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Rio de Janeiro  2022

- Cara, você não vai me deixar entrar mesmo? - perguntei ao homem armado na minha frente.

- Desculpa aí, Patrícinha, mas tu nunca veio aqui, aí tem que conferir. - Me segurei novamente para não revirar os olhos.

- Cara, até em dia de baile é assim? Eu sou irmã do Caleb, você conhece ele?

- Conhece sim, madame, mas ele é teu irmão mesmo? Por que ele nunca falou que tinha irmã?

- É irmã de coração, PH - Caleb fala, surgindo do quinto dos infernos.

- Antes tarde do que nunca, moleque! Tava onde? Me deixou aqui plantada.

- Oi pra você também, Maria Eduarda! Também tava com saudades.

- Tava comendo buceta, né? - Todos os homens armados começaram a rir. - Que gente! Tô sentindo o cheiro de goza daqui. Buceta de puta é mais importante que a presença da sua irmã?

- Para de drama! Que você nem avisou que ia vir pra cá. Aliás por acaso o Vincent sabe que você tá aqui?

- Drama? Nada tá! - Desviei dele e da outra pergunta quando ele tentou me abraçar. - Nem vem, querido! Só vou te abraçar quando você tomar um banho e tirar esse cheiro ruim... Bora entrar no carro e não olha com essa cara não, porque só vi embora segunda. Trate de tirar essa cara de bunda, viu?

- Segunda? Até amanhã eu já tô morto.

- Teu cu, Caleb!

...

- Tia Olivia! Aí, que saudade!

- Oi, minha filha! Também tava com saudades. Você tava sumida. O Caleb disse que você tava viajando.

- Sim, aconteceu algumas coisas e acabei indo sem me despedir.

- Ah, não tem problema, minha princesa! O importante é que você tá aqui agora.

- Pra quem vai ficar só um final de semana, essa mala tá bem passadinha, hein?

- Passadinha nada! Você, querido, que é um frango e não aguenta nem o essencial! Tia, como esse cavalo falou antes de mim, eu vou ficar aqui esse final de semana pra matar a saudade de vocês. Tem problema?

- Claro que não! Por mim, você até morava com a gente! - fala do jeito todo fofo dela.

- Tá repreendido! Vô, essa demonia me mata na primeira semana!

- Para de falar besteira, menino! E olha o palavreado, viu? - Eu claro ri da cara dele e ainda mandei língua escondido. - E você? Por que não trouxe o Samuel?

- Ah, o Samuel nem sabe que eu tô aqui, tia. Mas da próxima eu juro que ele vem junto. E você, quedinho? - disse me referindo ao Caleb. - Vamos ao baile hoje, tá?

- Sabia que tu não tinha vindo só pra matar saudade.

- Que bom.

...

- E aí, como eu tô? - perguntei mesmo sabe que tava linda.

Eu estou usando um conjunto de jeans claro, composto por um top tomara que caia e calças de cintura alta. O top tem botões na frente e um corte ajustado. As calças são de corte reto e têm bainha. Também estou usando uma bolsa de ombro de jeans e sandálias de salto alto douradas. Meu cabelo está preso em um rabo de cavalo alto e estou usando brincos pequenos e um colar com a minha inicial.

- Tá mó gata! O problema só são os drogados, os traficantes, as putas, as casadas e os caralhos a quatro que eu vou ter que aguentar.

- Credo, Caleb! Oxe, nem é pra tanto.

- Eu vim aqui pra matar saudade de você, não pra ver macho! Muito menos disputar com mulher que não se garante. Também fiquei na seca por 4 meses; o que é mais um dia? - dei de ombros. - Vamos logo? Ah, você dirige.

- Pode deixar comigo - sorri travesso.

- Só não acaba com meu carro, tá? -

Chegamos na sala e encontramos a tia Olivia assistindo TV.

- Tia, a gente já tá indo, tá bom? - disse me agachando na sua frente, já que ela está deitada no sofá, e beijei sua testa.

- Tá bom, minha linda! Vão com Deus e juízo, viu?

- Tudo que eu mais tenho!

- Mas fácil um jumento ter mais juízo que você - o carniceiro do Caleb falou rindo.

- Vai te danar, moleque!

...

