Lashy e Natan continuaram sua jornada pelas labirínticas passagens do orfanato, as sombras que se estendiam pelo corredor parecendo mais densas à medida que avançavam. O ar estava pesado e frio, e o som de seus passos ecoava pela estrutura deserta. Lashy sentia o peso do braço machucado, mas a adrenalina ainda o impulsionava a seguir em frente, especialmente com o menino ao seu lado.
— Eu vou te tirar daqui, Natan. — Lashy disse com determinação, tentando passar confiança para o garoto que caminhava ao seu lado, os olhos fixos à frente.
Mas Natan, com seus olhos vermelhos e uma expressão endurecida, não parecia ter a mesma ideia de fuga. Ele parou por um momento, seus olhos fixos em Lashy.
— Eu não vou sair. — Sua voz estava fria, quase sem emoção. — Eu só vou sair daqui quando matar cada uma dessas criaturas imundas.
Lashy o observou atentamente. Não era mais uma criança assustada que ele via, mas alguém marcado pela dor e pelo ódio. Havia uma força no olhar de Natan, uma necessidade de vingança que queimava profundamente. O desejo de terminar o que havia começado, de acabar com aquilo que destruiu sua vida, era inegável.
Lashy respirou fundo, vendo a determinação nos olhos do garoto, e, sem hesitar, respondeu:
— Eu vou te ajudar. Juntos.
Natan olhou para ele por um momento, como se ainda estivesse avaliando a sinceridade de suas palavras, mas logo um leve assentimento acompanhou seu gesto. Eles continuaram a andar, o som de seus passos mesclando-se ao silêncio do lugar.
Conforme avançavam por mais uma passagem escura, uma sensação de pressão começou a aumentar. Lashy estava atento, ouvindo cada som e mantendo o estilingue pronto, e Natan, com a katana em mãos, seguia à frente, seu olhar focado.
Foi então que eles viram o movimento. Cinco zumbis de carne surgiram à frente, suas formas disformes se arrastando lentamente pelos corredores estreitos. Suas peles estavam rasgadas e podres, os olhos esbranquiçados e sem vida fixos nos dois.
Lashy não perdeu tempo. Com um movimento rápido e preciso, ele disparou uma pedra de seu estilingue contra o zumbi mais próximo, atingindo o crânio do monstro com força. O impacto fez com que a criatura cambaleasse para trás, seu corpo caindo no chão, inerte.
Ao mesmo tempo, Natan avançou, a katana em mãos com uma fluidez impressionante. O garoto se moveu como se tivesse feito aquilo por toda a vida, girando a lâmina com facilidade. Ele cortou a cabeça de um dos zumbis com um único golpe, e antes que outro pudesse reagir, ele passou a espada com agilidade pela garganta do monstro, derrubando-o também.
Lashy observava, impressionado, enquanto o garoto não mostrava nenhum sinal de hesitação. Ele estava determinado, sua técnica refinada para alguém tão jovem. Juntos, com seus ataques rápidos e certeiros, eles eliminaram os cinco zumbis em questão de minutos, sem muito esforço.
Os corpos caíram no chão, inertes, e a sala voltou a cair em um silêncio pesado.
Lashy olhou para Natan, que limpava a katana, e deu um leve sorriso, embora soubesse que o garoto ainda estava muito longe de encontrar paz.
— Boa. — Lashy disse. — Agora, vamos para o andar de cima. Pode ser a saída.
Natan assentiu sem palavras, a katana agora brilhando na luz tênue do ambiente, seus olhos ainda queimando com aquele desejo de vingança, mas também com algo mais. Determinação. Ele não voltaria atrás. Eles continuaram a avançar, subindo para o andar de cima, em busca da saída e, talvez, da redenção de ambos.
Adrian, Will e Leo avançavam com cautela pelos corredores escuros e deteriorados do orfanato, cada sombra parecendo mais ameaçadora do que a anterior. A ausência de Lashy deixava o grupo inquieto, e a tensão no ar era quase palpável. O rádio, que deveria ser sua conexão com a equipe A, continuava a emitir apenas um chiado perturbador, como se algo estivesse interferindo na comunicação.
— Isso não está certo. — murmurou Adrian, ajustando o rádio inutilmente. — **Ele não responderia. Não assim.
