Capítulo 11

Michel foi para sua casa, apenas trocou de roupas, tirou os pijamas e colocou uma roupa casual, não comeu ou descansou, voltou rapidamente para encontrar  Kelly. No caminho, não conseguiu parar de pensar no beijo intenso que deram. Quando chegou à casa dela, a família toda estava reunida tomando café da manhã e ele foi convidado para se juntar.

Depois, passou o dia grudado na Kelly. Estava carinhoso e atencioso, fez a família dela perceber e comentar. Ficou preocupado por ela ter passado mal na noite anterior e perguntou várias vezes se estava tudo bem. Seu olhar para  Kelly era como se ela fosse a única garota do mundo e todos os parentes dela ficaram encantados.

Eles passaram o tempo todo grudados e só ao fim do dia ele se despediu de todos e foi embora. Apesar disso, estiveram pouco tempo sozinhos porque a Vivian e a mãe dela ficaram juntas passando o tempo. Fizeram comida, assistiram televisão e dormiram no sofá da sala enquanto assistiam a um programa.

Depois do jantar, ele foi embora só quando a Kelly o alertou de que estava tarde. Se dependesse dele, dormiria na casa dela. Até esqueceu que precisava voltar para sua casa de tão entretido com a companhia. Posteriormente à partida dele,  Kelly teve que escutar a mãe e irmã rasgando elogios, dizendo o quanto ele parecia apaixonado e carinhoso.

Ela foi para o quarto e ficou pensando em tudo o que aconteceu. Seus pensamentos fugiam dos acontecimentos ruins da madrugada, quando passou muito mal, e eram sugados pelas atitudes agradáveis do Michel. Ele tinha sido solidário e a fez sentir um aperto no coração, logo ficou com receio de estar se apaixonando.

Depois de pensar, dormiu profundamente. Quando amanheceu, resolveu tomar um banho de banheira. Sentiu-se sonolenta e tentou lutar contra o sono, mas acabou cochilando no banho e teve um sonho onde aquele mesmo homem que apareceu antes disse: “Volte. Rápido. Você está ficando sem tempo. Volte”. Ela sentiu um incômodo, tentou responder e não conseguiu. O homem continuou falando: "Você precisa voltar. Está sem tempo". Até que finalmente conseguiu responder: "Eu não sei se quero voltar... Eu não sei como voltar".

Não conseguiu ver a fisionomia do homem, apesar disso, a sombra dele a puxou pelo braço e ela entrou em um túnel escuro e alagado, era tão úmido e a água chegou a bater em suas canelas. Depois de andar por esse túnel, acordou, só que em vez de estar na banheira, estava deitada em sua cama e não conseguiu se lembrar de como foi parar lá.

Ela vestia as mesmas roupas do dia em que se afogou na praia. Levantou-se da cama, muito tonta e com enjoo. Mas, imediatamente, precisou se sentar por causa da forte tontura. Além disso, estava confusa. Demorou alguns minutos para se sentir melhor.

Assim que conseguiu se equilibrar, saiu do quarto e foi até a cozinha, não encontrou ninguém, depois caminhou para a sala e não viu nenhum membro da sua família. Gritou por sua mãe, pelo pai e depois pela irmã e não obteve nenhuma resposta. De repente, ficou muito enjoada e correu para o banheiro, chegando a tempo de vomitar dentro do vaso sanitário.

Ficou fraca e se sentou no chão. Seu celular que estava no bolso começou a tocar. Era sua mãe. Ela atendeu:

— Mãe, onde você está?

— Como assim? Eu disse que viria dormir na casa da sua tia. Liguei para saber se está tudo bem por aí. O seu pai não voltou, né?

— O quê? – Ela engoliu em seco e sentiu seu coração disparar.

— Você está surda? Eu quero saber se está tudo bem porque você não quis vir comigo.

— Está tudo bem.

— Ok. Amanhã eu volto para casa.

— Ok. – Naquele momento, ela se deu conta do que tinha acontecido. Estava de volta para a realidade de costume. Voltou ao dia em que seus pais brigaram, foi para a praia e se afogou, antes de ficar em coma. Sentiu uma sensação estranha, como se voltasse no tempo. Um frio percorreu a espinha e sua mente se encheu de perguntas.