Gente dançando, fumando, quase fedendo na frente de todo mundo; casal brigando na frente de geral, bebendo, vendendo drogas e por aí vai.

Era isso que eu estava vendo e não era tão ruim quanto eu achava até mais da metade desse povo começar a me olhar.

Umas com cara de nojo, outras de cobiça e outras caras e bocas que eu não decifrei.

- Eu não disse?

- Que liga, moleque!

- Vai querer ficar aqui ou no camarote?

- Eu não, aqui tá ótimo! Eu quero é beber mesmo. Aqui tem ice cabaré?

- Aqui tem de tudo, madame.

A gente foi em direção do bar e fizemos nossos pedidos; o Caleb pediu o mesmo que eu.

- Vamos dançar?

- Não, eu fico te olhando daqui. - Eu não dei a mínima e fui mesmo.

Tava tocando "Agudo Mágico 3", foi a única música que eu dancei. Quando fui reparar, tava todo mundo me olhando de novo. Bem que o Caleb disse que carne nova aqui faz sucesso. Voltei pra onde o Caleb estava quando eu saí, né? Porque agora o corno sumiu.

Eu ia voltar pra procurar o moleque pra fazer um belo drama, mas assim que me virei, bati em uma muralha que nem se moveu e, de quebra, senti um líquido molhado por todo meu braço direito.

Porra, me preocupei primeiro com a minha roupa, que estava com um recheio forte de whisky.

— Caralho, garota, olha por onde anda! Tu é cega, é? — Me arrepiei com a voz grossa do filho da puta.

— Cego é só pode! Eu tô fedendo a whisky nessa merda e, pra começo de conversa, você que esbarrou em mim. Então faz favor de abaixar o tom, queridinho. —

Menina, quando eu olhei pra cima, tranquei o cu na hora. Ele era literalmente um dos caras mais lindos que eu já vi. Ele tinha um metro e noventa, pelos meus cálculos. O braço direito era coberto de tatuagens que deixavam ele ainda mais gostoso. Ele tinha uma pele negra linda, os olhos pretos e penetrantes, e era muito cheiroso; cheiro de cafajeste, a melhor fragrância. Mas pela cara dele, ele tava era querendo me matar e a música parou. Geral olhava pra gente, uns tipo vídeo pra essa; o nome é "tchau".

— O que que tu disse? —

— Além de cego, é surdo? Você quer que eu te indique um médico pra você fazer um check-up geral? —

— Ela tá brincando, terror! Ele não quis dizer isso; é que ela não pode beber muito que não fala coisa com coisa. — Caleb fala saindo do quinto dos infernos de novo. — Pode desculpa agora, porra! Ele é o dono do morro aqui pra te matar; é daqui pra lá. —

— E eu com isso? Ele esbarrou em mim! Eu que preciso pedir desculpas? Claro que não. —

— Anda logo, Maria Eduarda! Se você tiver um pingo de juízo e quiser ver o seu filho amanhã, pede desculpas. —

— Não precisa não, pô. — O gostoso, vulgo tranca cu alheio, fala.

Caleb/Duda: — Não? — A gente se olhou sem entender.

— Vou deixar essa passar porque tô de bom humor hoje, mas da próxima eu não vou deixar passar. —

— Não vai ter próxima, chefe. —

— Acho bom. —

— Eu não garanto nada! — O Caleb me dá um beliscão. — Aí, o que? Como eu vou confirmar uma coisa que eu não sei? — Dou de ombros.

— Vem cá, moleque! — O terror chama o Caleb e começa a sussurrar algo que eu não escuto. Ele sai assim que terminar de falar e me dá uma última encarada; eu desvio, claro que não vai saber quando vou ver um gostoso assim de novo.

A música volta a tocar; alguns continuaram me encarando, mas depois passou.

— Agora eu entendi. —

— Jura? Porque eu tô mais perdida que tudo. —

— Ele não te matou porque quer que você suba pro camarote. —

— É o quê? —

— Isso que tu escutou. —

— Tendi! Ele quer me matar lá em cima. — Falei me fazendo porque já tava na cara.

— Não burra! Ele quer te comer. —

— Hum... —

— Hum o caralho! Tu vai ou não? —

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Comments

Black Jack

Black Jack

Quero dar um abraço na personagem principal e dizer que tudo vai ficar bem. 😊

2024-10-24

1

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