Lashy tremia, sentindo o frio da água suja do esgoto se infiltrando em seus ossos. O encontro com a criatura havia deixado marcas profundas em sua mente, e ele sabia que precisava de ajuda para sair dali. Sem pensar muito, ele pegou o celular, tentando manter a calma, e ligou para seu amigo de infância, Zack, conhecido carinhosamente como "Zack Doidão".
O telefone tocou uma vez, duas vezes, e então a voz de Zack explodiu no alto-falante, acompanhada pelo som de um baile funk tocando alto ao fundo. Ele parecia estar se divertindo em algum lugar cheio de vida e barulho, uma completa contradição ao desespero sombrio que Lashy vivia naquele momento.
— E aí, Lashy, meu chapa! — disse Zack, quase gritando para se fazer ouvir por cima da música. — Que tá pegando?
Lashy respirou fundo, tentando explicar sua situação em poucas palavras.
— Zack, tô preso num tubo de esgoto na galeria do parque. Eu... eu caí tentando pegar o brinquedo de uma criança e, cara, tem uma coisa muito estranha aqui embaixo. Um homem, ou uma criatura, não sei. Ele tinha um sorriso de ouro... Eu acho que era o Boca de Ouro! Eu não consigo sair sozinho, cara. A queda é alta, o lugar tá escorregadio... Preciso que me tire daqui.
Zack ficou em silêncio por alguns segundos, e então riu alto.
— Hahahaha, Lashy, você tá onde?! Na bosta mesmo, hein?! — brincou Zack, rindo de sua própria piada. — Tá bom, tá bom. Eu vou te tirar daí... mas com uma condição!
Lashy estreitou os olhos, desconfiado.
— O quê? Que condição?
— Só te tiro daí se você der um gole na pinga quando eu chegar — disse Zack, provocador.
Lashy revirou os olhos, irritado.
— Zack, eu tô falando sério! Tem algo estranho aqui embaixo, e não é hora pra brincadeira!
— Tô falando sério também! Que tipo de amigo eu seria se não aproveitasse a chance de ver o santinho do Lashy dar uma golada? — respondeu Zack, rindo.
Os dois ficaram discutindo por cerca de 20 minutos, com Zack insistindo na brincadeira e Lashy tentando convencê-lo a ser sério pela primeira vez na vida. Mas o jeito descontraído e brincalhão de Zack não mudava. Ele sabia que Lashy era certinho demais, e adorava tirar uma casquinha disso.
Finalmente, Lashy suspirou, exasperado.
— Tá bom! Tá bom! Eu dou um gole, mas só se você vier logo!
— Agora sim, meu irmão! — gritou Zack, satisfeito. — Vou estar aí em 30 minutos. Aguenta firme, hein?!
Lashy desligou o telefone, sentindo-se ao mesmo tempo aliviado e irritado. Zack podia ser uma dor de cabeça, mas era o único que ele conhecia que não pensaria duas vezes antes de mergulhar de cabeça num esgoto para ajudar um amigo.
Exatamente 30 minutos depois, o som de uma moto rasgou o silêncio da noite, ecoando pelas paredes da galeria. Lashy olhou para cima e viu Zack estacionando sua moto, os faróis iluminando o esgoto sujo. O contraste entre os dois era evidente. Zack Doidão é um jovem com um visual marcante e intimidador. Ele possui cabelos curtos e descoloridos, quase brancos, estilizados para trás com um toque rebelde. Seu olhar é penetrante, com olhos azulados que parecem estar sempre cheios de energia e um toque de loucura. No rosto, ele exibe uma expressão feroz, quase animalesca, com os dentes expostos em um sorriso selvagem e a língua para fora, mostrando sua atitude desinibida.
Ele usa diversos piercings na orelha, variando de anéis a pequenas esferas metálicas, que complementam seu estilo alternativo e ousado. Uma tatuagem detalhada e bastante chamativa cobre parte de seu pescoço, representando uma boca cheia de dentes afiados, que se assemelha a um sorriso monstruoso e macabro, reforçando sua imagem de alguém que não se intimida facilmente.
Zack veste uma camisa branca parcialmente aberta e uma corrente de prata ao redor do pescoço, exibindo um estilo que mistura elegância e um toque agressivo. Sua aparência transmite a essência de alguém livre, imprevisível e que adora desafiar as normas, vivendo intensamente cada momento.
Ele está com uma garrafa de pinga na mão, era o oposto de Lashy, que sempre andava arrumado, certinho e com sua Bíblia na mochila.
— Olha só quem eu achei aqui, literalmente na merda! — brincou Zack, acenando enquanto descia da moto.
— Me tira logo daqui, Zack, não tô de brincadeira! — reclamou Lashy, tentando não perder a paciência.
Zack riu e se aproximou, ajudando Lashy a subir de volta para a parte superior da galeria. Ele ofereceu a mão, e Lashy, com relutância, aceitou, puxando-se para fora do buraco.
— Agora a melhor parte, né? — Zack estendeu a garrafa de pinga. — Gole de gratidão!
Lashy hesitou, olhando para a garrafa como se fosse um veneno mortal, mas sabia que Zack não o deixaria em paz se não cumprisse o acordo.
— Só um gole. Só um gole — murmurou Lashy, pegando a garrafa e levando-a aos lábios, tomando um gole pequeno, mas suficiente para sentir o gosto forte da bebida queimando sua garganta. Ele fez uma careta e tossiu, o que fez Zack cair na gargalhada.
— Aí sim, meu chapa! Agora você tá oficialmente fora da igreja! — brincou Zack.
Lashy balançou a cabeça, rindo um pouco também. Mesmo que fosse irritante, ele sabia que Zack era um bom amigo. Ele sempre aparecia quando era preciso, mesmo que fosse zoando.
— Ei, Lashy, tem uma coisa que preciso te contar. Você acredita em histórias de caçadores de monstros? Porque eu sou um agora — disse Zack, ainda sorrindo, mas dessa vez com um tom mais sério.
— Como assim? — Lashy perguntou, confuso.
— Eu sou um agente da Oculta Venatorun, uma organização que caça essas criaturas estranhas, tipo o Boca de Ouro que você viu. E, pelo visto, você acabou encontrando uma delas antes mesmo de ser recrutado. Então, o que acha de se juntar a nós? Vai ser bem útil ter um cara que conhece tão bem a Bíblia pra lidar com esses seres estranhos. O que me diz?
Lashy ficou pensativo por um momento. Ele ainda estava processando o que havia acontecido naquela noite, mas sabia que aquilo era um chamado, uma oportunidade de lutar contra o mal que ele sempre soube que existia.
— Acho que não tenho outra escolha, né? Se essas coisas realmente existem... então eu quero ajudar a enfrentá-las.
Zack sorriu, satisfeito.
— Sabia que você ia topar. Bem-vindo ao time, Lashy!
Os dois se entreolharam, compartilhando um momento de compreensão. Mesmo que fossem opostos em tudo, Lashy sabia que Zack seria um aliado inestimável nessa nova jornada que estava prestes a começar.
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Atualizado até capítulo 37
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