Como negar-se a carne?

Lashy respirou fundo antes de responder a Adrian sobre transcender. Ele balançou a cabeça, cruzando os braços de maneira firme, mas respeitosa.

— Por enquanto, eu não vou. — Sua voz estava calma, mas carregada de convicção. — Tenho minha fé, e isso aqui pode ir contra o que acredito. Preciso consultar meu pastor e meus pais antes de decidir.

Adrian respeitou a decisão e abriu um sorriso compreensivo.

— Justo, Lashy. Cada um no seu tempo. Só não esquece que Davi também teve fé quando usou sua pedra.

Lashy deu uma risada baixa e ergueu seu estilingue.

— É exatamente por isso que eu vou com isso aqui. Se Davi venceu Golias, eu posso dar conta de qualquer coisa.

Leo, por sua vez, colocou a mão no queixo, pensativo. Ele finalmente se pronunciou.

— Eu também vou esperar. Não me sinto pronto ainda, mas não significa que vou ficar para trás.

Adrian deu de ombros e murmurou algo como "Quanto mais perigoso, melhor."

Foi então que Cleberson, o mais sério do grupo, deu um passo à frente. Ele não disse nada, apenas caminhou calmamente para dentro do círculo, sua expressão dura como pedra. Quando pisou no centro, todos ficaram atentos, esperando uma visão sobrenatural, mas não houve nada visualmente grandioso.

De repente, Cleberson arqueou levemente as sobrancelhas. Ele sentiu uma forte onda percorrendo seu corpo, como se uma corrente elétrica tivesse se conectado diretamente às suas veias. Seu coração acelerou por um instante, mas ele permaneceu firme, seus músculos tensos enquanto a energia fluía através dele.

Quando abriu os olhos novamente, Cleberson parecia diferente, mais atento, como se algo dentro dele tivesse despertado. Ele saiu do círculo sem alarde e olhou para Adrian, que o observava com um brilho de curiosidade nos olhos.

— Não vi nada, nem fui pra outro lugar. Só senti uma eletricidade correndo por mim.

Adrian sorriu de forma ampla, quase orgulhoso.

— Ah, isso faz sentido. Às vezes, o poder de Oblivion é mais sutil, mas igualmente poderoso. Parece que você conseguiu sua primeira dose de 10% de Mediunidade Paranormal, e pelo jeito, sua afinidade é com... eletricidade.

Cleberson apenas assentiu, ouvindo atentamente enquanto Adrian continuava.

— E você também ganhou dois rituais muito bons. Ouve só:

Visão Vivida

   — Agora você pode enxergar energia paranormal. Isso inclui almas, barreiras, maldições, e qualquer coisa que esteja fora do comum. É uma habilidade bem útil em missões.

Aceleração de Pensamento

   — Quando você ativa esse ritual, seu cérebro e corpo ficam acelerados. É como se o tempo desacelerasse para você. Pensar e agir quatro vezes mais rápido é uma baita vantagem.

Adrian terminou com um elogio genuíno.

— Esses rituais são incríveis, cara. Vai ser muito útil pra você e pro grupo.

Cleberson deu um leve sorriso, algo raro vindo dele, e simplesmente disse:

— Eu farei bom uso.

Adrian assentiu, satisfeito, e olhou para o resto do grupo.

— E aí, mais alguém ou vamos seguir com o que temos?

O grupo sentiu o peso da preparação, cada um processando a sua própria experiência ou escolha, enquanto Adrian já parecia pronto para liderá-los na missão.

Will que permaneceu em silêncio enquanto observava os outros passarem pelo círculo, um por um. Finalmente, ele deu um passo à frente, a determinação queimando em seus olhos.

— Eu vou tentar.

Sem hesitar, ele entrou no círculo. Assim que colocou os pés dentro, uma dor intensa tomou conta de seu corpo. Seus músculos pareciam estar sendo rasgados e reconstruídos ao mesmo tempo, e ele grunhiu baixinho enquanto suas pernas quase cederam. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, o mundo ao seu redor mudou.

Ele se viu em uma paisagem grotesca e desolada, feita inteiramente de carne e vísceras pulsantes. O chão parecia vivo, movendo-se levemente, como se estivesse respirando. O ar era pesado, cheio de um odor metálico de sangue e carne exposta. Ao longe, um trono feito de pele humana dominava o cenário, exalando uma aura de puro poder.

Sentado nesse trono estava o Flagelo Carnal, uma entidade que parecia desafiar qualquer definição mortal. Seu corpo era uma fusão de formas orgânicas e geométricas, em constante movimento, como se nunca estivesse completamente fixo. Linhas de luz vermelha corriam por sua silhueta, conectando-se ao núcleo brilhante em seu torso — uma fonte pulsante de energia vermelha e ameaçadora.

O Flagelo Carnal o encarou, e sua voz ecoou como um rugido grave e distante, reverberando diretamente na mente de Will.

— Me sirva.

Will sentiu seu corpo tremer diante daquela presença esmagadora. Ele hesitou por um momento, mas a intensidade da voz o obrigou a se ajoelhar. Não era uma escolha consciente — era como se seu corpo soubesse que resistir seria inútil.

O Flagelo Carnal inclinou levemente a cabeça, como se aprovasse a atitude.

— Assim é bom.

Sem mais palavras, a entidade ergueu uma de suas longas extremidades e, com um gesto, lançou Will de volta ao círculo. Ele abriu os olhos, arfando, sentindo o suor frio escorrer por sua testa.

Adrian foi o primeiro a notar o estado de Will e deu um assobio baixo.

— Parece que o grandão gostou de você, hein? Mas... nenhum ritual?

Will balançou a cabeça.

— Não. Mas... eu sinto meu corpo diferente. Mais forte. Mais rápido. — Ele flexionou os braços, e a força recém-descoberta pulsava através de seus músculos. Era como se ele tivesse sido reconstruído para a batalha.

Adrian sorriu, aprovador.

— Isso é interessante. Parece que você é o tipo de lutador que deixa o corpo falar por si. E pelo jeito, o Flagelo Carnal viu potencial em você.

Enquanto o grupo começava a se preparar para partir, Will ficou parado por um momento, apertando os punhos. Ele podia sentir o poder crescendo dentro dele, e pela primeira vez em anos, sentiu que estava mais próximo de alcançar seu objetivo: a vingança contra a Yakuza.

"Com isso," ele pensou, "ninguém vai me impedir."

Adrian chamou sua atenção.

— Ei, Will! Vamos ou vai ficar aí pensando na vida?

Will se virou, um leve sorriso no rosto.

— Vamos acabar com isso.

E assim, o grupo se moveu em direção à missão, enquanto Will seguia carregando consigo o peso de sua vingança e o poder recém-descoberto que o colocava um passo mais perto de seus objetivos.

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