CAPÍTULO 7

O silêncio dentro do SUV era opressor, interrompido apenas pelo ronco suave do motor enquanto os homens ao meu redor esperavam instruções. Saí do veículo, ajustando o casaco e sentindo o peso habitual do coldre sob meu braço. O ar da noite trazia um frio que cortava até os ossos, mas para mim, isso era apenas mais uma constante.

— Mikhail. — Chamei, a voz baixa, mas autoritária. — Leve todos nos outros carros. Quero dirigir.

Ele hesitou, franzindo a testa como se quisesse argumentar, mas logo acenou. Ele sabia que discutir comigo era inútil.

— E Stella vai comigo. — Acrescentei, o olhar fixo na silhueta dela encostada em um dos SUVs.

Os olhos dela se estreitaram quando percebeu meu comando. Ela cruzou os braços e deixou escapar um suspiro audível.

— Isso é sério? — perguntou, a voz carregada de impaciência.

— Estou no comando, lembra? — Respondi, abrindo a porta do passageiro.

Ela relutou por um momento antes de se mover, os passos dela ecoando no concreto enquanto caminhava até o carro. Quando entrou, bateu a porta com força deliberada, mas manteve o silêncio.

No caminho

O som dos pneus na estrada era a única coisa que preenchia o espaço entre nós. A tensão no ar era quase palpável. Stella mantinha o olhar fixo na janela, o que só me dava mais tempo para observá-la. Cada movimento dela era calculado, controlado, como se nunca permitisse que ninguém visse qualquer fraqueza.

— Está gostando da estadia? — perguntei finalmente, o tom casual, mas carregado de provocação.

— Se você chama ser tratada como uma ferramenta de trabalho de estadia, então estou adorando. — A resposta dela veio rápida, sem emoção.

Sorri, acelerando o carro um pouco mais.

— Pensei que assassinos de aluguel gostassem de emoção. Um pouco de perigo, talvez?

Ela riu, um som seco que não tinha nada de humor.

— Perigo faz parte do trabalho, Volkov. Não significa que eu queira aturar sua companhia além do necessário.

— Tão amarga, Stella. — Respondi, a voz carregada de sarcasmo. — Eu imaginava que alguém com suas habilidades teria um pouco mais de... flexibilidade.

Ela finalmente virou o rosto para mim, os olhos como lâminas.

— Flexibilidade é algo que eu guardo para situações que valem a pena. Isso aqui? Não vale.

Ela queria me provocar, e estava conseguindo. Mas eu não era do tipo que recuava.

— Talvez você mude de ideia depois de uma bebida. — Respondi, virando o volante de repente para entrar em uma rua lateral.

Ela se endireitou no assento, os olhos agora fixos em mim com desconfiança.

— Para onde estamos indo?

— Relaxe. Apenas um lugar tranquilo para conversarmos.

Ela cruzou os braços novamente, mas não disse nada. O silêncio dela dizia mais do que qualquer palavra.

No bar

O ambiente era pequeno e discreto, um refúgio quase invisível entre os prédios da cidade. Escolhi aquele lugar de propósito, longe dos olhares curiosos, mas ainda assim suficientemente público para mantê-la desconfortável.

Sentamos em um canto escuro, a luz fraca criando sombras nos rostos dela e no meu. Pedi duas doses de vodka, sem dar a ela a chance de recusar.

— Um brinde. — Disse, levantando o copo.

— Ao quê? — perguntou ela, sem erguer o dela.

Sorri, inclinei-me levemente para frente.

— Ao que ainda está por vir.

Ela finalmente ergueu o copo, mas a expressão dela era fria como gelo.

— Você tem uma estranha noção de otimismo, Volkov.

O silêncio voltou por um momento enquanto bebíamos. Quando ela colocou o copo vazio na mesa, decidi testar o limite dela.

— Sabe, Stella... não consigo tirar da cabeça aquela noite na boate. — Disse, deliberadamente baixando o tom da voz. — Você parecia muito confortável no palco.

Ela arqueou uma sobrancelha, inclinando-se um pouco para trás.

— Era parte do disfarce, nada demais.

— Talvez, mas parecia mais do que isso. — Inclinei-me, um sorriso provocador no rosto. — Quem sabe, se quisermos, podemos continuar de onde paramos.

Ela revirou os olhos, pegando o copo vazio e girando-o nos dedos antes de soltar uma risada seca.

— Continuar? Foi apenas um trabalho. Em situações normais, eu jamais teria aceitado seu convite.

Eu franzi a testa, a curiosidade misturada com um leve toque de irritação.

— É mesmo? E por quê?

Ela inclinou-se para frente, os olhos dela encontrando os meus com intensidade.

— Porque você não faz o meu tipo.

A resposta foi direta, cortante, e por um momento, fiquei em silêncio, surpreso. Depois, sorri.

— E o que exatamente seria o seu tipo?

Ela recostou-se na cadeira, o sorriso dela agora carregado de uma arrogância fria.

— Alguém que não precise de todo esse charme ensaiado para se provar.

Ela estava jogando um jogo perigoso, e eu sabia que, se continuasse, acabaria queimado. Mas, de alguma forma, não conseguia resistir.

— Quem disse que estou tentando me provar?

Ela apenas deu um sorriso enigmático, pegando o copo novamente.

— É sempre assim com você, Volkov. Muito barulho para nada.

Eu ri, um som baixo que carregava mais desafio do que humor.

— Você fala como se me conhecesse.

— Conheço o suficiente. — Ela respondeu, tomando o último gole antes de colocar o copo na mesa.

A noite continuava, e cada palavra, cada olhar, era um lembrete de que estávamos em uma corda bamba. Mas, por algum motivo, era exatamente onde eu queria estar.

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Comments

Veranice Zimmer Ferst

Veranice Zimmer Ferst

Meu Deus que coisa maravilhosa parabéns escritora por escrever um livro da máfia que a mulher é forte e trabalhadora uma mulher sem precisar de ninguém para salvar ou ventela com outras histórias assim que sempre assim mafioso velhos nojento que tá na faixa de idade dos 30 aus 40 anos que querem uma mulher virgem de 16 até 🔞 , 20 anos sempre assim mafioso velhos com meninas credo, mais vc a história é outra coisa parabéns pra vc autora pufavor escreva mais 🙏🙏❤️ parabéns

2025-01-27

7

Maria Cruz

Maria Cruz

Estou amando cada capítulo, simplesmente por nossa personagem ser uma mulher forte determinada e que não cede fácil 👏🏼👏🏼❤️💃🌹🌹🌹🌹🌹🌹

2025-03-26

0

Renascida das cinzas

Renascida das cinzas

kkkk ela parou antes de matar ele... ele quer partir daí?? 😅🤣🤣🤣

2025-02-10

5

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