Rio de Janeiro 2022
Terror:
A festa era um luxo só, cheia de gente chique, aquele tipo de lugar que só de olhar já me deixava desconfortável. Não era meu tipo de ambiente. Os lustres gigantes, as paredes com detalhes dourados, a música tocando baixo… tudo me dava nos nervos. Mas eu tava ali por um motivo. Por ela.
Quando a Duda apareceu, foi como se a festa inteira tivesse parado pra ver. Não dava pra ignorar, não dava pra fingir que não tava olhando. Aquela mulher sabia como chamar atenção sem precisar fazer esforço. Ela vestia uma blusa branca justa, com um decote discreto, mas que deixava qualquer um com a cabeça virada. Os detalhes em preto destacavam o branco da roupa, e a saia plissada que ela usava, também branca, batia logo acima do joelho, fazendo um efeito de leveza cada vez que ela se mexia. Cada passo, cada mexida no cabelo, tudo parecia planejado pra me deixar maluco.
E o cabelo... ah, o cabelo dela. Cacheado, solto, rebelde. Tinha algo nele que me hipnotizava, como se cada cacho fosse uma armadilha pra mim. Era como se eu tivesse preso, sem querer sair. Eu sentia o cheiro dela de longe, aquele perfume doce, mas com um toque de mistério, um negócio que eu não sabia explicar direito, só sentia. Era uma mistura que deixava minha mente zonza.
– Terror, tu tá me encarando muito – ela falou, com aquele sorriso sacana, como se soubesse exatamente o que tava fazendo comigo.
Eu tentei disfarçar, mas não era fácil. Já tinha um tempinho que a gente tinha escapado pro banheiro, mas a vontade de repetir a dose tava ali, forte. Me segurava com todas as forças, porque sabia que não podia dar bandeira, mas cada segundo olhando pra ela me deixava mais na beira do abismo. Eu queria ela de novo, ali mesmo, naquela festa chique, sem me importar com mais nada. O coração batia forte, cada vez mais rápido, e eu sentia uma necessidade quase doentia de tê-la só pra mim. Mas eu não podia. Tinha que manter o controle, pelo menos por enquanto.
Enquanto a Duda circulava pelo salão, cumprimentando as pessoas com aquele sorriso que deixava todos à vontade, eu seguia na cola dela, observando tudo. Tinha virado uma espécie de guarda-costas, mas meu motivo era mais egoísta. Não era só pra proteger ela. Eu queria garantir que ninguém mais ousasse sequer olhar pra ela de um jeito que eu não aprovasse.
E foi então que o passado resolveu aparecer. Cristal. A ruiva que eu achava que tinha deixado pra trás. Ela tava ali, parada do outro lado do salão, como se tivesse sido trazida só pra me tirar do sério. Aquela mulher me encarava com um sorriso que, pra qualquer um, parecia inocente, mas eu sabia que tinha veneno ali. Ela usava uma blusa verde escura, justa, e o cabelo dela, liso, descia pelos ombros, contrastando com o verde. Parecia até que ela tava tentando me provocar, tentando ver até onde eu aguentava.
Na hora, senti um nó no estômago. Não era medo. Era raiva. Uma raiva misturada com desconforto. Eu sabia que Cristal não tava ali por acaso. Ela nunca fazia nada sem motivo. Cada movimento dela era calculado pra me afetar de algum jeito.
Duda percebeu minha tensão. Ela sempre percebia. E eu sabia que ela ia perguntar, porque era impossível esconder algo dela.
– Que foi, Terror? Cê tá vendo alguma coisa que te interessa? – ela perguntou, num tom meio brincalhão, mas com um olhar sério, querendo entender o que tava rolando.
Eu engoli em seco, tentando disfarçar, mas meus olhos voltaram pra Cristal, como se fossem atraídos por um imã.
– Aquela ruiva ali... é a Cristal? – perguntei, quase num sussurro, sem conseguir disfarçar a surpresa e o incômodo.
Duda seguiu meu olhar, e, por um segundo, a expressão dela mudou. Ela ficou séria, entendendo de imediato o peso daquela mulher na minha vida. Ela sabia das histórias, sabia do passado que eu tentava esconder, mas que sempre insistia em me perseguir. Mas, pra minha surpresa, Duda não fez escândalo, não deu show. Ela só me olhou, firme, com uma calma que parecia sair de algum lugar profundo dentro dela.
– É ela sim. Mas, Terror, você mesmo disse que ela era passado, lembra? – falou, como se me desafiasse a acreditar nisso.
As palavras dela bateram em mim com força. Eu sabia que era verdade, mas ver a Cristal ali, me encarando, fazia o passado parecer mais vivo do que nunca. Só que o jeito que a Duda me olhava, com aquela confiança tranquila, me fez querer acreditar no que ela dizia. Ela tava me mostrando que ela era o presente, que eu não precisava me prender àquilo. E eu sentia isso. Senti uma vontade quase desesperada de provar pra ela que a Cristal não significava nada.
Tentei dar um sorriso, mas sabia que tava saindo meio forçado. Meu olhar ainda ia e voltava pra Cristal, tentando entender o que ela queria, mas, ao mesmo tempo, eu sentia uma coisa maior me puxando pra Duda. Eu precisava mostrar que era ela que importava. Que ela era a única coisa que valia a pena ali.
A Duda voltou a circular pelo salão, sorrindo e cumprimentando o pessoal, e eu fiquei ali, hipnotizado. Eu tava com ela, mas parecia que não era o suficiente. Eu queria mais, queria ela só pra mim, queria que ninguém mais tivesse o direito de ver aquele sorriso, de ouvir aquela risada. A presença dela era uma obsessão que crescia a cada segundo, como um vício que eu não conseguia controlar.
Me aproximei dela, tentando agir como se fosse casual, mas no fundo, era tudo calculado. Cheguei perto o bastante pra sussurrar no ouvido dela, minha voz saindo rouca, carregada de algo que eu não sabia nem explicar:
– Você é minha, sabia? Só minha.
Ela virou o rosto devagar, me olhando de lado, com aquele brilho nos olhos que só ela tinha. Um olhar que dizia que ela entendia, que ela sabia o que eu sentia. E, por um momento, foi como se o mundo inteiro tivesse sumido, como se só existisse a gente ali, presos um no outro, sem mais ninguém ao redor. Eu queria gritar pra todo mundo que ela era minha, que eu faria qualquer coisa por ela, que eu era capaz de tudo só pra garantir que ninguém mais tivesse ela.
Quando ela sorriu, eu senti algo se quebrar dentro de mim. Não era só paixão. Não era só desejo. Era algo mais profundo, mais sombrio, uma obsessão que me consumia. Eu sabia que tava me entregando mais do que devia, sabia que tava cruzando uma linha perigosa, mas não me importava. Se eu tivesse que me perder, que fosse por ela.
A festa continuava, as pessoas riam e conversavam, mas pra mim, nada mais fazia sentido. O salão, os convidados, até a Cristal... tudo sumia. Só existia a Duda. E eu sabia que, a partir daquele momento, eu nunca mais conseguiria deixar ela ir. Ela era minha, e eu faria qualquer coisa pra garantir que continuasse sendo.
Eu a olhei uma última vez, sentindo o peso de cada palavra que tinha dito, e sussurrei de novo, quase como um aviso:
– Não esquece... você é minha. E isso nunca vai mudar.
A Duda me olhou, e por um segundo, vi um misto de surpresa e medo nos olhos dela. Mas ela sorriu, como se aceitasse aquilo, como se entendesse que, por mais intenso que fosse, ela gostava de ser o centro da minha obsessão.
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Atualizado até capítulo 62
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