Rio de Janeiro 2022
Maria Eduarda
A noite se estendia e o silêncio ao redor parecia apenas acentuar a tensão que pairava entre nós. Enquanto eu tentava me acomodar na cama, Henrique – ou, como muitos o conheciam, Terror – parecia estar mais interessado em me observar do que em descansar. Um leve sorriso brotou em meu rosto ao flagrá-lo me encarando com uma mistura de admiração e curiosidade.
– Como você sabe meu nome, docinho? – ele perguntou, com um tom de brincadeira, mas com uma expressão séria.
Sorri, lembrando-me da conversa que tive com a mãe dele.
– Foi a sua mãe que me contou, quando estava conversando com ela um dia desses. Ela falou muito bem de você. – Respondi, tentando manter a conversa leve.
Ele soltou uma risada despreocupada, cruzando os braços atrás da cabeça, claramente se divertindo com a situação.
– Acha que eu sou irresistível, né? – provocou, uma pitada de sarcasmo na voz.
– E não sou? – Ele piscou, deixando a ironia pairar no ar.
Balancei a cabeça, rindo. O que estava acontecendo? Estávamos nos provocando como velhos amigos, mas havia algo mais, um subtexto que flutuava entre nós.
– Não sei se posso dizer isso – brinquei, tentando manter a leveza da conversa. – Mas, confesso que me surpreendi. Nunca pensei que o “Terror” fosse tão cheio de si. A Gina já me deu umas dicas, mas... até que ela pegou leve.
Ele fez uma careta de falsa indignação, mas logo se recuperou, soltando uma risada.
– A Gina fala demais. Aposto que ela nem te contou metade do que eu sou. Vou ter que compensar essa falta de informações – ele disse, inclinando-se um pouco mais perto.
Senti meu coração acelerar e, com um movimento rápido, decidi mudar de assunto, tentando manter a tensão no ar sob controle.
– Aliás, já que estamos sendo francos... você tem algum segredo ou história que ninguém conhece? Aposto que o grande "Terror" esconde uma ou duas curiosidades.
Ele hesitou por um momento, olhando fixamente para mim antes de se abrir.
– Não costumo falar disso, mas... já que você perguntou, tem uma coisa. Meu nome de “guerra” vem do meu pai. Ele era colombiano, de Medellín. Não o tipo de pai que ensina a jogar futebol, entende? Ele fez questão de me passar mais que o nome.
Fiquei em silêncio, absorvendo a confissão dele. A história não era o que eu esperava, mas fez todo o sentido, considerando sua personalidade forte.
– Então foi daí que veio aquele “mi ángel” que você me chamou antes? Achei engraçado, mas, agora, faz sentido – brinquei, tentando deixar a conversa mais leve.
Ele riu, balançando a cabeça.
– Ah, docinho, tenho muito mais sotaques guardados pra você. – Ele piscou, retomando o tom provocador.
Tentei ignorar a forma como seu olhar parecia me desarmar. Era divertido, quase uma competição, mas com uma nova camada de intimidade que era difícil de ignorar.
– Vou ter que ouvir todos eles antes de te devolver o apelido de “insuporTável” – devolvi, rindo. – Mas, por favor, sem sotaque espanhol quando estiver em público. Isso vai te queimar.
Ele se aproximou, a expressão no rosto mudando para algo mais sério, quase introspectivo.
– E você, docinho? Qual é o seu segredo? Porque eu sei que tem um – ele disse, os olhos fixos em mim.
Respirei fundo, hesitando. Poderia confiar nele? Depois de um momento, decidi que era hora de ser honesta, pelo menos até certo ponto.
– Eu estava noiva antes de vir pra cá. E… eu matei meu noivo.
A expressão dele mudou instantaneamente, mas ele permaneceu em silêncio, apenas me observando, esperando que eu continuasse.
– Eu descobri que ele estava me traindo e que... – minha voz falhou, mas respirei fundo e continuei – ele abusou do meu filho, Samuel. Depois que soube, minha cabeça simplesmente não funcionou mais. Eu só conseguia pensar em uma coisa, e… fiz o que achei que tinha que fazer. É isso. Esse é o meu segredo.
Henrique não disse nada imediatamente, mas sua expressão suavizou. Ele segurou minha mão e deu um aperto leve, que transmitia apoio e compreensão.
– Você é mais forte do que pensa, docinho. Poucos teriam coragem de carregar isso sozinhos – ele murmurou, e, por um momento, eu realmente senti que ele entendia.
A conversa logo se transformou em algo mais leve novamente, como se estivéssemos tentando voltar a uma normalidade compartilhada.
