UMA HORA ATRÁS...
Na sala de treinamento da Oculta, os agentes estavam reunidos em torno de um grande círculo desenhado no chão com símbolos complexos e linhas que pareciam pulsar levemente, como se fossem vivas. No centro, Adrian, com seu visual marcante e postura descontraída, girava uma de suas glocks rosas no dedo enquanto explicava algo que muitos ali ainda não compreendiam completamente.
Kath, com os braços cruzados, observava o círculo com curiosidade e uma pitada de desconfiança. Ela foi a primeira a quebrar o silêncio:
— Adrian, o que exatamente significa "transcender"?
Adrian parou de girar a pistola, apoiou-a no coldre e deu um sorriso travesso, mas seus olhos brilhavam com seriedade. Ele mordeu o pirulito que sempre carregava e começou a explicar:
— Transcender, minha querida, é o primeiro e mais importante ritual para qualquer agente que lida com o sobrenatural. É o que nos conecta diretamente ao Oblivion, a dimensão de onde vêm todas essas coisas bizarras que enfrentamos.
Ele se abaixou, tocando o círculo no chão com o dedo indicador, como se estivesse enfatizando o que era mais importante.
— Quando você transcende, você rompe os limites humanos. Você abre mão de uma parte da sua humanidade para se fundir com a energia de Oblivion. É um processo lento, mas cada vez que você transcende, você ganha mais conexão com essa energia.
Leo, que estava encostado em uma das paredes, com os braços cruzados, arqueou uma sobrancelha.
— E o que a gente ganha com isso? Porque abrir mão de parte da minha humanidade não soa tão atraente assim.
Adrian levantou-se, cruzou os braços e olhou diretamente para Leo.
— Ganha poder, Leo. Poder para enfrentar coisas que um humano normal não tem a menor chance de derrotar. Quando você transcende, um dos senhores dos elementos de Oblivion escolhe você.
— Elementos? — interrompeu Manco toco, inclinando-se levemente para frente, interessada.
Adrian começou a caminhar lentamente em círculos ao redor do grupo, como se quisesse manter o suspense.
— Pelo visto você nao prestou atenção no mr Oculto, existem quatro elementos principais em Oblivion: Carne, Ossos, Sangue e Alma. Cada um tem uma entidade primordial que o governa, uma força que representa a essência daquele elemento. Quando você transcende, você é escolhido por um deles. Isso define o tipo de poder que você terá e os rituais que pode executar.
Arthur, com um sorriso no rosto, levantou a mão como se estivesse em uma sala de aula.
— Então, tipo... a gente vira um mago de carne ou algo assim?
Adrian deu uma risada curta.
— Algo assim. Mas não pense que é só glamour. Ser escolhido por um elemento é um peso, não um presente. Esses senhores não escolhem qualquer um, e quando escolhem, sempre têm suas próprias razões.
Lashy, que até agora estava em silêncio, finalmente falou, sua voz calma mas carregada de preocupação:
— E se alguém não for escolhido?
Adrian parou de caminhar e olhou diretamente para ela.
— Todos são escolhidos, Lashy. A questão é: o que você está disposto a sacrificar para ser aceito?
O silêncio tomou conta da sala. Até mesmo Manco Toco, que costumava ser cínico sobre quase tudo, parecia estar considerando as palavras de Adrian com seriedade.
— E como funciona esse tal círculo? — perguntou Kath, apontando para o chão.
Adrian sorriu novamente, mas desta vez seu sorriso era mais sombrio.
— Ah, o círculo é simples. Quando você entra nele, a conexão com Oblivion é estabelecida. Você sente a energia, como uma corrente elétrica, e então... algo acontece. Não dá para descrever exatamente, porque é diferente para cada um.
Ele se abaixou novamente, tocando o centro do círculo.
— Mas uma coisa é certa: ao entrar aqui, você nunca sai o mesmo.
Leo descruzou os braços e deu um passo à frente.
— E essas porcentagens que você mencionou? Como isso funciona?
Adrian ergueu um dedo, como se estivesse explicando algo óbvio.
— Cada vez que você transcende, uma porcentagem maior da energia de Oblivion se funde com você. No início, é apenas uma pequena parte, talvez 10%. Mas com o tempo, isso cresce. Quanto mais energia você carrega, mais poderoso você se torna, mas também... menos humano.
Manco Toco deu uma tragada longa no cigarro, soltando a fumaça devagar.
— Então basicamente é um caminho sem volta.
Adrian deu de ombros.
— Exatamente. Mas se você está aqui, é porque já escolheu enfrentar coisas que nenhum humano normal deveria enfrentar. Transcender é apenas o próximo passo.
Artur deu uma risada nervosa.
— Parece coisa de culto.
— E não está tão longe disso — respondeu Adrian, sério.
O grupo ficou em silêncio novamente, cada um processando o que havia acabado de ouvir. A tensão na sala era quase palpável, mas Adrian parecia completamente à vontade, como se já estivesse acostumado com as dúvidas e os medos que vinham antes da transcendência.
— Quando formos ao orfanato, vocês vão precisar estar preparados. Oblivion não perdoa os fracos. Então, sugiro que pensem bem antes de entrarem no círculo.
