Capítulo 13

Kelly ficou cada vez mais angustiada ao escutar a conversa de Vivian e sua mãe e, preocupada, desejou saber o que estava acontecendo, por isso perguntou:

— O que aconteceu?

— Nosso pai me ligou nervoso. Disse que vai voltar para casa hoje e, se nossa mãe não aceitar, vai quebrar tudo que tem em casa ou carregar com ele, se for expulso de novo.

— E agora, mãe? Acha que devemos deixá-lo ficar? Ou devemos prestar uma queixa na polícia por ameaça? Ele pode destruir nossa casa se estiver muito bêbado. – Kelly questionou.

— Eu ainda não sei o que fazer. Vocês sabem que seu pai fica muito nervoso quando bebe.

— Ele sempre está bêbado, mãe. – Vivian falou sarcástica e continuou:

— Chega de aceitar as atitudes erradas dele. Todos os dias, fica irritado com algo, justamente porque está bebendo cotidianamente. É um alcoólatra. Até quando vamos aguentar?

— Eu não quero denunciar. Mesmo que ele me ameace e fique nervoso, nunca me agrediu fisicamente.

— Mas quase fez e fará a qualquer momento. Cada dia fica pior. – Vivian afirmou enquanto cruzou os braços e cerrou as sobrancelhas.

— Vamos  conversar com ele. Minha mãe deveria ir para a casa da nossa tia e nós duas ficaríamos aqui. – Kelly propôs visando proteger a mãe.

— E desde quando dá para dialogar com bêbado? – Vivian perguntou.

— Temos que tentar.

— Eu não vou sair de casa de novo e deixar vocês sozinhas.

— A Kelly está certa. Acho que, no momento, é a melhor opção. Com sua presença, ele vai ficar mais nervoso, por isso é melhor que não esteja em casa, mãe.

— Não vou deixá-las nessa situação, seu pai pode ficar irritado.

— Vamos estar juntas. Conseguimos lidar com ele. – Vivian assegurou.

— Eu posso pedir para o Charlie ficar aqui com a gente. Se meu pai se alterar ao ponto de ficar agressivo, pode segurá-lo e nos defender. Não se preocupe, mãe. Também não vai ser necessário porque o problema dele é só com você, eu e a Vivian não estamos em perigo.

— Está bem. Pede que o Charlie fique aqui, de verdade. – A mãe se rendeu, mesmo insegura.

Depois dessa conversa, a mãe chamou um táxi e foi para a casa da irmã. Kelly foi explicar ao Charlie o que tinha acontecido. Disse que o pai dela estava vindo tirar satisfação com sua mãe, por isso pediram para ela sair de casa e evitar uma briga. Então, pediu:

— Você pode ficar comigo? Eu estou com medo da reação do meu pai. Ele tem bebido muito e ficado agressivo.

— Claro. Não vou sair daqui. – Ele respondeu seguro e ela se sentiu melhor, protegida e feliz por ter o Charlie por perto.

Durante a noite, achou que o pai não apareceria. Vivian estava em seu quarto se preparando para dormir e  Kelly na sala com  Charlie assistindo a um filme, tinha até esquecido dos problemas. De repente, ela e  Charlie escutaram batidas fortes na porta. Kelly deu um pulo no sofá pelo susto e seu coração disparou. Em segundos, suas emoções foram de calma até a extremidade, quase um pânico.

Muito assustada com aquelas fortes e repetidas batidas na porta tão tarde da noite, Kelly percebeu que podia ser o seu pai. Ela disse ao Charlie: “Meu pai chegou, você pode chamar a Vivian enquanto abro a porta?”. Ele concordou e foi avisar. Ela abriu a porta e encontrou o pai furioso e, como esperado, muito bêbado. Parecia ainda mais bêbado do que o costume.

Por um minuto, ela estremeceu e sentiu sua mente travar. Ficou um branco total. Enquanto ela o fitou paralisada, seu pai entrou na casa e disse:

— Cadê aquela louca da sua mãe? Ela precisa me escutar, agora.

— Calma, pai. Senta aqui no sofá. Vamos conversar com calma. – Foram as primeiras palavras que vieram em sua mente, mas não sabia o que poderia conversar com ele.

Esperou que a irmã conseguisse lidar com aquela situação porque estava sem raciocinar direito e, quando  Vivian chegou na sala na companhia do Charlie, o pai foi logo dizendo:

— Olha só, todo mundo aqui! Só falta sua mãe. Até seu namorado vai presenciar os nossos problemas?