– E você sabia que tem uma reputação de ser o terror das festas? – perguntei, tentando reverter o clima pesado. – Os rumores dizem que você nunca fica em um lugar por muito tempo, sempre à procura da próxima “conquista”.
Ele deu uma risada alta, balançando a cabeça.
– Isso é só marketing, docinho. A verdade é que eu só gosto de diversão. E, olha, se for pra balada, é melhor eu ficar em casa, porque só vou acabar te seguindo em vez de sair pegando as meninas.
Eu ri da ideia dele, tentando me imaginar em uma balada com Henrique.
– E então, se eu te chamar para ir a um evento da minha empresa, você apareceria? – sugeri, agora intrigada com a ideia. – A Gina pode se surpreender ao ver você lá.
Ele arqueou uma sobrancelha, interessado.
– Um evento? Agora você me deixou curioso. Que tipo de evento é esse?
– Bem, é uma apresentação da minha nova coleção, e todos os convidados vão ganhar uma peça exclusiva – disse, com um brilho nos olhos.
– Exclusiva? Agora você me pegou. Vou ter que me arrumar bem para não fazer feio. – Ele riu. – Mas você não tá planejando nada que possa deixar o Coronel bravo, certo? Porque, se precisar de um capanga, você já sabe que pode contar comigo.
Senti um frio na barriga ao pensar no Coronel e abelha, mas ao mesmo tempo, a ideia de ter Henrique ao meu lado me deixou um pouco mais confiante.
– Na verdade, estou pensando em como fazer esse evento ser um grande sucesso. Quero que as pessoas vejam quem realmente sou, sem dar espaço pra intrigas. Eu não vou deixar que nada me derrube, não agora que estou começando a ter sucesso.
Ele me observou em silêncio, a seriedade em seu olhar se intensificando.
– Você tem um plano, então? – ele questionou, admirado. – E eu gostaria de ouvir.
A verdade era que eu ainda estava formando as ideias em minha mente, mas a ideia de ter alguém como Henrique ao meu lado me fez sentir mais forte.
– Tenho alguns truques na manga. Quero que todos saiam do evento falando sobre mim e minha coleção. Essa é a minha chance de me reerguer de vez. – Eu sorri, já me empolgando com a ideia.
Ele assentiu, um sorriso satisfeito no rosto.
– Estou dentro. Pode contar comigo, docinho. A gente vai fazer isso juntos – ele disse, e algo no seu tom me fez sentir que ele estava mais do que disposto a se envolver.
A conversa fluiu entre brincadeiras e risadas, cada um tentando provocar o outro com mais intensidade. A química entre nós era inegável, e as provocações foram se intensificando, quase como uma dança.
– Olha, só não venha me atrapalhar na hora de apresentar a coleção, porque eu sou a estrela da noite, viu? – eu disse, apontando para ele de forma dramática.
– Estrela da noite? Não me faça rir! Eu sou a verdadeira estrela! – Ele revirou os olhos, mas a provocação estava evidente em seu sorriso.
– Aham, e eu sou a próxima top model. Deixa eu adivinhar, você quer ser meu agente agora? – brinquei.
– Docinho, se eu for seu agente, já aviso que você vai ter que dançar funk nas festas, e não vai ser fácil. – Ele cruzou os braços com um sorriso travesso.
– Funk? Aí você me pegou. Vou ter que treinar minhas habilidades de dança. E se você não conseguir me acompanhar, vai ter que dançar com a primeira pessoaqie aparecer. – Eu ri, vendo a expressão dele mudar de divertimento para uma mistura de desafio e expectativa.
– Isso é uma ameaça? Porque eu não sou de levar desaforo pra casa, viu? – Ele respondeu, fazendo um gesto de quem estava pronto para entrar na dança.
– Acredite, você vai precisar de todas as suas habilidades se quiser me acompanhar – eu provoquei, piscando para ele.
Rimos juntos, e a leveza da conversa parecia preencher o ambiente com uma energia vibrante. Estávamos nos divertindo, e essa conexão crescente entre nós era algo que eu não sabia como lidar.
Enquanto a noite avançava, a ideia do evento começou a tomar forma em minha mente, e a presença de Henrique se tornava cada vez mais intrigante.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Dalva Lahm
autora:,seu livro é bom !mas a protagonista "Maria Eduarda"é muito vulgar!!,sem moral ,foi pra cama com terror assim de primeira ,,,e eu achei o 'hóooo"ela se dispor transar com ele sabendo que ele já tinha pegado 2mulheres n baile"que nojo!!
2024-11-11
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