Ele olhou para cada um deles, seus olhos brilhando com uma intensidade quase sobrenatural.
— A escolha é de vocês. Mas lembrem-se: quem não transcende não sobrevive.
Na sala silenciosa, os agentes observavam o círculo de transcendência com olhares tensos e hesitantes. Kath foi a primeira a romper o silêncio. Ela deu um passo à frente, o som de suas botas ecoando pelo espaço.
Leo, seu irmão, franziu o cenho e segurou seu braço.
— Tem certeza, Kath? — perguntou, seu tom carregado de preocupação.
Ela virou-se para ele, com um olhar sério e decidido.
— Sim, Leo. Eu tenho que fazer isso. Não vou ficar para trás quando todos aqui estão arriscando tudo.
Leo hesitou por um momento, mas ao ver a determinação no olhar da irmã, soltou seu braço, embora ainda parecesse preocupado.
— Tudo bem... mas tome cuidado.
Kath respirou fundo e deu um passo para dentro do círculo. Assim que ela entrou, as linhas que compunham os símbolos começaram a brilhar com uma luz intensa, pulsando como se tivessem vida própria. Kath sentiu um calor suave envolvendo seu corpo, como um abraço reconfortante.
De repente, o mundo ao seu redor mudou. A sala desapareceu, dando lugar a um espaço que parecia existir fora do tempo e do espaço. Kath estava em um ambiente vasto e escuro, como se estivesse flutuando no cosmos. Estrelas e nebulosas brilhavam ao longe, mas havia algo mais à sua frente.
Uma figura celestial e imponente surgiu, irradiando luz e majestade. O ser era magnífico, com um corpo branco resplandecente e translúcido, quase como se fosse feito de energia pura. Múltiplas asas brilhantes estendiam-se de suas costas, formando um espetáculo de luz simétrica e angelical.
Kath sentiu sua respiração ficar pesada diante da presença daquela entidade. Seu corpo parecia pequeno e insignificante, mas, ao mesmo tempo, ela sentia uma paz inexplicável. A figura tinha um halo dourado brilhante acima de sua cabeça, mas nenhum traço facial visível, o que a deixava ainda mais misteriosa. Em suas mãos, a figura segurava uma espada flamejante, cujas chamas dançavam de forma hipnotizante.
Sem mover a boca — pois não parecia ter uma —, a entidade falou, sua voz ecoando diretamente na mente de Kath:
— Sou um enviado. Não de Oblivion, mas de algo maior. Sua alma foi escolhida. Você será abençoada com o sagrado. Use este poder com sabedoria e justiça.
Kath não sabia o que responder, mas a figura não parecia esperar uma resposta. Ela ergueu a espada flamejante e tocou levemente a ponta na testa de Kath. Um calor intenso percorreu o corpo dela, não como dor, mas como uma onda de poder e propósito.
O ambiente cósmico começou a se dissolver, e, antes que pudesse entender completamente o que aconteceu, Kath abriu os olhos. Ela estava de volta à sala da Oculta, de pé dentro do círculo de transcendência. Seu corpo parecia um pouco diferente, mais forte, mais leve, como se algo dentro dela tivesse mudado.
Adrian, que estava recostado em uma das paredes, observava com um sorriso intrigado.
— E aí, garota? Como foi?
Kath saiu do círculo, ainda um pouco atordoada. Ela tocou a própria testa, como se pudesse sentir o resquício do toque da espada.
— Eu... eu não acho que estava em Oblivion — disse ela, com a voz um pouco trêmula. — Era... diferente. Era algo puro. A entidade disse que era uma enviada... de Deus.
Adrian arregalou levemente os olhos, mas logo deu de ombros, mastigando seu pirulito.
— Interessante. Isso é raro, mas acontece. Nem todos os que transcendem se conectam diretamente a Oblivion. Alguns despertam poderes paranormais que vêm de... digamos, fontes mais divinas.
Kath assentiu lentamente.
— Meu elemento é o sagrado.
Adrian ergueu uma sobrancelha, impressionado.
— Nada mal. E o que você ganhou?
Kath fechou os olhos por um momento, sentindo as novas habilidades fluindo dentro de si, como se já as conhecesse desde sempre.
— Eu consigo usar Olhos de Águia. Minha visão agora é aprimorada, como a de uma ave de rapina. Será perfeito para minha função como sniper.
Ela fez uma pausa, respirando fundo.
— E também posso usar Cura Divina. Com ela, posso curar ferimentos leves e médios, usando... luz.
Adrian assobiou baixo, impressionado.
— Um elemento raro e habilidades úteis. Parece que você saiu ganhando, Kath.
Leo se aproximou, segurando os ombros da irmã.
— Você está bem?
Kath sorriu, um pouco mais confiante agora.
— Estou. E mais forte do que nunca.
Os outros agentes observavam em silêncio, alguns ainda hesitantes sobre entrar no círculo, mas agora havia uma mistura de curiosidade e esperança no ar. Adrian bateu palmas para chamar a atenção de todos.
— Muito bem, pessoal. Um elemento já foi revelado. Quem será o próximo?
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Atualizado até capítulo 37
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