Mansão Valentine

Dethi desceu as escadas do porão lentamente até chegar ao último degrau da escadaria escura, sentindo a pressão opressiva do porão ao seu redor. As paredes eram de pedra fria, e o ar cheirava a umidade e ferrugem. A única fonte de luz vinha de uma lâmpada fraca pendurada no teto, oscilando suavemente, lançando sombras que pareciam se mover sozinhas. Quando ele alcançou o fundo, a porta atrás dele se fechou com um estrondo, trancando-o lá dentro.

— Brisa! A porta tá trancada! — ele gritou, batendo no pedaço de madeira agora imóvel.

Do lado de fora, Brisa ouviu o som e correu até a porta, tentando girar a maçaneta. — Dethi! Essa merda não abre! Sai daí! Não é só porque você soca forte que vai sobreviver em filme de terror! Todo mundo que desce pro porão sozinho morre, véi! — ele gritava, mas Dethi o ignorou.

— Cala a boca e me deixa focar aqui! — Dethi rebateu, a voz firme, mas com uma leve tensão que ele tentava esconder.

Determinando que não tinha escolha, Dethi começou a explorar o porão. Ele avistou um quartinho ao fundo, a porta entreaberta. Ao se aproximar, ele percebeu algo estranho no ar: um cheiro metálico ainda mais forte que o do salão principal, misturado com podridão. Dentro do quartinho, viu a motosserra encostada no canto, com sangue seco em sua lâmina. Ele hesitou por um momento antes de pegá-la.

— Melhor prevenir do que remediar. — murmurou para si mesmo, sentindo o peso da arma improvisada em suas mãos.

Então, ele ouviu. Um som baixo e grave, quase como um ronco monstruoso, vindo do fundo do quartinho. Seus olhos azuis tentaram se ajustar à penumbra, e ele finalmente viu o que estava ali.

A criatura era enorme, quase encostando no teto baixo do porão. Seu corpo era uma massa grotesca de carne pulsante e ossos deformados. A característica mais horrenda, no entanto, era a boca. Uma abertura gigantesca que se estendia por todo o torso da criatura, cheia de dentes afiados e irregulares. Ela estava agachada, mas se ergueu lentamente, revelando sua altura assustadora.

Dethi respirou fundo, segurando firme a motosserra enquanto ela rugia ao ser ligada. — Tá bom, grandão... Vamos ver quem é que vai jantar hoje. — Ele avançou, a motosserra cortando o ar com um ruído ensurdecedor.

A luta foi brutal. A criatura avançava com suas mãos enormes e grotescas, tentando agarrar Dethi, enquanto ele esquivava com a agilidade de um boxeador. Seus golpes com a motosserra rasgavam a carne monstruosa, espalhando sangue negro pelo porão. A cada ataque, ele sentia seus braços ficando mais pesados, mas a adrenalina o mantinha em movimento.

Entretanto, a criatura era feroz. Um golpe de sua mão gigantesca jogou Dethi contra a parede, fazendo-o soltar um grito de dor. Ele se levantou, cuspindo sangue, e avançou novamente, enfiando a motosserra no abdômen da criatura. O monstro soltou um grito ensurdecedor, mas, em um último movimento desesperado, ele abriu sua enorme boca e engoliu Dethi inteiro, junto com a motosserra.

Brisa, do lado de fora, escutava tudo. Os rugidos do monstro, os gritos de Dethi, o som da motosserra cortando carne. Então, o silêncio caiu. Apenas o som da motosserra ainda funcionando ecoava por alguns segundos antes de se apagar completamente.

Ele ficou parado, olhando para a porta, esperando que Dethi saísse, mas a realidade logo o atingiu.

— Não... Não, não, não...! — Brisa murmurava, começando a entrar em pânico. Ele se virou e correu em direção ao carro preto da Oculta, estacionado na entrada da mansão. Sua mente estava a mil, o medo dominando seus pensamentos.

Quando entrou no carro, as mãos tremiam tanto que ele mal conseguia colocar a chave na ignição. — Merda, merda, merda! — ele repetia, sentindo o suor escorrer por sua testa. Finalmente conseguiu dar partida, e o motor rugiu.

Enquanto dirigia em alta velocidade pela estrada deserta, ele pegou o rádio do carro para tentar contato com a Oculta.

— Aqui é o Brisa! É uma emergência! — ele gritou, sua voz ofegante. — O Dethi... Ele tá morto! O monstro do porão pegou ele! Tem uma criatura gigante lá! A gente não tava preparado pra isso! Precisamos de reforço, agora!

A resposta veio quase instantaneamente, a voz fria e calculista de Mr. Oculto preenchendo o rádio. — Compreendido, Brisa. Continue se afastando. Iremos enviar uma equipe de contenção imediatamente. Mantenha-se seguro.

— Seguro? Tá de brincadeira comigo? Aquele lugar não tem nada de seguro! — Brisa retrucou, acelerando ainda mais. Ele olhou pelo retrovisor, como se esperasse que algo saísse da mansão para persegui-lo, mas a estrada atrás dele estava vazia.

Ele tragou profundamente seu cigarro, tentando acalmar os nervos enquanto dirigia para longe, mas a cena dos gritos de Dethi ecoava em sua mente. — Que merda a gente tá fazendo aqui... — murmurou para si mesmo, sentindo um misto de culpa e alívio por ter saído vivo.

