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Rio de Janeiro 2022

Gina:

Eu tava indo pra casa do Pedro com um aperto no peito, e a cada passo parecia que ele ficava mais forte. Eu olhava pra rua ao redor, tentava focar no som dos carros, no vento, em qualquer coisa que me distraísse do que tava prestes a fazer. Tinha ensaiado várias vezes no espelho, treinado as palavras: "Pedro, a gente precisa terminar. Não tô feliz, não dá mais." Mas falar era fácil; quando eu pensava em como ele ia reagir, meu estômago virava um nó.

A verdade é que o Pedro foi meu primeiro em tudo: primeiro beijo, primeiro namorado, primeiro amor... Eu achava que isso fazia ele especial, que seria pra sempre. Mas o tempo foi passando, e a gente foi se perdendo. O Pedro mudou, ficou mais possessivo, ciumento. Cada vez que a gente brigava, ele dizia que eu tava mudada, que eu devia alguma coisa pra ele, como se eu fosse dele. Eu já não era feliz há muito tempo, mas sempre adiava o fim, achando que podia melhorar. Só que, agora, eu sabia que não tinha mais jeito.

Cheguei na porta dele, respirei fundo, bati, e esperei ele abrir. Ele não fazia ideia do que vinha, então quando a porta se abriu e ele apareceu, o sorriso despreocupado dele quase me desarmou. Ele já veio pra cima, tentando me abraçar, mas eu dei um passo pra trás, tentando manter a seriedade.

– Ô, Gina! Que cara é essa? – Ele me olhou, desconfiado, como se tivesse sacado que algo tava errado.

– Pedro, a gente precisa conversar. – Minha voz saiu um pouco trêmula, mas mantive o olhar firme, sem desviar. Eu precisava ser forte.

– Conversar? Que papo é esse, Gina? Tu nunca fala desse jeito. – Ele franziu a testa, já com aquele tom impaciente, cruzando os braços.

Suspirei, tentando manter o controle. Meu coração batia tão rápido que parecia que ia pular do peito.

– Pedro, eu... acho que tá na hora da gente terminar. Eu não tô feliz, não sinto que nosso relacionamento tá dando certo. Isso tá me sufocando. – Eu disse tudo de uma vez, sentindo o peso das palavras saírem, e o alívio misturado com a dor tomou conta de mim.

Ele me olhou como se eu tivesse acabado de dar um tapa na cara dele.

– Terminar? Tá maluca, Gina? Depois de tudo que a gente passou? Depois de todo o tempo que eu investi? Eu fui o primeiro em tudo pra você, caramba! Acha que vai sair assim, sem mais nem menos? – Ele falava alto, a voz cheia de raiva e frustração.

– Pedro, eu sei, mas não dá mais. Eu não me sinto bem com a gente, não tô feliz. A gente tá sempre brigando. Eu preciso de espaço... Preciso me afastar de tudo isso. – Tentei explicar, mas ele não parecia disposto a ouvir.

Ele bufou, cruzou os braços e olhou pra mim com uma cara de nojo.

– Isso aí é falta de sexo, Gina, só pode ser. Tá na cara que tu só arranja desculpa. Nunca quer nada comigo, fica me evitando. Agora vem com essa de terminar? Me poupe.

Eu senti a raiva e o desgosto subirem, mas respirei fundo, tentando não entrar na provocação. Ele tava pegando pesado, querendo jogar a culpa toda em mim.

– Não é sobre isso, Pedro! Isso não resolve os problemas que a gente tem. Nosso relacionamento tá tóxico, não adianta fingir que tá tudo bem. Eu só quero sair daqui e seguir minha vida.

Eu virei, pronta pra sair, mas ele segurou meu braço com força, me puxando de volta. O toque dele era forte, doía, e um calafrio percorreu meu corpo.

– Cê não vai a lugar nenhum, tá entendendo? Não vai me largar desse jeito, como se eu fosse qualquer coisa. Acha que vai vir aqui, jogar na minha cara e sair andando?

Tentei me soltar, mas o aperto dele só aumentava. Meu coração disparou, e eu comecei a ficar realmente com medo. Ele tava com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.

– Pedro, me solta! Tá me machucando, caramba! – Tentei gritar, mas ele se aproximou ainda mais, segurando meu rosto com a outra mão.

– Ficar comigo é falta de sexo, Gina. Tá claro. Se esse é o problema, a gente resolve isso aqui, agora.

Meu corpo congelou de medo. Eu me debatia, tentando me soltar, mas ele não deixava. O desespero tomou conta, e com um último empurrão, eu consegui me desvencilhar e saí correndo pela porta, sentindo meu coração bater na garganta.

Corri pelas ruas, sem olhar pra trás, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu não sabia pra onde tava indo; só queria fugir, queria sumir. Meu corpo inteiro tremia, e o medo ainda tava ali, me fazendo correr cada vez mais rápido.

Foi então que, numa curva, eu esbarrei em alguém e quase caí no chão. Quando levantei o olhar, vi que era o Beto. Ele me segurou pelos ombros, me estabilizando, e me olhou assustado.

– Gina? Que foi, garota? Que aconteceu? – Ele perguntou com a voz calma, mas dava pra ver a preocupação nos olhos dele.

Eu não conseguia responder. As palavras não saíam, e eu desabei em lágrimas, deixando o medo e a angústia fluírem de uma vez. Beto me puxou pra perto, me envolvendo num abraço forte e acolhedor. Ele me apertava com cuidado, como se entendesse o quanto eu tava frágil.

– Calma, calma, Gina... Respira. – Ele murmurava, passando a mão nas minhas costas, tentando me acalmar. – Tá tudo bem agora. Tô aqui, ninguém vai te machucar.

Aos poucos, consegui controlar o choro, mas o medo ainda tava ali, martelando no peito. Depois de um tempo em silêncio, ele se afastou um pouco, ainda me segurando pelos ombros, e me olhou com aquele jeito sério e calmo dele.

– Cê quer me contar o que rolou?

Engoli em seco, tentando juntar coragem pra falar. Minha voz saiu baixa, meio trêmula, mas eu senti que precisava desabafar.

– Beto... o Pedro... Ele não aceitou o término. Ele disse que era falta de... de sexo. E tentou me forçar a ficar com ele. Eu só consegui correr.

O rosto de Beto se transformou na hora. Ele cerrou os punhos e olhou pro chão por um segundo, tentando se controlar. A raiva tava evidente, mas ele respirou fundo e voltou a me olhar com aquele carinho que me acalmava.

– Ele não vai mais encostar um dedo em você, tá ouvindo? Tô aqui contigo. – Ele passou o braço por cima dos meus ombros, me dando um abraço que fez eu me sentir segura, protegida.

Eu soltei um suspiro e encostei a cabeça no peito dele. Pela primeira vez, em tanto tempo, eu sentia que tinha alguém ali pra mim, que eu não tava sozinha.

– Obrigada, Beto. Eu não sei o que seria de mim agora se não tivesse te encontrado... – murmurei, sentindo a gratidão misturada com a dor que ainda me rondava.

Ele afagou meu ombro e me puxou pra perto.

– Relaxa, Gina. Qualquer coisa, tu me chama. Não precisa enfrentar isso sozinha. – Ele olhou nos meus olhos, e aquele olhar me trouxe a paz que eu precisava.

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