Era domingo à noite, e eu ajustava o punho da camisa, observando meu reflexo no espelho do escritório. O jantar seria mais uma dessas malditas encenações em família, mas agora, com Stella ao meu lado, o espetáculo prometia ser ainda mais interessante.
Quando ouvi passos firmes no corredor, me virei. E lá estava ela.
Stella Montague
Ela usava um vestido vermelho longo, um tom tão intenso quanto o sangue que nós dois já havíamos derramado. A abertura na perna direita era estrategicamente provocante, expondo pele suficiente para despertar curiosidade, ou perder a cabeça, no caso de homens mais fracos. A última vez que a vi assim foi na boate, quando tentou me matar. Essa lembrança arrancou um sorriso involuntário dos meus lábios.
Antes que eu pudesse comentar, ela deu um passo à frente, puxou uma cadeira, e, com naturalidade, colocou a perna sobre ela. O gesto revelou ainda mais da pele já visível, enquanto ela ajustava uma pequena pistola na cinta da coxa. Precaução. Sempre precaução.
— Camba... — Pensei, segurando um suspiro. Que mulher era essa? Só de olhar, já sentia algo atiçar dentro de mim, mas me mantive impassível. Sempre controle.
— Vai ficar me olhando ou vai dizer algo útil? — Ela perguntou, sem levantar os olhos, o tom carregado daquela mistura irresistível de sarcasmo e perigo.
— Estou tentando decidir se você vai para o jantar ou para o funeral de alguém. — Respondi, ajustando a gravata com calma.
Ela riu de leve, mas não parecia impressionada.
— Quem sabe não seja os dois? — Retorquiu, erguendo o olhar para mim, o brilho em seus olhos fazendo meu sangue correr mais rápido.
— Se eu fosse você, controlava esse entusiasmo. Minha mãe vai gostar de você, o que é exatamente o problema. — Caminhei até ela, parando perto o suficiente para sentir o cheiro sutil de algo amadeirado que emanava dela.
— Você fala tanto dessa mulher que começo a achar que deveria levar uma bazuca. — Ela cruzou os braços, ajeitando o vestido.
— Não seria má ideia. — Respondi, com um sorriso de canto. — Mas prefiro que você mantenha a classe... pelo menos no começo.
Ela me lançou um olhar de advertência, claramente pouco interessada em seguir qualquer protocolo que eu pudesse sugerir.
— Vamos logo com isso, Volkov. Quanto mais cedo começarmos, mais cedo saímos.
Na estrada
O carro deslizava pelas ruas escuras, o motor murmurando suavemente enquanto as luzes da cidade pintavam sombras no interior. Stella estava ao meu lado, os olhos fixos na janela, o rosto impassível. Sempre dura, sempre inatingível.
Quebrando o silêncio, ela falou, sem me olhar:
— Só pra deixar claro, Volkov... a regra ainda está de pé.
— Que regra? — Perguntei, fingindo inocência, embora soubesse exatamente a que ela se referia.
Ela virou a cabeça lentamente, os olhos afiados como lâminas.
— Sem contato físico.
Sorri de lado, aquele sorriso que sempre irritava as pessoas ao meu redor.
— Ah, claro. A famosa regra da senhorita intocável. — Fiz uma pausa, olhando para ela com mais atenção. — Sabe que me deixa curioso, não sabe?
Ela ergueu uma sobrancelha, mas manteve o rosto inexpressivo.
— Curioso?
— Sim. — Inclinei-me ligeiramente, cruzando os braços. — Por que tanto medo de algo tão... trivial?
Ela riu, mas era uma risada fria, sem humor.
— Não é medo, Volkov. Eu simplesmente não gosto.
— Não gosta... ou tem medo de gostar? — Provoquei, inclinando-me um pouco mais perto, observando cada nuance de sua expressão.
Ela estreitou os olhos, e por um segundo, o silêncio no carro ficou mais pesado.
— Eu não tenho medo de nada. — A resposta veio baixa, quase um sussurro, mas carregada de firmeza.
— Não? — Perguntei, minha voz suavizando, mas não menos perigosa. Levantei a mão devagar, como quem testa uma teoria. Ela não recuou, mas a tensão em seus ombros era visível. — Então, se eu fizer isso...
Minha mão pairou perto de seu rosto, o dedo roçando de leve uma mecha de cabelo que caía sobre sua bochecha. Não era invasivo, mas o suficiente para testar a tal regra dela.
Seus olhos me encararam como se fossem balas prestes a serem disparadas.
— Cuidado, Volkov. Você não quer testar meus limites.
Eu sorri, um sorriso de quem gostava de viver perigosamente.
— Talvez eu queira.
Por um instante, ficamos ali, o silêncio preenchido apenas pelo som do carro na estrada. O olhar dela não vacilou, e eu sabia que, se continuasse, haveria consequências.
Finalmente, recuei, levantando as mãos em um gesto de rendição.
— Tudo bem, Stella. Sua regra está intacta. Por enquanto.
Ela voltou a olhar pela janela, mas o ar no carro parecia mais carregado, quase elétrico. Eu sabia que havia algo por trás daquela aversão, algo que ela escondia com tanto cuidado quanto carregava suas armas.
E, de alguma forma, isso só me deixava mais determinado a descobrir.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Adriacmacez
Na minha mente vaga a pergunta:
"Será q ela já foi violada, estuprada ou algo assim???"
🤔🤔🤔
2024-12-30
25
Marilu Araujo Felix
medo de se apegar, pois nos deixa fragilizado e com a profissão dela é arriscado..
2025-03-06
0
Mônica Wachholz
esse Lucas deve ter feito algo muito desagradável para ela que ficou traumatizada
2025-03-05
0