— Pai, nós estávamos tranquilos e você chegou nesse estado, bêbado e nervoso. Vamos conversar outro dia. – Kelly pediu, percebendo o estado alterado do pai e acreditando ser em vão conversar naquela situação.

— Eu fui expulso de casa contra minha vontade. Aquela louca da sua mãe colocou minhas coisas na rua e a casa também é minha.

— Pai, você está sempre bêbado. Com isso, fica nervoso. Aquele dia, foi você que começou a briga, é tudo sua culpa. – Vivian falou.

— Então, agora todas vocês vão tentar me fazer de vilão? Você não estava presente quando aconteceu, Vivian. Não sabe a verdade.

— Não tem essa de vilão. Mas você sabe que anda bebendo muito. Desde que perdeu seu emprego seis meses atrás, tem bebido cada vez mais e todos os dias, se tornando agressivo e alcoólatra. Não consegue perceber? – Vivian entrou em diálogo com ele, enquanto Kelly e Charlie ficaram observando.

— Vocês me acusam o tempo todo. É tudo culpa da sua mãe. Foi ela que me deixou estressado e ainda colocou vocês contra mim. Ela sempre me irrita de alguma forma. Eu perdi o meu emprego por culpa dela e bebi todos os dias por culpa dela também.

— Olha o que está dizendo! Como ela poderia ser culpada por tudo isso? Parece que não enxerga sua própria realidade. – Vivian falou, aumentando a voz e ríspida.

— Olha aqui, garota, me respeita. Eu que mando aqui, sou seu pai e se cale quando eu falar. – Ele também aumentou o tom de voz e ficou bravo.

— Eu não vou me calar para um bêbado descontrolado como você. – Kelly percebeu que a irmã começou a se alterar e a situação poderia sair do controle, por isso falou:

— Calma, Vivian. Ele já está nervoso o bastante. Pode piorar.

— Essa garota sempre tenta me desafiar. Você também tem culpa disso tudo, Vivian. Você é uma inútil que não se preocupa com sua família, só sabe nos irritar e viver em festas, gastando a nossa grana e fazendo compras, mesmo tendo o seu dinheiro.

— Inútil é você.

— Para, Vivian! Por favor! – Kelly falou, gritando e suplicando. Ela temeu o pior.

— Escuta, sua irmã. Ela é a mais sensata desta casa.

— Nada disso, pai. Só não quero que vocês briguem. Podemos resolver sem brigar. – Explicou com medo.

— Cadê a mãe de vocês?

— Ela não está em casa.

— Então, quer dizer que fugiu? Ela pensa que pode sumir por quanto tempo? Quer saber, é melhor que ela não esteja aqui porque eu não saio mais desta casa. Se quiser, ela que saia.

— Como assim? É melhor você ir embora e só voltar quando estiver sóbrio.

— Quero ver quem me tira daqui.

— Suas roupas não estão mais aqui e você não trouxe. Então, volte para onde estava antes, por favor. – Vivian tentou ordenar.

— Garota, para de me irritar. Você devia me respeitar e ajudar. Eu sou o seu pai. Fique calada para não piorar a situação.

— Pai, por favor! Me escuta. Agora não é o momento, volta quando estiver sóbrio. – Kelly tentou pedir calmamente. Mas seu pai ignorou e andou em direção ao quarto do casal. As garotas seguiram. Ele entrou no quarto e fechou a porta. Elas se olharam sem saber o que fazer e Kelly perguntou:

— E agora?

— Não sei. Acho que perdemos.

— O que isso quer dizer?

— Vou avisar nossa mãe para não voltar para casa enquanto não for seguro. Enquanto isso, vamos esperar que ele durma e acorde sóbrio.

— Está bem. – Kelly se direcionou ao Charlie e disse:

— Você pode dormir aqui hoje?

— Claro. – Assim, elas foram para seus quartos dormir.

Ao amanhecer, Kelly acordou cedo, seis da manhã. Ela sentiu uma vontade estranha e repentina de ir para a praia, não conseguiu entender por que tinha essa vontade repentina, era inesperado. Lembrou-se do que aconteceu da última vez que se afogou e ainda precisava ir à faculdade, sem contar o problema com o pai. Foi para a cozinha e preparou o café da manhã. Pouco depois, sua irmã se juntou e elas e conversaram:

— O que vamos fazer com nosso pai aqui? – Desejou resolver essa situação logo.

— Não tem como expulsar ele. Agora, é esperar que se acalme.

— Deveríamos tentar falar com ele quando acordar?

— Seria bom. Mas eu preciso ir trabalhar. Por que você não fala com ele?

— Eu tenho que ir para a faculdade.

