Rio de Janeiro 2022
Maria Eduarda:
O ar estava tenso naquela noite. Eu não sabia dizer o que exatamente me deixava desconfortável, mas algo estava acontecendo que eu não conseguia explicar. Talvez fosse a sensação de que, no fundo, havia algo que eu não estava vendo. Algo além das palavras e olhares. Terror tinha falado tanto, mas de um jeito que me deixou inquieta. Ele, que sempre foi tão seguro de si, parecia ter algo guardado. Eu sentia que ele estava diferente naquela noite.
Fiquei pensando no que ele me disse. Será que ele estava com ciúmes de Gaspar? Eu tentei me convencer de que era só coisa da minha cabeça. Mas, à medida que as horas passavam, aquela ideia não me deixava em paz. Ele nunca foi de demonstrar, mas talvez aquela fosse a primeira vez que ele estava sendo... humano, mostrando alguma vulnerabilidade. Talvez fosse só minha imaginação, ou talvez não.
– Não, Duda, para com isso. – Pensei comigo mesma, tentando afastar a ideia. – O Terror só deve ter falado da boca pra fora, querendo marcar território. É isso.
Mas, mesmo com as palavras tentando se organizar na minha cabeça, um sentimento de dúvida persistia. Gaspar, por outro lado, estava ali, com aquela postura despreocupada e confiante de sempre. Mas eu sabia que ele tinha algo mais, algo que ele queria provar. Ele nunca foi o tipo de cara que se apega, mas, quando se foca em algo, não tem quem faça ele desistir. Eu o conhecia o suficiente para perceber que ele tinha um interesse bem claro por Laís, e isso me fazia questionar ainda mais tudo o que estava acontecendo.
Quando me aproximei de Gaspar, fui tomada por uma sensação estranha. Não sabia se ele estava só brincando, provocando, ou se realmente estava tentando algo mais. A tensão entre ele e Laís era palpável. Eu percebia no olhar dela um desconforto que ela tentava disfarçar, mas não conseguia. Ela tentava ser educada, mas as palavras dela saíam de maneira um tanto forçada.
– Ô, Duda, demorou, hein? – Laís me cumprimentou com aquele sorriso largo, mas logo pude notar que o olhar dela estava em outro lugar. Ela estava tentando se controlar, tentando não demonstrar que a situação estava saindo do controle.
– Fala, Laís! Tava te procurando. – Respondi, tentando descontrair. Mas eu sentia que o clima entre ela e Gaspar estava esquentando.
Gaspar, com sua confiança inabalável, não estava fazendo questão de esconder o interesse por Laís. A cada palavra, ele se aproximava mais, e, mais uma vez, eu vi nela um misto de desconforto e curiosidade. Laís não queria ceder, mas, como sempre, Gaspar era imbatível quando queria algo.
Eu olhei para ele, então, como quem tenta entender suas intenções. Gaspar sorriu com aquele sorriso meio torto, como se soubesse que estava causando uma reação, e não se importava nem um pouco. Ele tinha aquele jeito de quem já sabia o que queria e estava disposto a conseguir.
– E aí, Laís, como vai? – Gaspar perguntou, com um tom que parecia totalmente despretensioso. Mas seus olhos estavam fixos nela. Era como se ele estivesse traçando um plano, calculando cada movimento.
– Vai bem... – Laís respondeu, tentando soar casual. Mas eu podia perceber que ela estava tensa. Havia uma inquietação em sua voz, e não era só a minha imaginação.
Foi nesse momento que me dei conta de algo. O que eu percebia como tensão entre Gaspar e Laís não era só nervosismo. Era desejo. Gaspar estava interessado nela. E Laís estava tentando resistir. Eu sabia que ela não estava completamente imune ao charme dele, mas também sabia que ela não queria se envolver com ele. Pelo menos não por agora.
Quando Gaspar se aproximou mais uma vez, o olhar dele estava mais intenso. Ele não estava mais disfarçando seu interesse. Laís tentou dar um passo para trás, mas não parecia ter muito espaço. A tensão era quase palpável.
