o salão, seguido pelos gritos.
Enquanto ela caía, ferida mas viva, olhei diretamente para onde o atirador estava. Mesmo à distância, mesmo com a escuridão entre nós, senti que nossos olhos se cruzaram.
"Quem quer que você seja, acabou de cometer o maior erro da sua vida."
Depois do ataque, o caos se espalhou rapidamente pelo salão. Gente correndo, seguranças gritando, e eu? Apenas permaneci ali, firme, como uma rocha.
— Fechem o salão. Quero todos os convidados revistados antes de saírem — ordenei, minha voz cortando o barulho como uma lâmina.
Mikhail, meu braço direito, se aproximou com o rosto tenso.
— Viktor, já verificamos o ponto do disparo. Foi do prédio em construção na rua principal. O atirador fugiu.
Olhei para ele, sem esconder meu desagrado.
— "Fugiu"? Essa palavra não deveria existir no seu vocabulário, Mikhail.
— Faremos uma busca imediata. Ninguém que tente te matar escapa, senhor.
— Não se trata de quem tentou me matar. Se fosse um amador, estaria morto agora. Isso foi planejado. Inteligente. Frio. Profissional.
Enquanto ele processava o peso das minhas palavras, peguei meu celular e disquei um número.
— Yelena, quero um relatório sobre qualquer assassino de aluguel ativo na região. Foco em estrangeiros ou nomes desconhecidos. Preciso disso em uma hora.
Desliguei antes que ela pudesse responder.
— Quero homens vasculhando a cidade. Foco no perímetro ao redor do prédio. Roupas descartadas, veículos abandonados, câmeras. Quem quer que seja, eles não desapareceram sem deixar rastros.
Mikhail assentiu e saiu, deixando-me sozinho no salão quase vazio. Andei até o centro, onde o sangue da mulher ainda manchava o chão. Era um lembrete do quão perto eles haviam chegado.
"Mas perto não é suficiente."
Enquanto a noite se arrastava, sentei em meu escritório improvisado, analisando relatórios preliminares. O perfil estava claro: um profissional altamente qualificado. Eles sabiam onde eu estaria, esperaram pacientemente, e tiveram a precisão de um cirurgião.
Mas o erro foi achar que eu era uma presa fácil.
A porta se abriu, e Yelena entrou, sua expressão séria.
— Temos uma lista de três possíveis atiradores. Dois são locais, conhecidos por aceitar contratos contra grandes figuras. O terceiro...
— Continue.
— Stella Montague. — Ela colocou uma foto na mesa. Uma mulher de olhos sombrios, expressão calculista. — Uma assassina de aluguel famosa por seguir um código moral peculiar. Ela só aceita contratos contra alvos que ela mesma considera "culpados".
Peguei a foto, estudando cada detalhe. Stella Montague. O nome era familiar, mas distante, como um sussurro nas sombras.
— Então ela investigou antes de tentar me matar. Interessante.
Yelena hesitou.
— Viktor, se for mesmo ela, ela não vai parar. Stella é conhecida por terminar o que começa.
Sorri, um sorriso frio e sem humor.
— Nem eu, Yelena. Nem eu.
A caçada havia começado, mas, desta vez, eu seria o predador. Stella Montague queria brincar de caçadora? Então ela aprenderia que o Senhor da Noite é um alvo que morde de volta.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Marlene Reis
Minha família não dão golpes financeiros porquê nem possuo uma bike,mas o golpe pior foi quando precisei e todos soltaram as minhas mãos.... Ainda bem que EUZINHA AQUI tinha um ANJO na minha vida,e segurou as minhas mãos e se passaram quase 30 anos e ele ainda segura com AFINCO.... MEU MARIDO, e de presente ganhei a sua família maravilhosa, pai,mãe, irmãos e sobrinhos.... As vezes o que está de fora,é o que te acalenta.... Meu
PAPAI( in memoria)MÃE (in memorian)
2025-01-17
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Esterzinha
moço sua família tá pior que a minha
2024-12-30
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Yasmin
família ótima, cheia de mafiosos... a mãe haha religiosa
2025-02-24
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