No dia seguinte, com sono e cansada por não ter dormido quase nada durante a noite, Kelly foi para a faculdade. Depois de checar seus horários, percebeu que sua última aula seria com o professor estranho, por isso passou a manhã toda preocupada com o que estaria por vir. Ela sentiu algo tão forte sobre ele, uma energia diferente, que a fez ter pesadelos na noite anterior.
Na aula do professor, descobriu que ele se chamava Thomas Leviski. Pesquisou na internet sobre ele e constatou que era um cientista renomado e que fazia pesquisas muito polêmicas que, por muitas vezes, foram questionadas pela ética. Porém, já tinha recebido vários prêmios e possuía inúmeros artigos publicados.
O sobrenome Leviski não lhe era estranho, lembrou-se de ter escutado várias vezes, só não sabia onde. Talvez foi citado por outros professores durante as aulas, já que Thomas Leviski era um cientista famoso e renomado, foi o que pensou de imediato. Porém, tinha a sensação de ser algo mais do que isso, era um sobrenome que trouxe familiaridade, mas não se lembrou de nenhum detalhe.
Após terminar a rápida pesquisa, voltou a prestar atenção na aula, sabia que o professor era exigente, deveria absorver tudo o que ele falasse. Tentou fazer anotações de cada detalhe dito por ele. Sentiu-se estranha porque parecia que o professor ficou o tempo todo a olhando, como se só existisse ela na sala de aula. Ficou desconfortável e, mesmo assim, não estremeceu e continuou focada.
Em certo momento, ele perguntou qual o nome dela e depois começou a fazer algumas perguntas que mais pareciam com testes psicológicos e ela respondeu tudo tremendo, porém sem que ninguém pudesse notar seu nervosismo. Depois de várias perguntas, ele a elogiou, disse que gostou das respostas.
Quando acabou o questionário, ela respirou aliviada. Depois da aula, vários colegas a cercaram, admirados pelo que aconteceu, estavam impressionados por ela ter conseguido responder tantas perguntas do professor mais assustador da faculdade. Ela ainda recebeu um elogio dele, o que era extremamente raro porque ele sempre apontava erros e criticava todos, ao ponto de alguns alunos saírem das aulas chorando.
Os alunos de sua turma estavam impressionados. Admirados por sua postura firme diante de perguntas tão capciosas, as quais estavam bem além do conteúdo que o professor explicava. Argumentavam que ele queria fazê-la cometer algum deslize e, como ela estava se saindo bem, continuou fazendo perguntas em cima de perguntas e foi o ponto alto da aula.
Ao sair da faculdade, Kelly estava esgotada mentalmente. Os alunos ficaram conversando por muito tempo, curiosos sobre como ela tinha respondido todos os questionamentos ao ponto de receber um elogio do professor. Todas aquelas perguntas deixaram sua mente derretendo, nem ela mesma sabia como conseguiu manter a compostura. Agora, só queria fazer qualquer coisa que não fosse pensar muito. Por isso, ligou para o Michel para descontrair.
Ele também estava saindo da faculdade e chamou-a para ir até sua casa para assistirem à série nova à qual estava muito interessado e falava o tempo todo. Kelly aceitou porque queria muito se distrair e esquecer o incidente da aula. Portanto, ligou para sua mãe e disse que sairia com um amigo e não voltaria para casa tão cedo, isso porque sua mãe a esperava chegar da faculdade todos os dias para almoçarem juntas.
Enquanto isso, Michel foi buscá-la com seu carro. Ele morava sozinho e, quando chegaram na casa dele, Kelly ficou impressionada como um jovem estudante pudesse ter a casa tão arrumada. Então, ele explicou que tinha uma funcionária que cuidava da limpeza e organização quase todos os dias. Com isso, Kelly percebeu que Michel tinha uma família rica.
Ele tinha apenas dezenove anos, não trabalhava, mas sua casa era enorme, com móveis luxuosos, tinha um carro novo e aparentemente seus pais pagavam bastante coisas para seu conforto, como uma funcionária para limpar sua casa. Curiosa, não resistiu e quis saber:
– Sua família é rica, né?
