Na sala escura e minimalista, Mr. Oculto permanecia sentado à cabeceira de uma longa mesa, cercado pelos novos agentes. Sua presença austera e os traços enigmáticos de sua máscara faziam o ambiente pesar. Manco toco ou tesla que é seu nome é um jovem de olhos amarelos e cabelos brancos, ele manca sobre uma perna, inquieto, tragava seu cigarro enquanto tentava não cruzar o olhar com o líder, demonstrando seu respeito... ou medo.
— Antes que vocês retornem à Mansão Valentine — começou Oculto, sua voz baixa e controlada —, preciso que compreendam o que realmente enfrentam. O mundo que vocês conhecem está entrelaçado com uma dimensão paralela que chamamos de Oblivion.
Ele se levantou lentamente, suas mãos segurando uma bengala de madeira ornamentada. A sala parecia vibrar levemente enquanto ele continuava:
— Oblivion é um reflexo distorcido da nossa realidade. Um espaço onde as leis do nosso mundo não têm poder. Tudo em Oblivion gira em torno de quatro pilares: Carne, Ossos, Sangue e Alma. São os fundamentos que sustentam não só a vida, mas também os horrores que vocês encontraram e ainda encontrarão.
Ele gesticulou para o projetor atrás de si, que mostrou imagens perturbadoras de entidades. Primeiro, uma criatura feita de músculos pulsantes e vísceras expostas, movendo-se de forma antinatural.
— Carne. A entidade que representa este elemento é conhecida como O Flagelo Carnal ou Senhor da carne. Ela controla a matéria viva, distorcendo corpos e transformando o vivo no grotesco. É a fonte dos "zumbis de carne" que vocês enfrentaram.
A imagem mudou para um esqueleto colossomente composto por vários ossos negros humanos amalgamados, caminhando por um campo de destruição.
— Ossos. Representado pela entidade chamada Arquitetura Mortis ou Senhor dos ossos. Um ser que transforma os restos da morte em armas e fortalezas. É também o que reforça a imortalidade de muitas criaturas.
Em seguida, a imagem mostrou rios vermelhos e criaturas deformadas bebendo avidamente do sangue que corria por eles, e uma silhueta vermelha enigmática no meio.
— Sangue. Regido pelo Sanguinário Rubra ou Senhor do sangue, que dá vida a suas criações através do sangue. É o coração de Oblivion, o que mantém o equilíbrio das outras forças.
Por fim, uma forma indistinta apareceu na tela, composta de fumaça negra e milhares de faces chorando e gritando.
— Alma. E então, há A Matriz do Éter ou Senhor das almas, a mais enigmática e perigosa das entidades. É a guardiã daquilo que resta após a morte: as almas. É ela quem dá propósito ao vazio de Oblivion e às aberrações que vagam por lá.
Oculto voltou a se sentar, observando cada um dos agentes. Seu olhar parecia penetrar além da máscara, sondando suas almas.
— Entender esses elementos é crucial para sobreviver. Cada entidade em Oblivion está conectada a um desses pilares. Quando vocês voltarem à mansão, a prioridade será identificar a natureza do monstro do segundo andar. Pelo que sabemos, pode ser uma manifestação de Carne ou de Ossos... mas o que enfrentaram no porão, com Dethi, parecia ser uma fusão incomum de Carne e Sangue.
Manco Toco apagou seu cigarro no cinzeiro da mesa, as mãos tremendo levemente.
— E se for... Alma? — perguntou ele, quase sussurrando.
Oculto olhou diretamente para Toco, fazendo-o recuar em sua cadeira.
— Se for Alma, garoto, não haverá segunda chance.
O silêncio pairou sobre o grupo por um momento. Will, o mais destemido entre eles, quebrou a tensão com um sorriso forçado.
— Bem, então não deixemos que chegue a isso. Temos um time forte, certo?
Kath cruzou os braços, balançando a cabeça. — Desde que ninguém aja por impulso, como sempre...
Brisa, que havia sobrevivido ao último incidente, entrou na sala nesse momento, seu semblante abatido. Ele olhou para o grupo e disse:
— A mansão não é só um foco de Oblivion. Ela está corrompendo a realidade ao redor. Se não resolvermos isso agora, não será só a mansão que estará amaldiçoada.
Oculto acenou lentamente, confirmando as palavras de Brisa.
— Vocês têm suas ordens. O time está montado, e espero que aprendam com os erros dos que vieram antes. Agora vão, e me tragam respostas.
Os agentes se levantaram, alguns mais confiantes que outros, e saíram em direção à próxima missão. Manco Toco hesitou por um momento, olhando para Oculto antes de deixar a sala.
— Toco — chamou Oculto, sua voz cortando o silêncio. — Controle o medo, ou ele o controlará.
Toco assentiu em silêncio e seguiu os outros. As palavras de Oculto martelavam em sua mente enquanto se preparava para encarar mais uma vez os horrores de Oblivion.
