07

Rio de Janeiro 2022

Maria Eduarda

O Terror me encara, com aquele jeito dele, quase uma provocação. Não é a primeira vez que a gente fica assim, nesse embate de quem cede primeiro, mas eu também não sou mulher de fugir.

– Vai ficar aí me olhando até quando? – solto, cruzando os braços e sustentando o olhar. Ele é só um homem, afinal.

– Até você sair correndo. Achei que fosse mais rápida – ele dá um sorriso de canto, aquele sorriso malandro que é quase um convite pra briga.

– É? Então olha direito, talvez sou mais rápida do que você imagina – rebato, dando um passo à frente. O calor entre nós cresce; tá ficando difícil de ignorar.

Ele se aproxima devagar, como se quisesse ver até onde eu aguento. Fico ali, imóvel, sem dar o gostinho de recuar. Só encaro, vendo os olhos dele percorrerem o meu rosto, o jeito que ele abaixa o olhar devagar.

– Cuidado pra não queimar, Duda – a voz dele sai baixa, e eu sinto um arrepio que me deixa irritada.

– Acho que você não tá pronto pra lidar com fogo, Terror.

Por um segundo, sinto que ele vai me beijar, mas em vez disso ele se afasta, com aquele ar de quem venceu. Me sinto idiota por quase acreditar que ele fosse fazer qualquer coisa, mas sorrio, aliviada de ainda estar no controle. Essa dança entre a gente tem ritmo, mas nenhum dos dois vai quebrar a primeira nota.

No dia seguinte, vou para a empresa para resolver algumas pendências. Encontro o Enzo, meu amigo que sempre dá um jeito de me fazer rir quando estou estressada. Ele está no celular, mas ao me ver entrando, abre um sorriso.

– Duda! Milagre você aparecer a essa hora, hein? – ele brinca, guardando o telefone.

– É, precisei dar uma escapada – respondo, rindo. A tensão do que deixei pra trás fica em segundo plano por um momento.

Ele puxa uma cadeira para eu sentar ao lado dele.

– Vai, conta. Quem te irritou desse jeito? Já vejo pela sua cara que foi coisa séria.

Dou uma risada, balançando a cabeça.

– Não vou dizer que foi alguém – desconverso, mas ele já entende o suficiente.

– Aposto que foi aquele bonitão do morro – ele comenta, me lançando um olhar malicioso.

Eu disse para o Enzo que fiquei com cara. Como assim o baile, mas nunca disse que era um dos maiores tráficos do Rio.

Dou de ombros e dou risada.

– Deixa pra lá, Enzo. E você, como tá?

Passamos um bom tempo conversando, e é como se eu pudesse finalmente me distrair um pouco. Porém, três dias depois, as ameaças de Paulo voltam a me atormentar, me lembrando que ele sempre acha um jeito de tentar controlar meus passos.

Então, resolvo ir ao morro junto com Samuel, meu filho.Na verdade não era nem pelas ameaças, é porque o sem noção do Fernando ainda não foi visitar. Samuel somente uma vez e nem foi por muito tempo. Chegamos ao bar do pai da Gina e, assim que entramos, sinto o peso dos olhares. Está todo mundo lá: Abelha, Beto, Terror, Ingrid, Camila, Carine e Vanessa.duas mulheres de quem a Gina já havia me falado. Assim que entro e cumprimento o pessoal, vejo que Camila , Carine e Vanessa trocam olhares e me encaram com aquele ar debochado, como se quisessem marcar território.Camila tá com Terror, enquanto Carine parece estar grudada no Beto. A atmosfera é quase sufocante, como se cada um tivesse uma razão para estar ali naquele momento.

Respiro fundo, evitando revirar os olhos,

Samuel corre até o tio, Fernando, que está sentado no canto, observando tudo.e percebo o carinho entre eles,

– Faz tempo que você não fica com o tio, hein? – comento, olhando de Fernando para Samuel.

– Tá cheio de trabalho, né, mamãe? Mas o tio disse que agora vai ter tempo pra mim.

Dou uma olhada para Fernando, e ele apenas dá de ombros.

–Tem problema a gente senta com vocês?– Perguntei.

–Que nada Duda, senta aí pô –

– Tô com muita coisa no morro, Duda, mas vou levar o Samuca pra dormir lá em casa hoje. Preciso do meu sobrinho perto de mim também.

Samuel dá um pulo de alegria.

– Eu vou, eu vou! Dormir com o tio!

Eu sorrio, mas o meu alívio dura pouco. Ele vira pra mim, do nada, e pergunta:

– Mãe… por que o tio é o Coronel?

Congelo por um segundo, encarando o Samuel, e vejo que ele sabe mais do que eu queria que soubesse. Meu coração acelera, e viro pra Fernando, procurando alguma resposta.

– Você sabia? Sabia e não me contou?

Fernando abaixa a cabeça, e sinto minha paciência estourando. Olho de volta pra Samuel, tentando me controlar.

– Samuel, você tá de castigo. E agora mesmo, sem discussão.

Ele me olha, confuso e sem entender o motivo. Dou uma respirada profunda e faço um esforço pra não levantar a voz.

– Por causa do seu lindo e maravilhoso tio, que você é tão apegado, você tá de castigo.

No dia seguinte, decido ir ao morro junto com o Samuel. Quando chegamos ao bar do pai da Gina, encontro todos reunidos: Abelha, Beto, Terror, Ingrid, além de Camila e Carine – duas mulheres de quem a Gina já havia me falado. Assim que entro e cumprimento o pessoal, vejo que Camila e Carine trocam olhares e me encaram com aquele ar debochado, como se quisessem marcar território.

Respiro fundo, evitando revirar os olhos, e passo por todos até que vejo Fernando, o Coronel, observando tudo. Samuel logo corre até ele, e percebo o carinho entre eles, mas resolvo ser firme.

– Samuel, você está de castigo – falo com uma voz firme, olhando para ele. – E sabe por quê? Por causa do seu tio.

O olhar confuso de Samuel me faz hesitar por um segundo, mas mantenho a firmeza. Logo depois, meu celular vibra. Ao pegar o telefone, leio uma mensagem de Paulo: “Gosto de ver já ta marcar território.” Abaixo, há uma foto minha entrando no morro.

Meu corpo todo gela. Olho ao redor, sentindo o peso dos olhares de todos e a sensação desconfortável de ser vigiada. A dúvida me consome: quem foi que tirou essa foto?

– Aconteceu alguma coisa?–

– Não, nada só coisas de trabalho e Samuel não tá mais de castigo tá? mamãe só está estressada .

– E holá! A madame tá todo estressadinha hoje né?Qual foi patricinha não deve nem trabalhar?

– Oque como é que é? Achei que a gina tinha falado tudo sobre mim.

– É ela falou. Só que a gente ficou com preguiça de escutar tudo que ela falava de você.

– Pois é querido, eu trabalho tenho minha própria empresa. Que com a ajuda do nan... Coronel .E hoje é uma das maiores. Agências de modelo do rio.– falei orgulhosa de mim mesma. –

– Affs! Vocês vão ficar? O almoço dia inteiro falando disso.

Ingrid disse dava para ver que ela não gostava de mim. Fiz o que pra ela: porra nenhuma, mas fazer o que né gente nem Jesus agradou todo mundo quem sou eu na fila do pão.

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