POV Emília
Fui para o quarto e me fechei lá. Não entendo esses sentimentos quando estou com o Terry, os olhos dele são bonitos e mesmo na cadeira de rodas ele me parece imponente. Mas eu não sei o que significa isso, não sei porque sinto tanta vergonha quando estamos juntos. Isso me frustra, me faz sentir como uma garota idiota. Eu não sou uma garota, já sou uma mulher.
Sinto que os anos que passei no sanatório, sem ter contato com homens me fez mal, porque algo em mim entende o que está acontecendo comigo, mas a falta de minhas memórias não me deixam saber.
Respiro fundo, tentando empurrar a frustração de não entender minhas reações, tentando me concentrar no mais importante, que era recuperar minhas memórias.
Abro meu laptop e instintivamente abro o navegador e a página de buscas. Algo em mim diz que eu sabia bem como fazer isso, mesmo que não me lembrasse da última vez que usei um laptop.
Penso um pouco por onde começar e decido procurar pelo meu nome: “Emilia Amorim”.
Aparecem várias informações de pessoas homônimas e olho cada informação encontrada, mas nenhuma tinha ligação comigo.
Por um segundo senti minhas esperanças se acabarem, mas imediatamente corri e peguei o meu documento de identificação. Lá, estavam os nomes daqueles que eram os meus pais.
Decidi procurar primeiro, pelo nome de minha mãe: “Anne Marie Lavigne Amorim”.
Foi imediato, assim que pressionei a tecla “enter”, a busca encontrou inúmeras menções a este nome.
Era muita coisa, algo que me fez parar de respirar por um instante. Todas as menções pareciam ser para a mesma mulher… com as mãos trêmulas, cliquei no primeiro site…
Blam!
Dei um pulo da cadeira com o som da porta batendo.
— Olha, eu já estou cansada dessa merda! Quem você pensa que é para pedir que sirvam seu almoço no quarto! — era Priscila, entrando com uma bandeja na mão. Imediatamente fechei o laptop, não deixando ela ver.
Ela colocou a bandeja de qualquer maneira na mesa a minha frente e após disse:
— Hambúrgueres, você só come hambúrgueres! Sabe o quanto de calorias tem nisso!? Logo vai ficar gorda, com espinhas, totalmente nojenta.
— Eu… eu não me importo com as calorias.
Me afastei um pouco, acuada pela forma agressiva que ela falava. Mas ela se aproximou e apontou o dedo para o meu rosto.
— Não se importa?! De que buraco o Terry tirou você?! Enfim, não me importa. Coma mesmo muito, pois logo vai voltar para o buraco que ele te tirou. Escute, garota, o Terry me ama e ele está com raiva no momento, mas quando a raiva passar, ele vai sentir minha falta e vai me procurar. E eu vou fazer questão de te tornar minha empregada, e eu não sou nem um pouco boazinha.
— Ele não parece que gosta de você. — digo, devagar.
— Ele gosta! Ele me ama! Acha que ele gosta de você só porque te deu um presentinho? Esse laptop barato?! — ela diz, pegando meu laptop — Isso aqui, é lixo! — após, Priscila joga meu laptop no chão.
— Não! — grito e a empurro. Pego o laptop e abro, percebendo que havia quebrado a tela e eu não conseguia mais ver nada.
Priscila sorri e após vai embora. Fico desolada… logo agora, logo agora que eu estava tão próximo de encontrar algo do meu passado.
Fiquei o resto do dia no quarto, estava muito triste. Bem que a enfermeira que me ajudou disse, que se sabe mais sobre as pessoas vendo suas ações. Desconfio que acabei me entrando em um ninho de ratos.
Mais tarde, a porta se abriu e pelo barulho da cadeira de rodas, percebi que era o Terry. Mas eu não me movi, continuei deitada na cama de costas para ele.
— Você não vai descer para jantar?
Ele pergunta e eu apenas aceno em negativo.
— Olha, eu… me desculpe, por hoje. Está bem? É por isso que está chateada?
Me senti mal, percebendo que ele pode estar se culpando por eu não ter saído do quarto.
Me sentei na cama e disse:
— Não é por sua culpa, o que aconteceu foi um acidente.
— É… foi um acidente.
— É que… eu quebrei o laptop sem querer. — digo, apontando para o laptop quebrado em cima da mesa.
— Ah, é isso… Você pode usar o meu que está no escritório. — ele diz e dá de ombros.
Fiquei um pouco surpresa, esperava que ele brigasse comigo.
Me senti mal comigo mesma.
— Humm… Terry, obrigada. Eu pareço um pouco boba e devo estar te dando muito trabalho. Talvez fosse melhor cancelarmos esse contrato e eu voltar para onde eu estava. Eu me sinto uma intrusa aqui, o tempo todo me sinto como se estivesse tomando o lugar de outra pessoa e isso está me causando problemas.
— Dias atrás você estava comendo lixo e agora pode comer o que quiser. Você está tendo problemas piores aqui do que os problemas que tinha antes?
— Não é isso Terry, não me trate como uma prostituta que faz tudo pelo seu dinheiro. Você me fazer vestir as roupas de outra mulher e me fazer ser comparada a ela, é um problema grande para mim, pois tem a ver com a minha dignidade.
Disse seriamente, foi algo que saiu de dentro de mim. Algo que até me surpreendeu.
Terry me olhou e parecia não me reconhecer. Ele olhou para o nada, pensativo e após diz:
— Ok, pode jantar no quarto. — após, ele foi embora.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Creuza De Jesus Oliveira Alves
realmente ele trata como uma idiota coitada ela tá no beco sem saída porque ele não castiga a ex de outra forma tirando ela da casa não tá certo ela ficar lá
2025-02-16
11
Rose Gandarillas
Que cara nané!! Quer se vingar de quem fez ele de corno e otário expondo a pessoa que o salvou. Que bbk!
2025-03-21
0
Wanda Gomide
Emila está certa ele a trata como se tivesse culpado ela por algo que ela não fez
2025-03-14
1