Capítulo 9

Dias se passaram e  Kelly ficou receptiva e próxima de sua família. Eles eram bem melhores do que antes. Eram amorosos e unidos. Decidiu aproveitar disso porque antes quase todos os dias aconteciam brigas. Também passou a sair com a sua irmã e percebeu que na vida anterior nunca saberia que a Vivian poderia ser uma pessoa legal. Conheceu mais sobre ela nesses poucos dias juntas do que todos os anos anteriores.

Elas estavam amigas e próximas como nunca pensou que pudesse acontecer. Vivian ficava muito feliz na companhia de Kelly e fazia questão de demonstrar. Levava-a para diversos passeios e passavam bastante tempo juntas. A Vivian disse que quase tinha perdido a irmã querida e agora queria aproveitar ao máximo dela.

Os dias estavam sendo tão agradáveis que  Kely praticamente ignorou sua realidade anterior. Ela estava aceitando tudo de bom que aquele novo universo proporcionava. Ela saía quase todos os dias com seus amigos para bares e se divertiam sem pensar no amanhã. Enquanto isso, em casa, sua família era maravilhosa. Tudo era bom e ela não tinha mais problemas.

Depois de uma semana sem conversar com o Michel, ele mandou uma mensagem dizendo: “Desculpe a demora em te contatar. Preciso pedir desculpas por ter me precipitado naquele dia. Não me importa a sua história com seu namorado, que, a meu ver, não parece boa. Eu apenas gostaria de poder falar com você como fazia antes. Me liga, por favor. Nós precisamos conversar. Eu não vou ultrapassar seus limites”.

Depois de alguns minutos pensando se deveria ligar, Kelly decidiu ser melhor conversar do que ignorar. Ligou e eles começaram a dialogar. O tom de voz dele era de receio e cautela. Ela queria deixar claro que não poderia existir mais do que a amizade e, se existissem segundas intenções, seria melhor se afastarem de uma vez por todas. Ela disse:

— Michel, você não pode julgar o meu namoro, só porque te disse que era complicado explicar, não significava que havia problema. Na verdade, é um problema com minha vida e não com meu namoro.

— Me desculpa. Não foi a minha intenção julgar. Eu só fiquei pensando no que poderia ter acontecido. Sei que não é da minha conta, mas me sinto apegado e não posso evitar pensar no que está te perturbando. Na verdade, acho preocupante. Se você estiver passando por algo ruim, posso tentar ajudar.

— Você não pode me ajudar. Eu não posso te explicar porque não seria compreensível. De qualquer forma, queria que soubesse que estou comprometida, se não importa, podemos ser amigos.

— Aceito ser seu amigo. E como um bom amigo, me conta tudo, pode ser? Acho justo.

— Você não precisa saber mais nada.

— Me deixa tentar entender. Gostaria de entrar mais um pouco na sua mente. Eu não vou julgar, seja lá o que esteja acontecendo. Só tenho sentimentos bons por você.

— Michel… Por favor, acho melhor não falarmos disso por um tempo. Você aceita ser só meu amigo ou não?

— Sim. Eu vou ser o melhor amigo que possa imaginar e vou te apoiar e estar ao seu lado para o que precisar.

— Está bem. Eu acredito em você.

— Vou fazer o meu melhor. – Falou com uma voz terna.

Depois disso, eles voltaram a conversar todos os dias. Ele tentava ser cauteloso e não invadir o espaço de restrição dela. Conversavam sobre como tinha sido o dia deles, sobre a faculdade e outras coisas casuais. E os dias foram passando. Kelly continuou a aproveitar a companhia dos familiares e amigos, enquanto se acostumava mais a ter  Michel como amigo próximo.

Tempo depois, Michel disse que sentia saudades de vê-la pessoalmente e insistiu para que saíssem juntos ou que ele pudesse visitá-la em casa. Como ela tinha saído muito naquela semana, resolveu deixar que a visita-se. Chegando à casa dela, ele conversou muito com sua família. Eles tiveram uma boa primeira impressão, acharam-no  educado e simpático.

Além disso, ele chamava a atenção por sua beleza. Por isso, Vivian pensou em bancar o cupido para uni-lo à sua irmã. Quando ele foi embora depois do jantar, seus familiares elogiaram e perguntaram:

— Vocês estão namorando?

— Claro que não.

— Então, deveria. Ele é lindo e gentil. – Vivian investiu na tentativa de juntá-los. Mas Kelly ignorou e não deu atenção.

Durante aquela noite,  Kelly teve um pesadelo. Acordou sufocada. Sonhou que estava morrendo de sede e suava sem parar. Ela gritou em seu sonho: "Água, por favor, preciso de água". Enquanto isso, uma voz masculina avisou: “Busque água imediatamente ou você pode morrer.” Ela não conseguiu ver o homem e ficou desesperada com o que ele disse. Quando despertou, estava ofegante, assustada, suando e com sede, levantou-se da cama e foi até a cozinha beber bastante água. Seu corpo todo tremia e suas pernas estavam bambas.

Terminou de beber a água e tentou voltar para o quarto e continuar dormindo porque eram duas horas da manhã, porém seu corpo estava imóvel. De repente, sentiu-se desmaiar e, durante seu apagão, sonhou que caminhava pela rua procurando por água, buscava um rio, lago ou mesmo o mar. Quando despertou, ela estava realmente no meio da rua. Ficou apavorada por não entender como foi parar ali.

Estava assustada, sem saber o que aconteceu, e começou a chorar enquanto tentava descobrir onde estava e poder voltar para casa. Era escuro e seu corpo todo tremia. O vento gelado penetrava sua pele e atravessava o fino pano de seu pijama. Ficou descontrolada emocionalmente. Percebeu que estava sem o celular e não conseguiu se concentrar para se localizar.

Era um momento desesperador em meio àquele lugar desconhecido e escuro. Ela acabou se sentando na calçada e chorando. A rua estava deserta, cercada por lojas fechadas por ser de madrugada.

Depois de quinze minutos chorando, sentindo-se confusa e chocada com aquela situação, finalmente conseguiu se recompor por um minuto e assim perceber onde estava, não era muito distante de onde morava e aos poucos foi caminhando de volta para casa. Quando chegou, desabou em sua cama e chorou ainda mais.

Sentiu-se sufocada, seu corpo tremia muito, estava cansada, fraca, sentia calafrios e sua cabeça doía muito. Pensou em chamar seus pais e pedir ajuda, mas desistiu da ideia porque eles ficariam muito preocupados e, considerando seu histórico de conflitos questionáveis, teve medo de acharem que ela estava enlouquecendo. Visto que suas sensações podiam ser de origem psicológica devido ao seu conflito emocional que vivia desde que sua vida mudou e se encontrou em uma nova realidade, tentou se acalmar.

Sentiu que precisava relaxar e se recompor para melhorar e voltar a dormir. Achou que no dia seguinte tudo ficaria melhor. Com respirações profundas, tentou se acalmar, mas estava ofegante e com muitos pensamentos perturbadores passando em sua mente, o que dificultava. Perdeu o controle de suas emoções e sensações corporais, foi dominada pelo desconhecido e por percepções estranhas.

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