Ao se dar conta, levantou-se do chão tonta e sua primeira atitude ao perceber o que estava acontecendo foi ir até a casa vizinha. Tocou a campainha e  Charlie atendeu a porta. Ao vê-lo, seus olhos se encheram de lágrimas e suspirou de alívio. Ele ficou sem entender e perguntou:

— Está tudo bem?

— Me desculpa, meu amor. Por favor, me desculpe. Eu senti tanto a sua falta. Eu te amo. – Deu-lhe um forte abraço.

— Você está bêbada?

— Me desculpe, por favor. Eu juro que te amo. – Ela o apertou muito forte e tentou conter as lágrimas.

— Eu também te amo. Mas, desculpa pelo quê?

— Eu senti tanta saudade!

— Amor, calma! Nós só passamos um dia sem nos vermos. Apesar de também sentir que parece mais tempo. – Ela continuou o abraçando e não conseguiu mais conter as lágrimas, começou a chorar. Ele se assustou.

— O que aconteceu?

— Eu te amo. Você sabe disso, né?

— Eu também te amo. Fique calma. Sua atitude me faz sentir uma dor no peito e parece que ficamos tanto tempo sem nos encontrar. Que estranho!

— Eu sei! Você disse que foi somente um dia? De qualquer forma, estou aqui, agora. Estou com você de novo. – Ele ficou mais confuso e ela o beijou entre lágrimas. Foi um beijo caloroso. Ela tinha muita saudade acumulada. Eles ficaram se beijando por alguns minutos até ficarem sem ar. E ele disse:

— Estou sem ar! Há quanto tempo você não beija tão intenso assim?

— Eu senti sua falta. – Ele sorriu e ela ficou o admirando. Admirou a beleza dele, o sorriso, o rosto charmoso e os olhos pretos e penetrantes. Tudo nele fez falta, até mesmo o seu lado frio. Ela tocou o seu rosto e depois o seu cabelo, enquanto o olhou profundamente. Ele disse:

— Olha… Não sei o que deu em você, mas eu estou gostando muito. Você quer entrar? Meus amigos estão aqui, mas vão embora daqui a pouco.

— Não. Eu preciso ir para casa descansar. A gente se vê amanhã. Não desaparece, por favor.

— Vou estar aqui. Eu prometo. – Ele esboçou um sorriso largo, o que era raro diante de seu ar constante de seriedade. Com mais um beijo na boca, ela se despediu.

Voltou para sua casa e se lembrou de tudo o que passou. Lembrou-se de como os móveis da outra realidade eram mais bonitos e mais novos que aqueles e sentiu desgosto. Ao mesmo tempo que estava aliviada de estar no ambiente de costume, também estava estranhando tudo. Era como se fizesse uma viagem em um ônibus desconfortável por vários dias sem descer. Sentiu-se tão cansada que se deitou na cama e adormeceu rapidamente.

Na manhã do dia seguinte, acordou se sentindo melhor, porém com um pouco de enjoo. Ainda era cedo, mas tinha dormido bastante tempo. Ela fez um café enquanto pensava em tudo o que aconteceu nos últimos dias. Aparentemente, não tinha passado mais do que um dia no mundo real. Mas, no outro mundo, passou muito tempo, o que deixou sua mente confusa.

Ela questionou sua sanidade mental. Imaginou ter tido um delírio, um sonho ou experimentado algo espiritual. Não tinha nenhuma explicação. Tudo o que sabia vinha dos sonhos estranhos sobre um universo paralelo. Mas essas coisas só aconteciam em filmes e pensou que tinha algo errado com a sua mente.

Entretanto, tudo foi vivido intensamente, era tudo muito real. Era impossível ter sido um sonho ou delírio porque era muito vivo, muito verdadeiro, além de ter passado muito tempo naquela outra realidade. Construiu histórias e muitas emoções. Tudo estava impregnado nela. Sentiu-se marcada. Soube que passou por uma experiência surreal e inexplicável. Quanto mais pensava, menos fazia sentido.

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