Capítulo 10

Depois de tentar se acalmar com respirações profundas por vários minutos, Kelly percebeu que não conseguia manter o equilíbrio, suas tentativas de se recompor não funcionavam. Sentia-se mais sufocada e teve medo de desmaiar novamente. Suas roupas estavam molhadas por seu suor frio que resfriava seu corpo e fazia tremer.

Ela tremia tanto que não conseguia se levantar da cama e sentia muita necessidade de beber água.

Em desespero, sem pensar direito e agindo por extinto de sobrevivência, pegou o seu celular e ligou para o Michel. Ele atendeu sem demorar muito, com voz de quem acabou de acordar, e foi logo perguntando se estava tudo bem. Ela não conseguiu falar muito e apenas disse: “Vem aqui em casa, rápido. Me ajude. A porta está aberta. Por favor, venha rápido.” Ele não pensou duas vezes e correu o mais rápido que podia até a casa dela. Apenas levantou-se da cama apressado e entrou em seu carro, dirigindo em alta velocidade.

Por sorte, não tinha trânsito por estar de madrugada. Chegou rápido na casa, encontrou a porta destrancada e entrou sem receio. Correu até o quarto dela. Quando entrou, ela estava deitada na cama, chorando e com dificuldade para respirar. Ele suspendeu seu corpo, entrelaçando seu braço por baixo das costas dela, e percebeu que estava ensopada por um suor frio que até molhou a cama. Percebeu que ela estava muito gelada, tremendo e bastante pálida.

Ficou assustado e tentou perguntar o que estava acontecendo. Não obteve resposta e resolveu  carregá-la, tirou-a  da cama e foi em direção à saída do quarto com intenção de ir ao hospital, mas foi surpreendido pela fala dela:

— Me deixa deitada. -- Disse com dificuldade.

— Você precisa ir a um hospital com urgência.

— Não. Por favor. Não. Quero ficar aqui, deitada.

Ele a colocou na cama novamente e a abraçou. Afagou suas costas enquanto dizia: “Vai ficar tudo bem”. Aquilo foi a acalmando lentamente. Depois de cinco minutos, ela conseguiu respirar melhor e seu corpo parou de tremer aos poucos. Ela disse:

— Por favor, me dê água.

— Eu vou buscar e já volto. Fica calma. – Ele foi até a cozinha rapidamente e trouxe uma garrafa de água, e ela bebeu tudo com urgência. Depois, ela o abraçou e, chorando, disse:

— Obrigada. Você acabou de me salvar.

— Vai ficar tudo bem.

Ele se deitou ao lado dela e ficou fazendo carinhos enquanto ela se recompunha e respirava melhor. Ela fechou os olhos e ele ficou observando com medo de que estivesse desmaiada, mas logo percebeu que era um descanso e aguardou sem tirar os olhos dela. Passou um tempo, quase cinco da manhã, resolveu perguntar se ela tinha melhorado porque ainda estava muito preocupado. Queria saber se ela precisava de algo.

Calmamente, se aproximou do ouvido dela e perguntou, muito baixo e delicadamente:

— Você parece desidratada, ainda acho que deveria ir ao hospital. Vamos? – Ela abriu os olhos e ele sentiu a gratidão em seu olhar enquanto respondia:

— Não precisa. Agora, estou bem. Obrigada por ter vindo.

— Eu disse que faria qualquer coisa por você. O que aconteceu?

— Eu não sei. Foi algo estranho. Eu desmaiei e acordei no meio da rua. Depois, consegui chegar em casa e comecei a passar muito mal. Eu não quero que minha família descubra. Por isso, te pedi ajuda.

— Pode contar comigo. Eu prometo ajudar com qualquer coisa.

— Eu suei tanto que devo ter perdido litros de água do corpo. Me sinto desidratada e preciso tomar um banho.

— Ok. Enquanto isso, posso esperar na sala.

— Não precisa, vou me trocar dentro do banheiro aqui do quarto. Fique aqui mesmo. – Ela pegou a toalha, uma muda de roupas e entrou no banheiro, enquanto ele se sentou na cama esperando que ela voltasse.

Depois de dez minutos desde que ela foi tomar banho, ele  começou a se preocupar e chamou seu nome perto da porta do banheiro e não obteve resposta. Sem pensar duas vezes, muito preocupado, entrou e encontrou-a  desmaiada dentro da banheira com a cabeça quase escorregando e afundando na água.

Ele rapidamente a carregou e ela despertou no mesmo momento. Apressado, levou-a até a cama. Pegou a toalha e colocou sobre seu corpo nu, que tremia muito. Ela disse:

— Eu desmaiei de novo. – Falou confusa e assustada.

— Estou preocupado. Por favor, vamos ao hospital? – Ele segurou a mão dela e lançou um olhar de preocupação e súplica. Ela retribuiu apertando a mão dele.

