CAPÍTULO 13

  Já era tarde, o sol começava a mergulhar no horizonte, e Stella ainda não havia voltado. A teimosia dela já tinha passado dos limites antes, mas dessa vez era diferente. Uma sensação desconfortável crescia em mim, algo que eu nunca deixava acontecer: preocupação.

"Merda," murmurei para mim mesmo, passando a mão pelo cabelo enquanto encarava o telefone vazio na minha mesa. Não era do meu feitio me importar com ninguém. Ela era uma assassina experiente, durona, uma maldita força da natureza. Mas agora... Algo estava errado.

— Mikhail! — Minha voz ecoou pelo escritório, e ele entrou quase imediatamente.

— Senhor?

— Quero saber onde Stella está. Use nossos contatos, vasculhe a cidade inteira se for necessário, mas descubra. Agora.

Mikhail assentiu, mas antes que ele pudesse sequer sair da sala, meu celular vibrou. Peguei o aparelho e o encarei. Uma mensagem anônima com uma foto.

E ali estava ela. Stella. Amarrada, ferida, ensanguentada.

O gelo que sempre corria nas minhas veias derreteu por um instante, substituído por algo que eu não reconhecia. Raiva, sim, mas também... preocupação? Não, não podia ser.

Mikhail olhou por cima do meu ombro e prendeu a respiração.

— Senhor... É Stella?

— Reúna os homens. Todos. — Minha voz saiu baixa, mas carregada de comando.

— Todos? — Ele hesitou por um segundo, talvez por nunca ter me visto assim. — Senhor, talvez seja melhor o senhor ficar aqui e...

— Mikhail. — Interrompi, meu olhar cravado no dele. — Eu mesmo vou.

— Mas...

— Vá. Agora.

Peguei minha arma, ajustando o coldre no ombro. Não era sobre estratégia ou poder. Não era sobre negócios. Era pessoal. Ninguém toca nela.

O cheiro de mofo e sangue impregnava o ar. Minha cabeça latejava, e o gosto metálico de sangue ainda estava na minha boca. Estava amarrada, braços presos às costas da cadeira, mas nada disso importava. A raiva fervia dentro de mim, mantendo minha mente afiada.

Dois capangas de Yuri estavam na sala, rindo, brincando com a faca que planejava me matar. Yuri tinha saído, mas não antes de me olhar nos olhos e prometer que seria um final "memorável".

Idiota.

Aproveitei que os dois estavam distraídos para testar as cordas. Estavam bem amarradas, mas não impossíveis. Minha pulseira — sempre subestimada — escondia um pequeno pedaço de lâmina. Era só uma questão de tempo.

— Aposto que ela chorou quando viu Yuri. Essas mulheres duronas sempre quebram no final. — Um deles riu.

— Tenho certeza que não. — Minha voz cortou o silêncio, sarcástica, irritando o homem imediatamente.

Ele avançou até mim, puxando meu cabelo para trás.

— Últimas palavras?

— Sim. — Sorri. — Obrigada pela oportunidade.

Com um movimento rápido, a lâmina oculta cortou a corda que prendia minha mão direita. Antes que ele pudesse reagir, cravei o pequeno objeto na sua jugular. Ele caiu, gargarejando sangue.

O outro gritou, sacando a arma, mas eu já estava em cima dele. Tomei a arma com um movimento brusco, quebrando seu pulso no processo. Um tiro ecoou, atravessando sua cabeça, e o silêncio voltou à sala.

Soltei o resto das cordas, respirando fundo. Quando abri a porta do cativeiro, me deparei com Viktor e seus homens invadindo o lugar, armas em punho.

Ele me encarou, os olhos escuros avaliando cada centímetro ensanguentado do meu corpo.

— Eu disse que daria um jeito. — Cruzei os braços, sem esconder o tom de provocação.

— Stella... — Ele estreitou os olhos, irritado. — Você é impossível.

— E você é mandão. Parece que estamos empatados.

Ele balançou a cabeça, frustrado, mas não disse mais nada enquanto voltávamos.

Já na mansão

O silêncio dominava o quarto enquanto Viktor limpava os cortes no meu braço. Ele tinha insistido, e eu não tinha forças para discutir.

— Não precisa fazer isso. — Minha voz saiu baixa, mas firme.

— Fique quieta.

— Eu sei cuidar de mim.

Ele parou por um instante, levantando o olhar para encontrar o meu.

— Talvez eu também saiba cuidar de você.

Fiquei calada, sentindo o toque firme, mas cuidadoso dele. Era isso que eu odiava. O toque. A vulnerabilidade que vinha com ele. E ainda assim, por um breve segundo, não me afastei.

— Você está pensando demais, caçadora. — Ele sorriu de lado, como se pudesse ler minha mente.

— Você fala demais, Volkov.

Ele riu, aquele riso baixo e perigoso, antes de voltar a cuidar dos meus ferimentos. E, por mais que eu quisesse negar, naquele momento, algo em mim relaxou.

