CAPÍTULO 8

No dia seguinte

A manhã estava gelada, mas clara, o tipo de clima que combinava com minha disposição. O café amargo desceu pela garganta enquanto eu revisava mentalmente os detalhes do trabalho que precisava fazer. Peguei meu equipamento no quarto, chequei a pistola no coldre sob o casaco e os compartimentos na maleta antes de descer para a garagem.

O novo carro estava lá, brilhante e impecável. Um presente de Viktor, talvez? Ou apenas uma gentileza que ele considerava irrelevante? Pouco importava. Liguei o motor, o som suave e controlado ecoando pelo espaço vazio. Saí da mansão sem olhar para trás.

No caminho

Enquanto dirigia pelas ruas movimentadas, meu celular tocou, o nome na tela me fez arquear as sobrancelhas: Mãe. Não era algo comum. Ela sempre conseguia descobrir meus números novos, como? nem eu mesma sei. Eu não ouvia a voz dela há meses, e talvez fosse melhor assim.

— Stella, querida... — A voz dela soava terna, mas havia algo escondido ali, como sempre. — Quanto tempo...

— O que você quer, mãe? — Respondi, mantendo meu tom neutro, direto.

Ela hesitou por um momento, mas logo continuou.

— Sempre tão fria... Eu só queria saber como você está. Não é fácil acompanhar sua vida, sabe? Parece que você sempre está correndo para longe.

— Não há muito o que acompanhar. Estou viva, como sempre. — Minhas palavras saíram cortantes.

Ela suspirou.

— Stella, não precisa viver assim, como uma... mercenária. Você poderia voltar para casa, assumir seu lugar nos negócios da família. Seu pai sente sua falta, mesmo que nunca admita.

Engoli em seco, mantendo o olhar fixo na estrada.

— Já disse que não quero nada disso. E você sabe disso melhor do que ninguém.

— Eu sei que você é teimosa, querida, mas ainda há tempo. Pense nisso. Você não precisa lutar sozinha.

— Se isso for tudo, tenho coisas para fazer.

— Stella... — A voz dela amoleceu, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, finalizei a ligação.

Guardei o celular no banco ao lado, o maxilar apertado. "Negócios da família". Uma frase que carregava peso demais. Ninguém sabia quem eu realmente era, e era melhor que continuasse assim.

O destino não estava longe, mas a tensão aumentava com cada quilômetro. O nome que aparecera no contrato me fizera aceitar a missão sem pensar duas vezes. Luke. Ele havia sido meu parceiro, em mais de um sentido. Um assassino tão habilidoso quanto eu, mas com um histórico de decisões ruins. Agora estava nas mãos de traficantes.

Viktor queria exclusividade, mas isso não era algo que eu podia ignorar. O peso do rifle no porta-malas parecia uma lembrança constante de que eu estava prestes a quebrar nossas "regras".

O escritório estava abafado, com o cheiro forte de charuto e o som dos passos dos meus homens indo e vindo pelo corredor. No centro da sala, sentei-me em minha cadeira de couro, os olhos fixos no grupo de homens à minha frente. Todos americanos, representantes de um cartel interessado em nossa rede de armas.

— Senhor Volkov, o carregamento precisa chegar à fronteira até o próximo mês. — Um deles, um homem baixo e robusto, falou com um sotaque arrastado. — Se atrasar, será um problema para todos nós.

Eu inclinei a cabeça, observando-o como um falcão observa a presa.

— Problemas surgem para quem não planeja. — Respondi, a voz baixa, mas carregada de autoridade. — Não trabalho com amadores, senhor Cooper. Você terá sua entrega, mas no meu tempo.

Ele hesitou, engolindo em seco antes de acenar com a cabeça.

— Claro. Nós confiamos no seu julgamento, senhor.

— Então, estamos resolvidos. — Finalizei, fazendo um gesto para que saíssem.

Quando a porta se fechou, chamei Mikhail, com um movimento curto de mão. Ele entrou, o olhar sempre atento, mas sem invadir meu espaço pessoal.

— Alguma novidade sobre Stella? — Perguntei, cruzando os braços e recostando-me na cadeira.

Ele franziu o cenho, claramente surpreso com a pergunta.

— Não, senhor. Ela saiu cedo, não foi vista por ninguém.

— Normal. — Repeti, mais para mim do que para ele.

Houve um silêncio breve antes de eu falar de forma abrupta, algo escapando antes que eu pudesse controlar.

— Mikhail, você acha que eu sou o tipo de homem que as mulheres... gostam?

Ele piscou, claramente sem saber como responder.

— Senhor?

— Foi uma pergunta simples. — Respondi, embora minha voz carregasse uma irritação que não queria admitir.

— Eu... acho que sim, senhor. Muitas mulheres... — Ele hesitou, claramente escolhendo as palavras com cuidado.

— Esqueça. — Cortei, balançando a cabeça. — Esqueça que perguntei isso.

Ele respirou aliviado, mas eu ainda estava irritado comigo mesmo por sequer trazer isso à tona.

— Quero que investigue Stella. — Falei de repente, minha voz de volta ao tom firme. — Quero saber tudo: família, relacionamentos, passado. Tudo o que puder encontrar.

Mikhail assentiu rapidamente, sem questionar.

Quando ele saiu, fiquei sozinho no escritório. Stella era um enigma, e eu nunca gostei de enigmas que não podia resolver. E, de alguma forma, isso só a tornava ainda mais intrigante.

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Comments

Carleuza Almeida

Carleuza Almeida

Masculinidade ferida Volkov kkkk, ela tocou bem na ferida 🤭🤭🤭 e vc já bem interessando em kkk, ela tbm certeza, tá só se protegendo kkkkk

2025-01-28

13

Mônica Wachholz

Mônica Wachholz

desde que me conheço por gente sei que pode ser um bloco de gelo enorme; um dia vai derreter;e está acontecendo kkkkk

2025-03-05

0

Anatalice Rodrigues

Anatalice Rodrigues

Ela prefere ser matadora, do que tomar conta dos negócios da família. Hum 😒 ai tem. E não é coisa boa não. /Gosh/

2025-02-20

2

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