— Talvez ele só tenha se afastado um pouco. — Will tentou soar otimista, mas havia preocupação em sua voz. — Ouviu algo e foi verificar. Ele não faria isso sem avisar, mas… temos que encontrá-lo.
Leo, que seguia atrás, olhava constantemente para os lados, cada ruído ecoando pelos corredores vazios o deixava mais alerta.
— Vamos nos dividir? — perguntou Leo, a mão já no cabo da faca que carregava. — Cobrir mais terreno?
Adrian balançou a cabeça. Dividir-se nunca era uma boa ideia. Mas antes que pudesse responder, eles chegaram a um quarto que parecia diferente dos outros. A porta estava entreaberta, e uma leve luz estranha escapava pelas frestas. Will foi o primeiro a empurrá-la, revelando uma sala vazia, exceto por uma porta negra no canto oposto.
A madeira da porta era antiga, desgastada, mas parecia pulsar levemente, como se tivesse vida própria. As bordas estavam cobertas por símbolos que nenhum deles reconhecia, gravados com precisão quase ritualística.
— Vocês acham que ele passou por aqui? — Will perguntou, observando a porta com um misto de curiosidade e receio.
Adrian estreitou os olhos, examinando os detalhes da sala. Algo naquela porta o incomodava profundamente, mas, ao mesmo tempo, parecia ser a única pista.
— Só tem um jeito de descobrir. — Ele respirou fundo. — Vamos ver onde isso dá.
Leo, no entanto, hesitou.
— Esperem. — Ele deu um passo para trás. — Vou ficar aqui. Procurar mais um pouco pelos arredores. Se ele voltar e não nos encontrar… não podemos nos perder todos.
Adrian e Will trocaram olhares, ambos respeitando a decisão do companheiro. Leo era cuidadoso, e talvez estivesse certo.
— Certo. — Adrian assentiu. — Qualquer coisa, tenta contato pelo rádio, mesmo que seja só estática.
Leo concordou, já se afastando pelo corredor.
Adrian e Will, por outro lado, voltaram-se para a porta negra. Havia algo perturbador nela, mas o instinto de encontrar Lashy os impulsionava. Com um último olhar de determinação, Adrian abriu a porta.
Um vento frio passou por eles, como se tivessem cruzado um limiar invisível. Ao pisarem no outro lado, sentiram o chão firme, mas estranho sob os pés. A sensação era diferente do orfanato.
Quando a porta se fechou atrás deles, ela desapareceu, deixando-os isolados.
Adrian olhou ao redor e percebeu que estavam em uma sala grande, parte de um casarão antigo, com paredes revestidas de madeira escura e decoradas com quadros envelhecidos. O ar ali era denso, carregado de pó e memórias esquecidas. O silêncio era absoluto, exceto pelo leve ranger da madeira sob seus passos.
Will deu um giro lento, observando o ambiente. — Onde diabos estamos? — Ele se aproximou de uma lareira apagada no centro da sala. — Isso não parece parte do orfanato.
— Não é. — Adrian respondeu, com os olhos fixos onde a porta deveria estar. Nada. Apenas parede sólida. — Estamos presos aqui…
O silêncio foi rompido por um leve eco vindo de algum ponto da casa. Um som distante de passos, como se algo ou alguém se movesse pelos corredores.
Adrian e Will seguiram pelos corredores sombrios do casarão, atentos a cada ruído. O ar parecia mais denso, carregado com uma energia que arrepiava a pele. A madeira rangia sob seus pés, ecoando pelos corredores vazios, mas não estavam sozinhos.
De repente, uma figura surgiu diante deles, emergindo da escuridão com um movimento suave, mas ameaçador. Ele era um homem de pele negra como a noite, olhos vermelhos que brilhavam com uma fúria insana, e longos cabelos loiros que caíam sobre seus ombros. Um manto branco cobria seu corpo magro, contrastando de forma perturbadora com sua pele escura.
— Vocês... vão morrer aqui. — A voz dele era grave, rouca, quase como se não pertencesse inteiramente a ele. Ele avançou um passo, as mãos tremendo como se estivesse lutando contra algo dentro de si.
