Adrian e Will continuaram caminhando pelo casarão, a tensão no ar cada vez mais densa e opressora. Cada passo parecia ecoar por corredores infinitos, até que, ao abrirem uma porta antiga de madeira desgastada, se depararam com um cenário grotesco.
O quarto estava repleto de corpos em decomposição, espalhados pelo chão como restos esquecidos. O cheiro pútrido era sufocante, e moscas zumbiam freneticamente pelo ambiente. No centro da sala, uma criatura emergiu das sombras.
Ela tinha a cabeça de um bode, com olhos amarelos e brilhantes que pareciam fitar diretamente suas almas. Seus chifres eram retorcidos, quase como se tivessem sido moldados pelo próprio inferno. O corpo era humanoide, mas coberto por uma pele pálida e desgastada, enquanto seus braços, negros como a noite, eram longos e terminavam em garras afiadas, manchadas com sangue fresco. A boca da criatura gotejava sangue, resquício de sua última refeição macabra.
Adrian arregalou os olhos ao reconhecê-la. — Um chupa-cabra... — Ele murmurou. — Esses desgraçados são raros por aqui, mas sempre letais. Fique atento.
A criatura soltou um grunhido gutural antes de avançar, suas garras rasgando o ar em direção a eles.
Will assumiu a frente, alternando rapidamente entre estilos de Kung Fu. Começou com o estilo do tigre, suas mãos em garras, desferindo golpes rápidos e poderosos contra a criatura. Ele acertou o torso da besta, mas sua pele era dura como couro velho, absorvendo boa parte do impacto.
A criatura retaliou com um golpe lateral, suas garras gigantes rasgando o ar. Will desviou por pouco, mas o ataque deixou uma marca profunda na parede atrás dele. Ele recuou, trocando para o estilo do dragão, usando golpes circulares e defesas estratégicas para desviar de outro ataque feroz.
— Preciso de uma abertura! — Gritou Adrian, já com suas pistolas em mãos, os olhos fixos na criatura.
Will deslizou para o lado, desferindo um chute lateral no joelho da criatura, forçando-a a desequilibrar-se por um instante. Adrian aproveitou a oportunidade e disparou uma sequência de tiros precisos. As balas perfuraram o ombro e o braço esquerdo da criatura, que soltou um rugido de dor, mas não recuou.
A criatura avançou novamente, desta vez com uma fúria renovada. Com um salto inesperado, ela se lançou contra Will, suas garras rasgando o ar em um ataque mortal. Will tentou esquivar-se, mas uma das garras arranhou profundamente sua perna esquerda, fazendo-o grunhir de dor ao cair no chão.
— Droga! — Adrian disparou novamente, mas a criatura parecia imparável, seus olhos brilhando com sede de sangue.
Will, mesmo ferido, forçou-se a levantar. Seu rosto estava contorcido em dor, mas a determinação em seus olhos era inabalável. Ele voltou ao combate, agora utilizando o estilo da serpente, focando em ataques rápidos e precisos. Com um movimento ágil, ele deslizou para trás da criatura, acertando um golpe direto em sua espinha com um chute giratório.
A criatura cambaleou, expondo seu flanco.
— Agora! — Will gritou.
Adrian não hesitou. Ele ajustou sua mira e disparou duas balas certeiras diretamente na cabeça da criatura. O impacto fez o crânio dela explodir em uma chuva de sangue negro e ossos, e a criatura caiu pesadamente no chão, seus membros se contorcendo antes de finalmente ficar imóvel.
O silêncio tomou conta da sala. Apenas o som da respiração pesada de Adrian e Will preenchia o ambiente.
Adrian correu até Will, que estava encostado na parede, segurando a perna ensanguentada.
— Você está bem? — Perguntou Adrian, já puxando seu kit de primeiros socorros improvisado.
Will soltou um suspiro cansado, a dor evidente em seus olhos. — Já estive melhor... Mas ainda posso andar.
Adrian rasgou a calça de Will para expor o ferimento. Era profundo, mas não letal. Ele limpou a ferida com uma mistura de antisséptico e uma solução alquímica, enquanto Will cerrava os dentes para suportar a dor.
— Isso vai segurar até chegarmos ao hospital. — Adrian disse, amarrando um curativo apertado ao redor da perna de Will.
Eles saíram da sala, seguindo pelos corredores até finalmente encontrarem a saída do casarão. Quando atravessaram a porta principal, encontraram-se em uma rua deserta, iluminada apenas pelas luzes fracas dos postes.
Adrian sacou o celular, seus dedos rápidos chamando um carro de aplicativo.
— Você vai para o hospital. — Disse ele, ajudando Will a se sentar em um banco próximo. — Não adianta você ficar aqui com essa perna assim. Eu vou terminar de investigar sozinho.
Will assentiu, cansado demais para discutir. — Cuide-se, Adrian. Esse lugar ainda tem muito mais merda escondida.
O carro chegou, e Adrian ajudou Will a entrar. Com um último aceno, ele fechou a porta e observou o veículo desaparecer na escuridão da rua.
Adrian respirou fundo, olhando para o casarão que agora parecia ainda mais ameaçador. Ele ajustou as suasuas pistolas, pegou um pirulito no bolso e colocou na boca e entrou novamente, sozinho, pronto para enfrentar o que mais aquele lugar maldito poderia esconder.
Adrian desceu lentamente para o andar inferior do casarão, cada degrau rangendo sob seus pés. O ar ali era mais denso, carregado com o cheiro metálico de sangue e algo mais profundo, quase podre. A iluminação era mínima, com algumas velas derretidas em cantos obscuros, lançando sombras oscilantes nas paredes envelhecidas.
Ao virar um corredor estreito, ele se deparou com algo perturbador. Símbolos ritualísticos cobriam as paredes e o chão, pintados com sangue seco e pedaços de carne decomposta. Figuras circulares, triângulos invertidos, e runas desconhecidas se entrelaçavam em um padrão grotesco, quase pulsando com uma energia sombria. No centro, havia um altar improvisado, feito de ossos humanos amontoados e amarrados com tendões endurecidos.
Adrian se ajoelhou próximo ao altar, examinando cada símbolo com atenção. — Rituais de sangue e carne... Isso não é algo comum. — Murmurou para si mesmo, seus olhos passando de um símbolo para outro. — Alguém estava invocando algo aqui. Ou pior, alimentando alguma coisa.
Continuando sua busca, ele abriu um armário velho e encontrou um jornal antigo, dobrado e amarelado pelo tempo. A primeira página chamou sua atenção imediatamente: "ORFANATO SÃO GABRIEL FECHADO APÓS DENÚNCIAS DE MAUS-TRATOS". A matéria detalhava uma série de acusações contra os administradores do orfanato, incluindo tortura física e psicológica de crianças e mulheres que ali viviam.
Adrian virou a página, os dedos apertando o papel envelhecido. Uma linha em particular fez seu coração acelerar:
"Em uma noite de tempestade, todas as crianças e mulheres desapareceram misteriosamente. O local foi abandonado e nunca mais se ouviu falar delas."
Ele franziu o cenho, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. — Desaparecidas... ou sacrificadas. — Concluiu em voz baixa.
O som distante de algo se movendo chamou sua atenção. Ele guardou o jornal em sua mochila e ergueu uma das pistolas, seus sentidos em alerta. As sombras nas paredes pareciam mais vivas agora, como se o casarão estivesse atento à sua presença.
Adrian continuou pelo corredor, cada passo cuidadoso, esperando encontrar mais do mistério sombrio que aquele lugar ocultava.
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Atualizado até capítulo 37
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