Kelly começou a enfrentar uma grande crise familiar. Seus pais tiveram uma briga séria. Durante uma de suas bebedeiras, seu pai tentou agredir sua mãe. Kelly precisou intervir e, por estar muito bêbado, conseguiu contê-lo e impedir que ele fizesse algo pior. Depois disso, sua mãe caiu em prantos e começou a dizer que queria o divórcio. Desesperada, Kelly ligou para sua irmã, Vivian, que estava em uma festa, pedindo ajuda. No entanto, Vivian ignorou o pedido e disse para Kelly "se virar", afirmando que não voltaria para casa naquela noite.
Sozinha e enfrentando toda aquela situação, Kelly passou a noite em claro, preocupada que seu pai acordasse e tentasse machucar sua mãe novamente. Não conseguiu pregar os olhos. Ao amanhecer, por volta das seis horas, foi vencida pelo cansaço e adormeceu. Acordou três horas depois, às nove da manhã, com os berros de sua mãe. Assustada, deu um pulo da cama e correu até a sala. Seus pais estavam brigando novamente. Dessa vez, seu pai parecia sóbrio, mas sua mãe o acusava de ter lhe feito mal e gritava para que ele saísse de casa e não voltasse mais. Ele negava e retrucava com raiva.
Kelly não sabia o que fazer. Não tinha mais a adrenalina do dia anterior, quando precisou conter o pai fisicamente. Agora, os gritos deles a faziam tremer. Ela ficou paralisada, assistindo à cena, com as mãos geladas e o coração acelerado. Após minutos de berros, sua mãe começou a colocar as roupas de seu pai nas malas e a jogá-las para fora da casa, enquanto ele a insultava.
Percebendo a gravidade da situação, Kelly conseguiu reagir e disse ao pai que, se ele tentasse qualquer coisa física contra a mãe novamente, chamaria a polícia. Ela ficou de prontidão. Isso o irritou ainda mais, e ele passou a gritar com Kelly, fazendo-a estremecer, mas ela não demonstrou medo e manteve-se firme na decisão de apoiar e proteger a mãe. Depois de horas de confusão, o homem pegou suas malas e saiu de casa enfurecido, afirmando que voltaria, pois era o dono da casa e de tudo que estava dentro dela. Em seguida, saiu sem rumo.
A mãe de Kelly, sendo uma pessoa muito reservada, recusou qualquer tentativa de consolo por parte da filha. Kelly tentou conversar, acalmá-la, mas foi em vão. Com medo de que ele voltasse, sua mãe decidiu passar a noite na casa de uma irmã, mas Kelly recusou-se a ir junto. Com a situação mais controlada, Kelly respirou aliviada e ligou para Charlie:
— Alô?
— Oi! Como foi seu dia? Você disse que passaria o dia dormindo. Não escutou gritos e briga? — perguntou ela, querendo saber se ele, sendo vizinho, havia ouvido algo.
— Não, estive o dia todo tocando com a banda. Aproveitamos que meus pais não estavam em casa e fizemos nosso próprio barulho. Mas por que pergunta? Quem brigou?
— Nada, ninguém — respondeu Kelly, preferindo não contar sobre os problemas em casa. Ela nunca falava sobre coisas ruins, temendo que isso pudesse piorar a depressão de Charlie.
Depois de uma breve conversa, ela desligou o telefone e decidiu dar um passeio para aliviar a mente. Queria espairecer caminhando na praia, que ficava a apenas meia hora de sua casa. Desde o dia anterior, sentia vontade de entrar no mar. Pegou um táxi e, ao chegar, percebeu que a praia estava vazia, pois era um dia frio. Impulsivamente, decidiu entrar no mar de roupa e tudo, já que não havia levado biquíni. Correu pela areia e adentrou o mar, que estava agitado, com ondas fortes.
Sem perceber, ela foi se distanciando da areia. Estava destemida, desejando fortemente permanecer na água. Mesmo sabendo nadar, perdeu o controle em meio às ondas violentas e começou a se afogar. Foi então que percebeu que tinha ido muito longe e que não conseguiria voltar. Debatia-se para tentar se salvar, enquanto minutos longos pareciam se arrastar na sua luta contra as ondas. Depois disso, Kelly não se lembrou de mais nada.
Quando despertou, estava em um hospital. Por um momento, pensou que morreria afogada, já que não havia ninguém para salvá-la. Ao abrir os olhos, viu toda sua família reunida: sua mãe, seu pai e sua irmã. Eles começaram a gritar de alegria, dizendo: "Ela acordou! Finalmente!". Tentavam falar com ela, mas todos falavam ao mesmo tempo, eufóricos, deixando Kelly confusa. Ela não conseguia entender o que diziam, tamanha a euforia deles.
Seu corpo estava frio, e ela se sentia tonta. Sentou-se na cama, cercada pelos aparelhos conectados ao seu corpo, e olhou ao redor, notando cada detalhe daquele quarto apertado. Sua mente estava dispersa, dividida entre a imagem do mar furioso e os gritos de alegria da sua família. Um médico foi chamado para avaliá-la e perguntou como ela se sentia. Kelly respondeu que estava bem, o que pareceu chocar o médico, que não esperava tal resposta. Sua família comemorava.
Logo depois, exames foram feitos, e Kelly continuava espantada com a animação de todos. Também achava estranho que estivessem juntos depois da briga recente entre seus pais. A situação parecia tão fora do comum que ela mal conseguia falar. Depois de alguns minutos, com a família mais calma, começaram a conversar pacificamente:
— Filha, não se assuste. O médico disse que, milagrosamente, parece que está tudo bem com você — disse sua mãe.
— Filha, está tudo bem! Estamos aqui te esperando todo esse tempo — acrescentou seu pai.
Enquanto isso, sua irmã não conseguia conter as lágrimas, que misturavam emoção e alegria.
Assustada, Kelly perguntou:
— Quanto tempo demorou para me salvarem? E por que estão todos aqui reunidos? Pai, você não tinha saído de casa?
Todos a olharam, chocados com suas perguntas. Kelly sentiu algo estranho. Sua mãe disse que era provável que ela estivesse tendo delírios após tanto tempo desacordada, mas pelo menos ela havia reconhecido todos. Vivian, chorando, quis confirmar:
— Kelly, você sabe quem eu sou?
— Vivian, você está me zoando? Você acha que um hospital é lugar para brincadeiras?
— Mãe, ela me reconhece! Ela sabe quem nós somos. Não houve perda de memória! — comemorou Vivian.
— Por que vocês estão agindo tão estranho? Por que eu teria perda de memória por causa de um afogamento? Eu devo ter ficado pouco tempo na água, não precisa de exagero se estou bem — falou Kelly, assustada.
Todos ficaram surpresos e incrédulos. Erguendo as sobrancelhas, eles ficaram paralisados por alguns segundos, apavorados e receosos de dizer algo. Kelly sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo ao ver aqueles olhares. Algo estava definitivamente errado. Foi então que seu pai, com a voz pesada, disse:
— Vamos ter que lembrá-la do que aconteceu.
Sua mãe, com lágrimas nos olhos, concordou.
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Atualizado até capítulo 64
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