Sangue e ossos

Arthur, sempre o mais brincalhão do grupo, foi o próximo a se voluntariar. Ele entrou no círculo com um sorriso travesso no rosto, despreocupado, e fechou os olhos, sentindo-se relaxado e até curioso com o que o esperava. Mas, no momento em que seus olhos se fecharam, o ambiente ao seu redor se transformou abruptamente.

Ele ouviu barulhos de ossos batendo uns contra os outros, como se estivesse cercado por esqueletos em movimento. Quando abriu os olhos, foi recebido por uma visão completamente diferente do que esperava. O céu era negro, e uma gigantesca caveira pairava em lugar do sol, emitindo uma luz sombria que iluminava o cenário. O chão estava coberto por montes de ossos empilhados, e um cheiro de decomposição estava no ar, tornando a atmosfera ainda mais macabra.

No centro desse mundo sombrio, em um trono grotesco feito de esqueletos humanos e de outras criaturas horrendas, estava Arquitetura Mortis, o Senhor dos Ossos. Ele era um monstro colossal, com cerca de seis metros de altura, e seu corpo era uma mistura de ossos brancos e fibras negras que se entrelaçavam, dando-lhe uma aparência distorcida e ameaçadora. Um de seus braços era visivelmente maior que o outro, e suas garras afiadas e grotescas pareciam prontas para rasgar qualquer um que se aproximasse.

O Senhor dos Ossos possuía três cabeças esqueléticas, cada uma com expressões de dor e medo eternas gravadas em seus rostos. As bocas das cabeças estavam abertas, como se quisessem gritar, mas nenhum som era emitido. As cabeças pareciam representar um tormento interminável.

Sua voz, quando falou, soou bizarra e imponente, uma mistura de ossos quebrando e um eco profundo que reverberava por todo o lugar.

— Você ousou se apresentar diante de mim, mortal. O que busca?

Arquitetura Mortis estendeu uma das suas mãos esqueléticas em direção a Arthur, e, com o movimento, o ambiente ao redor pareceu tremer. Arthur sentiu uma pressão esmagadora em seu corpo, como se estivesse sendo consumido pela própria escuridão ao seu redor. Sua visão ficou turva e a sensação de que algo estava puxando sua alma foi incontrolável.

Em um piscar de olhos, Arthur foi arrancado daquele mundo de ossos e luz sombria e se viu de volta à sala de transcendência. Seu corpo estava imerso em uma sensação de leveza e confusão, como se a experiência fosse tanto real quanto um pesadelo. Ele olhou em volta, ainda atordoado, e viu o olhar curioso de Adrian.

Adrian, com um sorriso irônico, não perdeu a chance de brincar.

— Parece que o Senhor dos Ossos não curtiu muito sua visita, Arthur. Não te deu nem um ritualzinho, hein?

Arthur, com uma expressão de desconcerto, esfregou a cabeça e tentou se recompor.

— Caramba... eu... nem sei o que aconteceu lá. O que era aquele lugar? Eu vi... três cabeças, e o trono era feito de ossos. Eu não entendi muito bem, mas parecia que eu estava no centro de uma... prisão, ou algo assim.

Adrian deu de ombros, ainda brincando.

— O Senhor dos Ossos. Ele não dá rituais a qualquer um. Se você não agradar, ele te deixa na seca, meu chapa. Esse mundo de ossos e dores? Não é algo que se queira por perto. Você tem sorte de ter voltado sem perder a cabeça... literal e figurativamente.

Arthur deu uma risada nervosa, tentando se acalmar.

— Medo, cara, foi isso que eu senti. Muito medo. Eu nunca tinha experimentado algo tão... opressor.

Adrian olhou com mais atenção para Arthur, como se estivesse avaliando.

— Bem, parece que você tem 10% de Mediunidade paranormal, isso é um começo. Pelo menos agora você tem algum poder.

Arthur assentiu lentamente, ainda processando a experiência. Ele sabia que não estava completamente em controle de tudo o que acontecia, mas agora fazia parte de algo maior. Algo que ele mal compreendia, mas que estava disposto a enfrentar.

Kath olhou para Arthur, curiosa.

— Então, o que você aprendeu com isso, Arthur?

Arthur suspirou, ainda sentindo os ecos da experiência nas suas células.

— Não sei se aprendi algo... mas sinto que algo dentro de mim mudou. Não posso explicar bem, mas sinto que posso... sentir as coisas de uma maneira mais forte. Algo a mais do que apenas os meus cinco sentidos. Eu sinto que sou mais perceptivo.

Adrian assentiu, sério agora.

— O poder está aí, Arthur. Mesmo que o Senhor dos Ossos não tenha te dado um ritual, sua Mediunidade paranormal está acordada. Agora, é só saber como usá-la.

Arthur parecia mais ciente da sua nova condição, e embora um pouco intimidado, também se sentia mais fortalecido. O que quer que fosse aquele poder, ele agora sabia que não estava sozinho nessa jornada — e que a sua conexão com Oblivion, seja qual for, estava apenas começando.