– A gente já se conheceu? – Gaspar perguntou, agora com um sorriso mais provocador. – Porque tenho certeza de que já te vi em algum lugar.
Laís forçou uma risada. Eu sabia que ela estava tentando não ceder à pressão.
– Acho que não, não... – ela disse, mas seus olhos não estavam mais tão tranquilos. Eu podia ver que ela estava tentando se afastar da situação.
Gaspar, no entanto, não estava disposto a deixar aquilo passar. Ele queria mais, e estava claro que ele tinha uma ideia bem definida do que queria de Laís.
– Não, não... Eu sei que a gente já se esbarrou, sim. – Ele insistiu, com aquele sorriso charmoso, mais provocativo que nunca. – Só que agora, eu quero saber se vai rolar um reencontro ou se vai ficar só na ideia. O que acha?
Eu sentia a atmosfera ficando mais densa. Laís parecia perdida. Ela não queria dar atenção, mas a maneira como Gaspar a olhava tornava isso quase impossível. Ele estava jogando o jogo dele, e, quando Gaspar joga, ele sempre vence.
Eu sabia o que Laís estava tentando esconder. Ela já tinha tido um rolo com alguém antes, mas isso não era algo que ela compartilhava com qualquer um. Somente comigo ela falou sobre isso. Ela me contou que a noite foi incrível, mas que sabia que era algo momentâneo, algo que não deveria se prolongar. Ela me disse que a melhor noite da vida dela foi com um cara, mas ela não comentou com ninguém, exceto comigo. Laís sempre foi assim, cheia de segredos.
Foi então que Gaspar deu um passo à frente. Ele estava perto demais agora, e eu vi que Laís estava tentando manter a calma, mas o nervosismo dela estava visível. Ela se virou um pouco para mim, procurando um apoio, e eu sabia que aquilo estava pesando para ela.
Mas Gaspar não ia parar. Ele estava tentando, de alguma forma, marcar território. Laís sabia disso. Eu sabia disso. Todos sabiam. A única coisa era que ela ainda não estava pronta para assumir esse jogo.
– Laís, você não vai me negar uma chance, vai? – Gaspar disse, com um sorriso que mais parecia uma ameaça disfarçada. Ele não se importava com a situação desconfortável, com a presença de Daniel ou de qualquer outro. Ele queria aquilo.
Nesse momento, eu me virei para observar mais de perto a reação de Laís, quando, de repente, um estalo na minha mente me fez pensar que talvez fosse isso o que eu estava vendo. Eu percebi, então, que Gaspar estava começando a marcar presença não só fisicamente, mas psicologicamente. Ele estava tirando Laís da zona de conforto dela, e ela não sabia até onde ele iria.
Eu olhei para Gaspar com um olhar mais atento, e ele percebeu que eu estava observando. Aquela tensão crescente estava ficando insustentável. Eu comecei a pensar no que isso significava para o futuro. Gaspar e Laís estavam em um jogo de sedução, e eu não sabia até onde isso iria. Só sabia que era algo que, de uma forma ou de outra, não ficaria sem consequências.
Enquanto isso, minha mente voltou para Terror. Eu não pude evitar. Ele me deixava confusa, insegura. O que ele realmente queria? O que estava acontecendo entre nós? Era só eu ou ele também estava desconfortável com essa proximidade entre Laís e Gaspar? Eu não sabia responder, mas não conseguia ignorar o desconforto que sentia cada vez que pensava nele.
Eu só sabia que havia algo entre ele e eu, uma tensão que não desaparecia. Mas seria ciúmes? Seria apenas ele tentando me controlar? Não fazia sentido, mas eu não conseguia parar de pensar nisso.
E, de alguma forma, a noite continuava se arrastando, como se o futuro estivesse ali, prestes a acontecer, mas ainda sem saber qual caminho tomaria.
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Atualizado até capítulo 62
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