A mansão estava mergulhada no silêncio da madrugada. Eu estava no meu escritório, encarando o copo de uísque na mão, mas minha mente não estava ali. Desde que voltamos, Stella havia se isolado no quarto dela. Por mais que tentasse ignorar, uma parte de mim não conseguia afastar a visão dela amarrada, machucada, mas ainda desafiadora.

Ela era teimosa, orgulhosa, completamente insuportável... e fascinante.

Decidi que era hora de acabar com esse silêncio.

Caminhei pelo corredor até a porta do quarto dela. Bati uma vez. Nenhuma resposta. Então entrei sem pedir permissão.

Stella estava de pé perto da janela, usando apenas um robe preto de seda que não fazia nada para esconder as curvas do corpo dela. Ela se virou ao ouvir a porta, os olhos estreitos de irritação.

— Você não sabe bater e esperar, Volkov? — A voz dela era fria, mas eu podia ver as sombras de exaustão nos olhos dela.

— Eu bato e entro. Sempre. — Minha voz saiu firme, com o tom que sempre fazia as pessoas recuarem. Mas ela não era como qualquer pessoa.

— O que você quer? — Ela cruzou os braços, me encarando.

— Quero saber como está.

Ela bufou, virando-se para a janela novamente.

— Estou bem. Agora, pode ir.

Me aproximei, lentamente, até estar perto o suficiente para sentir o calor dela.

— Não parece bem. — Minha mão alcançou o laço frouxo do robe dela, mas antes que eu pudesse tocá-lo, ela segurou meu pulso.

— Eu avisei sobre contato físico, Viktor. — A voz dela era baixa, ameaçadora.

— E eu nunca fui bom em seguir regras. — Sorri, inclinando-me para que meus lábios ficassem perto do ouvido dela. — Me diga, Stella... Por que você foge tanto de ser tocada?

Ela não respondeu de imediato, mas o silêncio dela falou mais do que qualquer palavra. Eu sabia que estava cutucando algo profundo, algo que ela não queria que ninguém soubesse.

— Não confunda minha paciência com fraqueza, Volkov. — Ela finalmente respondeu, o tom tão afiado quanto uma lâmina.

— E não confunda meu interesse com uma simples provocação. — Antes que ela pudesse reagir, minha mão deslizou pelo braço dela, firme, mas sem forçá-la. — Você é forte. Mas até mesmo o aço pode dobrar com o calor certo.

Ela tentou se afastar, mas eu já estava à frente dela, bloqueando sua saída.

— Viktor, saia do meu caminho.

— E se eu não quiser?

Ela me encarou, o olhar cheio de fogo e ódio, mas também de algo mais. Algo que eu estava determinado a explorar.

— Vou contar até três.

Eu sorri, mas não me movi.

— Um... — Ela começou.

Antes que pudesse chegar ao dois, segurei seu rosto com uma mão, os dedos firmes, mas cuidadosos. Seu corpo ficou tenso, mas ela não se afastou. Era como se estivesse decidindo se me matava ou me deixava continuar.

— Você acha que me assusta, Stella? — Minha voz era baixa, quase um sussurro. — Acha que vou recuar?

Ela abriu a boca para falar, mas eu a calei com um beijo. Não era suave, nem gentil. Era quente, firme, quase uma batalha entre nossas vontades. Por um momento, ela tentou resistir, mas depois cedeu, mesmo que só por um segundo. Minha língua se entrelaçou na dela, sentindo o sabor do desejo.

Quando nos separamos, seus olhos estavam semicerrados, a respiração pesada.

— Você é um desgraçado. — Ela disse, mas havia algo mais na voz dela, algo que me dizia que eu estava conseguindo o que queria.

— E você gosta disso.

Ela levantou a mão para me empurrar, mas eu a segurei pelo pulso, girando-a contra a parede.

— Viktor... — O tom dela era um aviso, mas também um desafio.

— Diga que pare. — Falei, minha voz mais rouca agora. — Diga, Stella, e eu paro.

Ela ficou em silêncio, o olhar queimando no meu.

Soltei seu pulso, recuando um passo, mas mantive meus olhos nos dela.

— Boa noite, Stella. — Eu disse, deixando a tensão no ar enquanto me afastava.

Saí do quarto, sentindo o gosto dela ainda nos meus lábios. E por mais que fosse perigoso, tanto para ela quanto para mim, eu sabia que isso estava longe de acabar.

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Comments

Anatalice Rodrigues

Anatalice Rodrigues

Eiita, tá começando a ficar bom. Falta pouco para o parquinho pegar fogo 🔥. Tomara que seja um hots das arábias, não daqueles hots imaginários. /Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/

2025-02-20

7

Magna Figueiredo

Magna Figueiredo

Ahhh tava ansiosa por esse beijo 💋 💋 💋 /Chuckle//Chuckle//Chuckle//Chuckle/

2025-02-08

7

Carleuza Almeida

Carleuza Almeida

Regra violada Stella e acho que vc ficou com gosto de quero mais e o Volkov lhe deixou na saudade kkk, ele tbm é osso duro de roer kkkk

2025-01-28

9

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