Adrian olhou ao redor, esperando a próxima pessoa a se voluntariar, e seus olhos se voltaram para Tesla, mais conhecido como Manco Toco. Ele hesitou por um momento, mas, tomando coragem, deu um passo à frente. Seus dedos tremiam levemente, e ele segurava o cigarro com mais força do que o normal.

— Parece que chegou a minha vez, — murmurou, tentando parecer confiante, embora o medo fosse evidente.

Adrian deu-lhe um sorriso encorajador, mas não deixou passar a oportunidade de provocar.

— Vai lá, Manco Toco. Mostra que você é mais que uma perna só.

Tesla revirou os olhos, apagou o cigarro no chão e entrou no círculo. Assim que pisou dentro, ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Seus batimentos cardíacos aceleraram, e ele teve a estranha sensação de que seu sangue estava fluindo mais rápido pelas veias, como se estivesse em ebulição.

No instante seguinte, tudo ao seu redor mudou. Tesla se viu em um vasto oceano de sangue. Não havia terra à vista, apenas aquele mar carmesim que parecia infinito. O céu acima era uma extensão pulsante e viva, sangrando gotas vermelhas que caíam no oceano abaixo, como se o próprio céu estivesse ferido. O ar tinha um cheiro metálico forte e opressor, e sons de movimento, como ondas quebrando, vinham de todos os lados.

Tesla olhou para baixo e percebeu algo ainda mais inquietante: ele não estava afundando no sangue. Em vez disso, estava flutuando, como se fosse sustentado por uma força invisível. Porém, sob a superfície, ele viu silhuetas gigantescas nadando. Elas eram indistintas, mas a mera visão dessas criaturas era suficiente para encher seu coração de pavor.

De repente, ele sentiu uma presença. Voltando-se, seus olhos encontraram uma figura alta e imponente, de pé a poucos metros dele. A figura parecia humana, mas algo nela era terrivelmente errado. Vestia um manto negro e vermelho, que ondulava como se estivesse vivo. Ao se aproximar, Tesla percebeu que dentro do manto não havia corpo, mas uma sombra vermelha pulsante.

A figura emanava uma névoa de sangue que flutuava ao seu redor, reforçando sua aura de poder. Seus olhos eram negros como o vazio, mas brilhavam de forma ameaçadora, enquanto um sorriso demoníaco se formava em sua "boca". A voz que veio em seguida era suave, quase melódica, mas carregava uma intimidação que fazia o sangue de Tesla gelar.

— O que de mim veio, para mim retornará!

Antes que Tesla pudesse reagir ou entender o significado das palavras, o Senhor do Sangue levantou a mão, e o oceano ao redor começou a borbulhar violentamente. Uma onda de sangue ergueu-se, engolindo Tesla em um instante. Ele tentou resistir, mas foi inútil; o líquido viscoso o puxou para baixo.

No momento em que começou a afundar, uma sensação estranha tomou conta de seu corpo. Ele sentiu uma conexão com o sangue ao seu redor, como se pudesse sentir cada gota, cada movimento. Era aterrorizante e, ao mesmo tempo, incrivelmente poderoso.

Quando abriu os olhos novamente, Tesla estava de volta ao círculo, deitado no chão, ofegante. Sua mão foi instintivamente ao peito, tentando sentir seu coração, que batia como se tivesse corrido uma maratona.

Adrian aproximou-se com um sorriso travesso, oferecendo-lhe uma mão para ajudá-lo a se levantar.

— E aí, Toco, viu algo interessante lá?

Tesla olhou para ele com uma expressão séria, ignorando a provocação.

— Eu vi... algo. O Senhor do Sangue. Ele disse que... tudo o que veio dele retornará para ele.

Adrian arqueou uma sobrancelha, claramente intrigado.

— Ah, ele gosta de filosofar. Mas... pelo jeito, você não saiu de mãos abanando, né?

Tesla franziu o cenho, percebendo que seu corpo parecia diferente. Havia algo novo dentro dele, uma energia que não estava lá antes.

— É como se... eu pudesse controlar o sangue. Não sei explicar direito, mas sinto que posso... puxá-lo, manipulá-lo.

Adrian assentiu, agora mais sério.

— Então ele te deu um ritual. Boa! Esse é o poder de Oblivion se manifestando. E você tá com uma boa dose disso agora.

Tesla olhou para suas mãos, tentando entender o que havia mudado. Adrian continuou, explicando.

— Você agora tem 10% de Mediunidade paranormal, o que é um belo avanço. E o seu ritual... parece que ele chamou a atenção mesmo.

Adrian explicou o ritual que Tesla agora podia usar:

- Reversão de Sangue: Tesla pode drenar o sangue de seus alvos, causando dano a eles enquanto usa o sangue absorvido para curar seus próprios ferimentos.

Tesla olhou para Adrian, ainda confuso, mas agora com uma centelha de determinação nos olhos.

— Isso é... bizarro. Mas talvez seja útil.

Adrian deu-lhe um tapinha no ombro e sorriu.

— É isso aí, Toco. Bem-vindo ao clube dos paranormais. Agora só falta você aprender a usar isso direito.

Tesla assentiu, sentindo que aquela experiência, por mais aterrorizante que tivesse sido, era apenas o começo de algo muito maior.

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