Percebendo que o corpo dela tremia, abraçou-a e sentiu suas costas nuas. Ela retribuiu o abraço e começou a chorar silenciosamente.

— O que posso fazer para ajudar? O que está acontecendo? – Ele se desesperava.

— Não é nada físico. É algo mental, são meus pensamentos, meus sonhos perturbadores, minha confusão mental. Eu estou muito abalada com a realidade que estou vivendo, achei que tinha me acostumado, mas estava enganada, menti para mim mesma e isso tudo está afetando meu corpo.

— Você vai ficar bem. Eu vou ajudar. Me deixa fazer alguma coisa.

— Você já está fazendo.

— Você está tremendo.

— Só me abraça. Eu estou ficando mais calma com a sua presença. Só por você estar aqui comigo me faz sentir melhor.

Ele a abraçou forte. Olhou profundamente em seus olhos e ela conseguiu sentir a ternura que partiu deles, fazendo-a se acalmar e relaxar. Ele sentiu o corpo dela tremer em contato com seu abraço e fez carinho em suas costas. Eles ficaram assim por alguns minutos e ela se acalmou e parou de tremer lentamente. Por isso, resolveu dizer que melhorou para tranquilizá-lo:

— Me sinto melhor. Se você quiser ir descansar, pode ir. Vou ficar bem. Eu te tirei da cama. Me desculpe por ter feito você vir aqui na minha casa.

— Eu não saio do seu lado por nada. O único lugar em que quero estar é aqui com você.

Ao escutar as palavras reconfortantes dele e sentindo sua forte respiração tão próxima e quente, assim como seus corpos agarrados, enquanto se aquecia por seu calor, ela sentiu seu peito queimar de forma agradável. Aquela ajuda, palavras agradáveis e conforto, fizeram ela agir espontaneamente e de forma inesperada o beijou na boca. No início, ele se assustou, mas imediatamente retribuiu o beijo de forma profunda, delicada e bastante carinhosa.

Ele estava sensível à  situação e isso fez com que imergisse de forma profunda e a beijasse tão intensamente que ela sentiu seu corpo ficar mais quente. As mãos dele sobre as costas nuas dela e a respiração ofegante se misturavam ao beijo. Ele apertou suas mãos contra as costas dela e a acariciou com a outra mão, passando-a carinhosamente por seus cabelos, depois nuca e costas, sem desgrudar seus lábios.

Depois de alguns minutos, ela começou a ficar sem ar e interrompeu o beijo, ficando corada. Ele percebeu e se afastou enquanto ela puxava a toalha para cobrir melhor sua nudez e disse:

— Melhor eu me trocar. – Foi em direção ao banheiro. Depois de colocar suas roupas, voltou ao quarto e o encontrou sentado na cama. Os dois se olharam sem saber o que dizer. Então, ele quebrou o silêncio perguntando:

— Você está melhor?

— Estou bem, agora. Obrigada. E me desculpe por tudo.

— Não tem motivo para se desculpar. Eu fico muito feliz de ter ajudado. Posso fazer mais alguma coisa por você?

— Está tudo bem. Obrigada.

Ele se levantou da cama e a abraçou. Ela retribuiu e eles ficaram por alguns minutos abraçados em silêncio. Até que ela se soltou, pegou o celular para verificar quantas horas eram e disse:

— Nossa, já são quase seis da manhã!

— Você quer que eu vá embora? Não quero te deixar. Ainda estou preocupado.

— É melhor você ir. Já estou bem. Vá antes que meus pais acordem. Eles podem achar que você dormiu aqui.

— Eu não quero ir. Quero ficar com você. Quero passar o dia todo ao seu lado. Não preciso ir para a faculdade hoje. Me deixa ficar.

— Os meus pais vão estranhar.

— Nós explicamos que não dormimos juntos.

— Eles não podem saber que eu passei mal.

— Eu posso sair e entrar de novo, fingindo que acabei de chegar.

— Você está de pijamas.

— Nossa, é verdade! Eu saí correndo quando você me ligou para vir aqui.

— Me desculpa por isso.

— Se você falar desculpa mais uma vez, eu vou te beijar novamente.

Kelly ficou surpresa ao escutar as palavras audaciosas de Michel e, sem reação, sentiu sua pele ferver. Seu rosto ficou vermelho, ele percebeu e foi além na ousadia, dizendo:

— Você fica linda, corada por estar envergonhada.

— Não fale besteiras... Veja bem… Pode passar o dia comigo. Mas, ao menos, vai para sua casa descansar e trocar de roupas. Você ficando aqui de pijamas não vai colar.

— Está bem. Eu volto daqui a pouco. – Ele a abraçou, deu um beijo terno na testa e foi embora.

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