– Sim. Deu para notar? Sou filho único, já disse para meus pais que não preciso de tanta coisa para viver bem, mas eles querem fazer tudo por mim, ainda que eu rejeite. Depois que saí do coma, queriam me paparicar ainda mais.
– Engraçado, eu nunca imaginava isso, você parecia um garoto comum, como eu. Não pensei que fosse rico e mimado assim.
– Sou apenas um garoto comum como você, realmente. Passamos pelas mesmas inseguranças. Eu estou ralando para conseguir estágio e passar nas matérias de cálculo.
– Bem que reparei que você é um pouco convencido às vezes. Agora já sei o motivo.
– No caso, sou convencido pela minha beleza e simpatia e não pelo dinheiro. – Ele disse gargalhando.
– Tá vendo… Agora entendo...
– Falando sério… Era brincadeira. Eu não ligo para o dinheiro, quero conquistar minhas próprias coisas e parar de depender dos meus pais e estou caminhando para isso, em breve. Acho que mais importante que dinheiro é fazer o que gosta e estar com as pessoas que valem a pena, para mim é tudo que preciso. Quero ajudar as pessoas. O dinheiro pode acabar um dia. Mas, as verdadeiras amizades e o conhecimento nunca vão acabar.
– Inspirador. Continue apenas com esse seu lado. – Ela disse com um sorriso admirador estampado no rosto.
Depois de conversar um pouco, eles pediram comida e foram assistir à série. Cada um se sentou em um sofá diferente. Kelly confiava nele. Sabia que ele não extrapolaria os limites da amizade se ela não desse nenhuma abertura. Ele sabia a opinião dela sobre tudo, então, ficava confortável mesmo depois de ter demonstrado que gostava dela mais do que um amigo.
Após assistirem a três episódios da série, ele foi preparar pipoca e, enquanto isso, ela aproveitou para conhecer a enorme casa. Chegando no quarto dele, ficou admirada como era grande e organizado. Observou cada detalhe. Tinha uma bonita decoração, jovial, com aparelhos eletrônicos modernos e uma cama enorme. Ao se aproximar de uma mesinha, viu o que parecia ser uma carta e tinha o nome dela escrito à mão. Imediatamente, foi preenchida por uma grande curiosidade e, como o envelope estava aberto, não se controlou e pegou para ler. Estava escrito:
“Kelly, eu não consigo dizer pessoalmente, por isso venho por meio desta carta falar o que sinto. Quero que saiba que te admiro porque, além de bela, é agradável e me faz muito bem. Desde que te conheci, larguei a terapia, não preciso de mais nada para me fazer tranquilo e feliz. Quando estou com você ou conversamos cotidianamente, é a minha felicidade, a minha terapia.
Certa vez, você me agradeceu por te ajudar e agora é a minha vez de ser grato. Obrigado para sempre. Por favor, não tente me afastar novamente porque minhas intenções são boas e você foi a melhor pessoa que conheci. Você é completa e forte, mesmo com seus conflitos, é inteligente e simpática, é tudo o que poderia sonhar de bom em uma pessoa.
Você vai conseguir resolver seus problemas e quero te ajudar no que for possível, quero estar ao seu lado na superação. Conte sempre comigo.”
Kelly achou a carta de grande delicadeza, coragem e sinceridade. Nem mesmo o seu namorado tinha lhe escrito uma carta, ninguém fazia mais isso hoje em dia. Gostou que ele mostrou sensibilidade. Ao mesmo tempo, entendeu que podia ser uma declaração de amor indireta e implícita.
No entanto, escrever sobre sentimentos podia ser uma saída da zona de conforto dele, demonstrando um sentimento verdadeiro e puro. Ele queria se expressar, mas não podia dizer pessoalmente. Ele sempre falou que queria ajudar e estar ao lado dela e, como se não fosse bastante, também escreveu uma carta e provavelmente pretendia entregar no momento certo. aparentemente, ela invadiu a privacidade dele ao ler sem autorização.
Enquanto ela colocava a carta de volta no envelope para deixar no mesmo lugar, fingindo que nunca tinha visto, foi flagrada pelo Michel, que entrou de surpresa no quarto e viu a carta nas mãos dela. Ele ficou paralisado, olhando em silêncio com aparente surpresa, e ela tremeu de susto pelo flagra.
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Atualizado até capítulo 64
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