O carro avançava pela noite, mas Brisa sabia que aquela missão não acabaria tão cedo. A mansão Valentine guardava segredos que a Oculta precisaria enfrentar, mas ele não sabia se queria estar lá quando isso acontecesse.

Horas depois do relato desesperado de Brisa, a Oculta enviou um grupo de quatro agentes experientes para investigar e resolver a situação na Mansão Valentine. Cada um deles era especializado em combate contra entidades sobrenaturais e em magia ritualística, mas nenhum estava preparado para o horror que os aguardava.

Assim que chegaram, o grupo — composto por Dante, um exorcista veterano; Ivy, uma maga exorcista ; Rick, um especialista em armas de fogo; e Miguel, um alquimista e especialista espiritual — desceu direto para o porão. Lá, encontraram a criatura grotesca morta, suas vísceras espalhadas pelo chão. No meio do corpo despedaçado, viram a motosserra de Dethi ainda cravada na carne do monstro. Ao lado dela, as luvas ensanguentadas e a guia de Iemanjá que ele sempre carregava.

— Esse era o tal Dethi, certo? — comentou Ivy, sua voz baixa, tentando esconder o desconforto. — Parece que ele não foi embora sem deixar um estrago.

Dante se ajoelhou ao lado do corpo, analisando-o com olhos treinados. — Ele morreu lutando. E pelo estado dessa coisa, ele provavelmente salvou a gente de um monstro pior do que imaginávamos.

Miguel tirou algumas amostras do sangue escuro da criatura enquanto Rick tirava fotos do local com uma câmera especial fornecida pela Oculta. O cheiro de putrefação enchia o ambiente, tornando difícil até mesmo respirar.

— Isso aqui não é normal, nem para os padrões da Oculta. — disse Miguel, olhando para o grupo. — E se o porão já era assim, o que diabos nos espera no andar de cima?

Sem obter respostas, eles resolveram seguir para o segundo andar. A tensão entre eles era palpável enquanto subiam as escadas de madeira, que rangiam sob seus pés. A mansão parecia viva, como se respirasse em cada sombra que se movia e cada ruído distante.

Ao chegarem no corredor do segundo andar, ouviram um som baixo, quase um rugido abafado, vindo de um dos quartos à frente. Todos ficaram em silêncio, assumindo posições de combate. Dante segurava seu crucifixo e recitava orações baixas, Ivy preparava uma esfera de energia mágica em suas mãos, Rick segurava sua espingarda de calibre pesado, e Miguel ajustava frascos com substâncias alquímicas em sua bandoleira.

De repente, uma porta no final do corredor explodiu para fora, e a criatura emergiu. Era ainda mais horrenda do que qualquer um deles poderia imaginar. Sua cabeça malformada parecia ser fundida com o torco parecendo um dedão com um pequeno rosto no meio, gritando em agonia, enquanto seus braços gigantes e musculosos terminavam em mãos que poderiam esmagar um carro com facilidade. Ela soltou um rugido ensurdecedor e avançou.

O confronto começou imediatamente. Rick disparou com sua espingarda, cada tiro ecoando pela mansão, mas as balas pareciam apenas irritar o monstro. Ivy lançou feitiços poderosos, chamas místicas envolvendo a criatura, mas ela atravessou o fogo como se nada tivesse acontecido. Miguel tentou jogar frascos com substâncias corrosivas, que explodiam em nuvens verdes de ácido, mas a pele do monstro parecia se regenerar quase instantaneamente.

Dante tentou banir a criatura com rituais de exorcismo, sua voz ecoando pelo corredor enquanto ele levantava seu crucifixo. A criatura, no entanto, ignorou completamente suas palavras sagradas e avançou sobre ele, esmagando-o contra a parede com um único golpe. O som dos ossos de Dante se partindo foi abafado por seu grito de agonia.

Rick tentou recarregar, mas a criatura foi mais rápida. Com um movimento devastador, ela arrancou seu braço com um só golpe, jogando-o contra a parede antes de esmagá-lo com seus pés monstruosos.

Ivy gritou, canalizando toda a sua energia para um feitiço final, mas antes que pudesse conjurá-lo, a criatura a agarrou e a ergueu no ar. Ela tentou resistir, mas foi inútil. A boca gigante no torso do monstro se abriu e a devorou inteira, suas últimas palavras se perdendo em um grito sufocado.

Miguel, vendo que não havia mais esperança, tentou fugir, mas não chegou muito longe. A criatura o alcançou facilmente e o arremessou contra o teto, fazendo com que ele caísse como uma boneca quebrada. Ele tentou rastejar, mas a criatura esmagou sua cabeça com um golpe brutal.

Quando o silêncio finalmente caiu sobre a mansão, tudo o que restava era o sangue dos agentes, espalhado pelo chão e paredes do segundo andar. A criatura, agora saciada, voltou para as sombras de seu covil, esperando pela próxima vítima.

A noite foi preenchida por gritos e sons de destruição, mas ninguém nas redondezas ousou se aproximar da Mansão Valentine. E assim, ela permaneceu, um lugar amaldiçoado que continuaria a desafiar qualquer um que tivesse coragem suficiente para entrar.

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Comments

Yuri 😵‍💫

Yuri 😵‍💫

Lá ele da porra bicho KKKKKKKKKKKK

2025-01-19

0

Noxinfinity

Noxinfinity

Caraí /Bye-Bye/

2024-12-13

1

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