O carro preto avançava pela estrada deserta, os faróis cortando a escuridão da noite enquanto a equipe da Oculta Venatorun seguia em direção ao orfanato. Dentro do veículo, o clima era tenso. Victor havia partido em sua missão solo, e os restantes se preparavam para encarar o desconhecido. O novo agente enviado para acompanhá-los, Kevin William — ou como preferia ser chamado, Will —, estava sentado ao lado de Cleberson. Ele era jovem, tinha seus cabelos platinados cobrindo os olhos, ele era palido e tinha cicatrizes de custura pelos braços e pescoço, ele usa uma regata preta e um macacão cinza caido pela cintura vestido so a parte da calsa, ele esta fumando um cigarro, tem 24 anos e 1,80m de altura, e possuía uma expressão serena e focada. Seu treinamento em kung-fu no templo Shaolin o havia preparado fisicamente e mentalmente para enfrentar o que estava por vir.
Quando o carro parou em frente ao orfanato, todos desceram e foram recebidos por um vento gelado, que parecia trazer sussurros de tempos passados. A construção era antiga, com paredes de tijolos desgastados pelo tempo e janelas altas que agora se mostravam sujas e quebradas. O prédio tinha três andares, e o jardim à frente estava coberto de mato alto, balançando ao vento como se fossem mãos tentando agarrar os visitantes indesejados. Uma placa enferrujada pendia na entrada, com letras quase ilegíveis: Orfanato de São Gabriel.
Leo observou o lugar com olhos experientes, apertando a doze em suas mãos. "Este lugar está mais quieto do que deveria estar", ele comentou, olhando ao redor, como se esperasse ver algo se mover na escuridão.
"Vocês também sentem isso?" perguntou Arthur, sua voz um pouco mais baixa. Ele olhava para as janelas do segundo andar, onde sombras pareciam dançar, embora não houvesse ninguém lá.
Kath, ao lado do irmão, engoliu em seco. A sensação de estar sendo observada era quase palpável. "Sim, é como se… algo estivesse nos espiando."
"Não estamos sozinhos", completou Will, que mantinha uma postura calma, mas com o corpo em prontidão, como um tigre prestes a atacar.
Cleberson, sempre pragmático, examinou a entrada. "Precisamos entrar e fazer o reconhecimento antes que algo ou alguém perceba nossa presença e decida agir primeiro."
Eles decidiram entrar pela porta principal, que rangeu ao ser empurrada, como se não tivesse sido aberta em anos. O som ecoou pelos corredores escuros, criando uma sensação de vazio. A entrada dava para um saguão amplo, iluminado apenas pela luz fraca da lua que entrava pelas janelas quebradas. O chão estava coberto de poeira, e havia móveis antigos jogados por ali, incluindo cadeiras de rodas e camas infantis enferrujadas.
Ao adentrarem mais no prédio, o grupo decidiu se separar para cobrir mais terreno. Kath, Leo e Arthur iriam explorar os andares de baixo, enquanto Will e Cleberson ficariam encarregados dos andares superiores. Antes de se separarem, Leo deu um último aviso. "Mantenham os rádios ligados. Qualquer coisa fora do normal, comuniquem imediatamente. Este lugar já está nos dando sinais de que algo está errado."
Kath, Leo e Arthur começaram a vasculhar o primeiro andar. O lugar era um labirinto de corredores estreitos, com portas para antigos dormitórios e salas de recreação. As paredes estavam cobertas de manchas de umidade e bolor, e o ar era pesado, como se o próprio edifício estivesse apodrecendo por dentro. Eles abriram a porta de um antigo refeitório, onde mesas estavam viradas e cadeiras quebradas. Havia desenhos infantis espalhados pelo chão, manchados e desbotados, mostrando sorrisos de crianças, mas o que parecia inocente agora tinha um tom perturbador sob aquela luz tênue.
Enquanto isso, Will e Cleberson subiram pela escada rangente em direção aos andares superiores. Ao alcançarem o segundo andar, o cheiro de mofo e algo mais podre se intensificou. Cleberson, com sua lanterna em mãos, iluminou o corredor diante deles, revelando paredes descascadas e portas antigas de madeira, algumas entreabertas. "Parece que ninguém pisa aqui há anos", comentou Cleberson, seus olhos atentos aos detalhes.
"Ou algo fez questão de que ninguém voltasse", respondeu Will, mantendo sua guarda alta. Eles começaram a abrir as portas, uma a uma, encontrando salas vazias e escuras. Cada sala parecia mais fria que a anterior, como se algo estivesse sugando o calor do ar.
De volta ao andar de baixo, Kath parou ao ouvir um som estranho vindo de uma das salas à frente. Um choro baixo e distante, como o de uma criança. "Leo, você ouviu isso?" sussurrou, com os olhos arregalados.
"Sim", respondeu ele, levantando a arma. Arthur se aproximou lentamente, o coração batendo forte. O som parecia ecoar por todo o corredor, distorcido e assustador. Quando abriram a porta de onde vinha o choro, encontraram uma pequena sala de brinquedos. Bonecas antigas e trapos estavam espalhados pelo chão, e um balanço velho pendia no meio do quarto, balançando sozinho, como se alguém invisível estivesse empurrando.
"Isso não é bom", murmurou Arthur, recuando.
Enquanto isso, no andar de cima, Will e Cleberson chegaram ao terceiro andar. O ambiente parecia ainda mais sombrio, as sombras pareciam ter ganhado vida própria. De repente, o rádio de Cleberson fez um barulho estático. "Aqui é Cleberson. Algo está interferindo nos sinais. Fiquem atentos." Ele olhou para Will, que estava concentrado, ouvindo o silêncio mortal ao redor.
"Há algo aqui, e não estamos sozinhos", sussurrou Will, sentindo o ar ao seu redor mudar. Sua respiração ficou pesada, e ele sentiu um calafrio na espinha.
De volta ao primeiro andar, Leo tentava entrar em contato com os outros pelo rádio, mas só recebia estática. "Algo está bloqueando o sinal. Precisamos nos reagrupar." Kath assentiu, ainda olhando para a sala de brinquedos, onde o balanço parara de se mover.
Neste momento, todos entenderam que aquilo não era um simples caso de desaparecimento. Algo maligno habitava aquele lugar, algo que não queria ser perturbado.
Cleberson, no andar de cima, sentiu uma presença atrás dele. Quando se virou, não havia ninguém, mas uma risada baixa ecoou pelos corredores escuros, uma risada infantil e distorcida. Will apertou os punhos, assumindo uma postura de luta. "Está na hora de descobrirmos o que está realmente acontecendo aqui."
O orfanato, uma vez um lugar de esperança para crianças abandonadas, agora era um túmulo de segredos sombrios, onde o mal se escondia nas sombras, esperando pelos intrusos que ousavam perturbar seu descanso.
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Atualizado até capítulo 37
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