Adrian estreitou os olhos, avaliando rapidamente a situação. — Não é ele... está possuído. — Ele puxou suas pistolas, mas sabia que isso não importava. — Mas... não temos escolha. Não somos exorcistas. Se ele atacar, teremos que matá-lo.
O homem não esperou por mais palavras. Com uma velocidade surpreendente, ele avançou, os pés mal tocando o chão enquanto lançava um soco direto contra Adrian. Adrian desviou por pouco, o punho do homem quebrando parte da parede atrás dele.
Will não hesitou. Ele assumiu uma postura baixa, os pés firmemente plantados no chão, o estilo do tigre fluindo através de seus movimentos. Com um grunhido, ele avançou contra o homem, desferindo um golpe rápido em seu abdômen. O impacto fez o homem recuar por um segundo, mas ele não demonstrou dor, apenas um ódio crescente.
Will continuou, golpeando com precisão, cada movimento poderoso e calculado. Punhos como garras, rasgando o ar, acertando o peito e as costelas do adversário, mas ele parecia não sentir nada.
O homem riu. Um som distorcido, misturado com um chiado grotesco.
De repente, ele se lançou para frente, mordendo o braço esquerdo de Will com força desumana. Os dentes afundaram na carne, o som de ossos estalando ecoando pelo corredor. Will gritou, tentando se soltar, mas o homem segurava firme, os olhos vermelhos brilhando com um prazer sádico.
— Will! — Adrian gritou, apontando as pistolas e disparando uma rajada de tiros. As balas perfuraram o ombro e as costas do homem, que finalmente soltou Will, mas sem cair.
Sangue escorria do braço de Will, mas ele cerrou os dentes, recuando alguns passos enquanto o homem avançava novamente, agora focado em Adrian.
Adrian continuou atirando, mas o homem era rápido, desviando de algumas balas enquanto avançava como uma fera selvagem. Adrian trocou de posição, disparando novamente, mirando nos pontos vitais, mas nada parecia ser suficiente para detê-lo.
Will, com o braço ensanguentado e a dor latejando, voltou à luta. Ele girou o corpo, usando o estilo do tigre de forma agressiva, acertando um golpe direto no rosto do homem, que cambaleou para trás. O impacto fez o nariz dele explodir em sangue, mas ele ainda avançava.
— Você não vai... sair daqui vivo. — O homem murmurou, a voz entrecortada por risos insanos.
Adrian aproveitou a abertura. Ele se moveu rapidamente para o lado, girando e disparando uma bala diretamente no olho direito do homem. O impacto fez a cabeça dele sacudir violentamente, e por um segundo, ele ficou imóvel, os olhos piscando como se a conexão entre ele e a entidade tivesse falhado.
Will, mesmo com a dor intensa, avançou com um último esforço. Ele desferiu uma série de golpes rápidos e brutais no torso do homem, cada impacto ressoando como um tambor furioso. Punho, cotovelo, joelho. Cada golpe quebrava ossos e rasgava carne.
Adrian disparou mais uma vez, desta vez no coração. A bala atravessou o peito do homem, e ele finalmente caiu de joelhos, o corpo tremendo enquanto o brilho vermelho de seus olhos desaparecia lentamente.
— Acabou... — murmurou Adrian, abaixando as pistolas.
O homem tombou no chão, o manto branco agora encharcado de sangue.
Will cambaleou, segurando o braço ferido. O sangue escorria em uma poça no chão. Adrian se aproximou rapidamente, puxando um frasco de vidro com um líquido esverdeado brilhante.
— Senta. Vou cuidar disso. — Adrian disse, já rasgando parte do tecido ao redor do ferimento.
Com uma mistura de ervas trituradas e um toque de alquimia, Adrian preparou um cataplasma e pressionou contra a ferida. Will cerrou os dentes, o líquido queimando por um segundo antes de começar a cicatrizar lentamente.
— Sempre confiável. — Will murmurou, respirando fundo.
— Você perdeu um pedaço, mas vai sobreviver. — Adrian comentou, amarrando o curativo improvisado.
Eles se levantaram, olhando para o corpo do homem possuído, agora inerte. O casarão ainda estava em silêncio, mas ambos sabiam que aquilo era apenas o começo.
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Atualizado até capítulo 37
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