— Na faculdade, você pode faltar e no trabalho, não posso. – Kelly ficou reflexiva e depois respondeu corajosamente:

— Está bem, eu farei isso.

— Ok. É só não falar nada que vai deixá-lo nervoso. E o Charlie está aqui para te ajudar, se for preciso. – Depois, terminou a conversa, Vivian finalizou seu café e saiu para o trabalho.

Vivian não se preocupava muito com a irmã porque a achava independente. Mas Kelly queria que ela fosse mais cuidadosa.

Desejou que pedisse para ligar se acontecesse algo ruim na conversa com o pai, porém estava claro que sua irmã não queria ser incomodada no trabalho. Devia lidar com a situação sozinha, no momento. No entanto, ainda era cedo e o pai acordaria mais calmo e sóbrio, por isso ficou corajosa para conversar e tentar resolver o problema.

Kelly terminou de tomar café da manhã e foi para seu quarto. Encontrou  Charlie ainda dormindo. Deitou-se ao lado dele e aproveitou para fazer carinhos. Ele despertou e ela disse:

— Desculpa te acordar. Não resisti em te tocar. Você estava tão lindo dormindo. – Ele sorriu e depois fechou os olhos novamente e tentou dormir mais um pouco. Passaram alguns minutos e ele falou sonolento:

— Não está na hora da faculdade?

— Não vou hoje.

— Por qual motivo?

— Por causa do meu pai. Vou tentar falar com ele. Também me preocupa deixá-lo sozinho em casa, não sei o que pode fazer. Ontem, ameaçou quebrar nossas coisas ou levar embora.

— Eu vou ficar com você.

— Obrigada. Eu realmente preciso disso no momento.

Quando seu pai acordou. Estava sóbrio e, antes que ele pensasse em tomar alguma bebida alcoólica, Kelly foi conversar:

— Oi, pai! Está se sentindo bem?

— Estou. O que você quer? Não devia estar na faculdade?

— Hoje não tem aulas. – Ela mentiu.

— Ok.

— O que pretende fazer agora que brigou com minha mãe?

— Pergunta para ela. Se ela quiser o divórcio, vamos resolver judicialmente. Metade dos bens são meus.

— Mas a casa é herança dela.

— E o carro? Os móveis mais caros? Eu vou procurar um advogado porque somos casados em comunhão de bens e acho que talvez tenha direito aos imóveis da herança, quando ela recebeu nós já estávamos casados. Vou procurar saber dos meus direitos ainda hoje.

— Você devia ser mais solidário. Não pode tirar nada dela. Foi ela que mais deu duro por nossa família. E aguentou muita coisa ruim por você.

— Se tenho direito, vou querer tudo que posso. Eu não tenho emprego e nem dinheiro. Além disso, foi ela que quis se separar. Agora, que arque com as consequências.

— Se não for por ela, ao menos pense nas suas filhas.

— Ora! O que tem para pensar com vocês? Já são maiores de idade. Podem se sustentar sozinhas. – Kelly se arrepiou com a frieza dele.

— Credo, pai. Por que, ao invés disso tudo, não se compromete com minha mãe em parar de beber e continuarem juntos?

— Se ela ainda quiser ficar comigo, vai ter que me aceitar desse jeito. Eu não vou parar de beber.

— Se você continuar assim, não vai arrumar emprego e ainda fica agressivo bêbado.

— Isso não é da sua conta. Eu arrumo qualquer bico para fazer. Ou aceita, ou levo metade de tudo em um divórcio muito conflituoso. Se eu fosse a sua mãe, pensava melhor. Seria melhor me aturar.

— Então, liga para ela agora e conversa enquanto está sóbrio.

— Não vou ligar, ela mora aqui, que volte para a casa se quiser conversar e resolver as coisas.

— Vou pedir para ela voltar, desde que você permaneça sóbrio e não fique agressivo.

— Não fiquei agressivo coisa nenhuma.

— Você foi para cima dela e eu tive que conter.

— Quem está nervosa e querendo levar essa briga para frente é sua mãe e não eu. – Ele falou, saindo de perto dela e encerrando a conversa.

Naquele dia, mais tarde, sua mãe decidiu voltar para casa e conversar com o marido. Kelly e sua irmã ficaram de prontidão, caso eles brigassem. No entanto, depois de algumas discussões, decidiram se separar, porém somente depois que o pai delas arrumasse um emprego e um lugar para morar. Enquanto isso, ficariam morando na mesma casa. Kelly pensou que a conversa não levou a nada e as brigas continuariam porque seria muito difícil seu pai conseguir um emprego estando sempre bêbado.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!