Os agentes se reuniram no pátio da base, prontos para partir em direção ao orfanato. Adrian, o recém-chegado, se destacou imediatamente ao entrar com passos firmes e uma presença marcante. Seu cabelo rosado balançava enquanto ele mastigava distraidamente um pirulito, e suas glocks rosas brilhavam sob a luz. Ele olhou para o grupo com um sorriso travesso e uma postura relaxada, mas seu olhar intenso deixava claro que ele sabia o que estava fazendo.
— Então, pessoal, já ouviram falar de trabalho em equipe, certo? — disse Adrian, sua voz masculina carregada de uma confiança cativante. Ele jogou o pirulito de lado e estalou os dedos, mostrando as unhas pintadas de preto. — Vamos nos dividir em duas equipes: equipe A e equipe B. Assim, cobrimos mais terreno e, se algo der errado, temos mais chances de sobrevivência.
Kath, Arthur, Cleberson e Manco Toco se entreolharam, claramente já esperando que fossem colocados juntos.
— Equipe A: vocês entram pela frente — continuou Adrian, apontando para o quarteto. — É o caminho mais direto, mas também o mais perigoso.
— Perfeito, mais um dia sendo isca — murmurou Manco Toco, tragando o cigarro com nervosismo.
Adrian deu uma risadinha e virou-se para Lashy e Leo.
— E nós três seremos a equipe B. Vamos entrar pelos fundos. Menos glamoroso, mas alguém precisa fazer o trabalho sujo.
Leo ajeitou sua jaqueta de couro, claramente satisfeito com a formação. Lashy, que costumava ser mais reservada, deu um pequeno aceno de cabeça, indicando que estava pronta.
Adrian ajustou sua coleira com a cruz estilizada e apontou para o mapa do orfanato que estava sobre a mesa.
— Escutem bem. O objetivo é simples: encontrar e eliminar a fonte do Oblivion dentro do orfanato. Se for uma entidade, eliminamos. Se for um portal, selamos. E se for outra coisa... bom, a gente improvisa.
Cleberson, um dos mais experientes do grupo, levantou a mão.
— E a comunicação? Como vamos manter contato?
Adrian levantou uma sobrancelha, claramente apreciando a preocupação. Ele tirou um pequeno dispositivo do bolso e jogou para Cleberson.
— Rádios de curto alcance. Se algo der errado, apertem o botão lateral e gritem por ajuda. Mas vou deixar claro: gritem só se estiverem prestes a morrer, porque eu odeio ser interrompido quando estou trabalhando.
Manco Toco bufou, já incomodado com o estilo excêntrico de Adrian, mas não disse nada. Kath, por outro lado, parecia intrigada.
— E se encontrarmos sobreviventes? — perguntou ela, mantendo o tom profissional.
Adrian deu de ombros, sua língua bifurcada surgindo brevemente enquanto ele sorria.
— Se for humano, protejam. Se não for... vocês sabem o que fazer.
Com as equipes definidas, todos se prepararam para partir. A atmosfera era tensa, mas o ar de confiança de Adrian parecia acalmar, pelo menos um pouco, o nervosismo do grupo.
[Equipe A – Entrada Principal]
Kath liderava o grupo com Cleberson logo atrás, ambos atentos a qualquer movimento. Manco Toco segurava sua pistola com as mãos firmes, embora seu olhar revelasse inquietação. Arthur, o mais descontraído do grupo, tentava aliviar a tensão com piadas ocasionais, que eram ignoradas pelos outros.
— Sempre quis entrar num filme de terror, mas ninguém me avisou que era sem figurante pra morrer primeiro — murmurou Arthur.
— Só cala a boca e presta atenção — respondeu Kath, os olhos fixos na entrada do orfanato.
A porta estava entreaberta, rangendo suavemente com o vento. Eles entraram, encontrando um saguão vazio e escuro, com móveis cobertos de poeira e marcas de arranhões nas paredes.
— Isso está errado — sussurrou Cleberson, apertando a arma em suas mãos.
[Equipe B – Entrada pelos Fundos]
Adrian abriu caminho pela porta dos fundos com um chute bem colocado, fazendo-a ranger alto. Ele segurava suas glocks rosas, uma em cada mão, e parecia completamente à vontade.
— Bem, isso aqui é um charme — comentou, observando o corredor escuro que se estendia à frente.
Leo e Lashy o seguiram, ambos cautelosos. Lashy segurava seu amuleto de cruz em uma das mãos, pensando se essa loucura era necessária, enquanto Leo segurava uma espingarda com firmeza.
— Você sempre é assim? — perguntou Leo, referindo-se à atitude relaxada de Adrian.
Adrian deu de ombros, apontando com uma de suas pistolas para uma porta ao lado.
— Relaxar é a chave para sobreviver, meu caro. Se você surta, já perdeu metade da batalha.
Eles abriram a porta, encontrando uma sala cheia de brinquedos antigos, todos espalhados pelo chão de maneira desordenada. No centro, uma boneca de porcelana com um olhar perturbador parecia observá-los.
— Isso não é nada bom... — murmurou Lashy, apertando o amuleto.
Adrian se aproximou lentamente, chutando um dos brinquedos para o lado.
— Vamos ver onde isso vai dar...
E assim, as duas equipes avançaram para dentro do orfanato, cada uma pronta para enfrentar os horrores que aguardavam.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 37
Comments